Aprendendo a desistir

Confesso, já fui mais perseverante. Talvez eu ainda não fosse tão sedutora. Se eu queria um determinado cara, poderiam se passar anos, eu continuava a querê-lo, até o momento de atingir meu objetivo com o mesmo. Fosse um remember, um beijo, um pedido de namoro ou só desfilar com o moço na frente das minhas amigas, eu esperava o tempo que se fizesse necessário contudo eu [quase sempre] conseguia.

                            O problema surgia quando concretizava o desejo, eu os havia desejado tanto que a pessoa já não me tinha ressonâncias humanas, mas oníricas. Eu não estava beijando o Pedro, o João, o Adalberto, eu beijava as construções do meu imaginário. E, fatalmente, depois dos lábios se desgrudarem e os olhos se abrirem, eram apenas o Pedro, o João e o Adalberto. Nada de mágico. Nem sininhos tocando, nenhum sinal dos céus, nem mesmo algum traço do super-homem que habitava meus sonhos. Eles não voavam, não recitavam algum trecho de uma tragédia grega num momento oportuno, nem mesmo sabiam se vestir na maioria das vezes.

                             Há pouco concedi a mim mesma o direito de desistir. Descobri que também pode ser uma arte. Desistir de um relacionamento que não me soe futuro; de um sapato, que apesar de lindo, tem um péssimo cômodo; desistir de uma amizade importantíssima por um ano mas pelos últimos cinco, um porre. Desistir de um emprego que me esfole viva e me pague pouco. Desistir de tudo aquilo que não precisava senão para me provar ser uma mulher de palavra, das que vai até o fim. Só me pergunto se até o fim da história ou dos meus nervos.

                                Foi com menos pesar do que imaginava, há uma hora excluí os seus contatos. Antes de fazê-lo vítima dessa minha imaginação hiperativa fazendo-o parecer um semi-deus. \o futuro disso seria: quando eu finalmente o dobrasse e satisfizesse meu desejo, ele não pareceria mais que um esboço de homem. Fiz um favor a nós dois. Excluí o contato de mensagens instantâneas, de e-mail e os números de telefone. Nada contra você, é só uma maneira de evitar frustrações. Sua porque para conquistar alguém sou uma marketeira digna de ser contratada pelo Roberto Justus. E se por acaso eu não tivesse coragem de dizer que você não era tão bom quanto nos meus sonhos, você descobriris todos os meus defeitos inconfessáveis. E evito também a minha, de notar a perda de tempo desejando alguém que não existe.

                                    Infelizmente, uma pessoa só tem uma chance comigo: a primeira. Não existe volta, remember, retorno, tempo, afastamento, seja o nome que for. Como escreveu Drummond: “o lar não mais existe/ ninguém volta ao que acabou” eu tenho um traço muito forte de vaidade na minha personalidade e ele se manifesta justamente no “eu te quero e vou te ter”…custe o tempo que custar. Enquanto isso namoro, faço festa, emagreço, engordo, desboto, me bronzeio, descubro mais uns truques de maquiagem e espero que você mude de idéia.

                                           Só tem um detalhezinho que muda o quadro: oi, eu tenho 25 anos, a minha beleza não vai durar pra sempre, estou quase me formando, já fui noiva e tenho ambições de construir um relacionamento com alguém. E mesmo que não o construa, não tenho intenção de ficar mais no modo “stand-by”. Vida que segue, meu bem. Garçom, champanhota para dois nesse momento. Se não teve no início, ok. Hoje, no final, merecemos duas taças borbulhantes. Um brinde ao momento oportuno de parar!

                                               Discordo do Carpinejar, segundo o poeta, uma faísca atrasada ainda é capaz de incendiar uma floresta inteira. Será? Se ela se atrasou, a chuva [ou o bom-senso] chegaram antes dela. Eu fiz o que estava ao meu alcance para tentar de verdade. Não deu. Que ótimo! Não te espero logo ali na frente, na próxima curva ou crise de carência. Não espero que você mude de atitude ou de idéia. Não espero que encontre tempo ou vontade de vir ao meu encontro. Não espero. Não atropelo. Só não desejo querê-lo por vaidade, perderia todo o encanto.

                                       Das coisas que continuo desejando, com toda a minha alma, não desisto do meu diploma de jornalista, de escrever um livro, de viajar pelo mundo, de alguns poucos amigos, da minha irmã e de me sentir amada.

 

P.S. ao ex-noivo: se eu nunca disse, obrigada, sem você eu jamais saberia o que é ser amada, enxergada. Você me tirou do canto, onde eu tentava me esconder e me defender do mundo e me pôs no centro do salão. Você quis casar comigo, viajar comigo, passear comigo, dançar comigo. E quando acabou, ainda me deixou no centro. Devo a nós dois continuar lá. Estonteante. Firme. Até encontrar um outro par disposto a dançar na pista e no meu ritmo.

Publicado em:  on Novembro 21, 2009 at 4:43 am Comentários (2)
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Geisy Arruda e minha mãe

geisyUm dos meus maiores motivos de discussão com a minha mãe sempre foi seu machismo exacerbado. Diante de tantos comentários a respeito do vestido rosa-shocking da moça da Uniban essa semana, lembrei de algumas pérolas proferidas pela dona Neca ao longo das duas décadas em que dividimos o mesmo teto. Minha mãe, até hoje, adora dizer: -“Sim, usa uma saia desse tamanho e depois ainda vai querer reclamar se for estuprada.”

                        Passei anos da minha vida me desgastando tentando convencê-la do quão retrógradas eram suas opiniões e nada mudou. Nem mesmo quando minha irmã sofreu uma tentativa de estupro, minha mãe aliviou. Lembro dela me recriminar porque levei a caçula à delegacia prestar queixa. Segundo ela, era uma história que deveria ser mantida em sigilo, não se devia dar maiores dimensões ao “incidente”. E por séculos a fio, desde a Idade Média, em que uma mulher não era mais que uma propriedade do homem, agimos assim. Caladas mesmo que ultrajadas na nossa condição de mulher.

                          Não quero discutir aqui se o traje da Geisy era ou não adequado ao ambiente. Se não o fosse, que tivesse sido barrada na entrada da faculdade e pronto. Mas deixemos a hipocrisia de lado. Moro numa cidade de praia e minhas colegas [e admito, eu mesma] em pleno verão usamos saias curtas e shortinhos para assistirmos às aulas. O que não dá o direito de colega nenhum nos xingar ou nos desmoralizar pelos corredores da instituição. Aliás, esse tipo de vexame só acontece porque existem mães demais como a minha soltas por aí.

                              Se algum dia eu tiver filhas, certamente não as ensinarei a manter a classe diante duma construção quando os homens proferem barbaridades que não se escreve ao passarmos em frente. A coragem masculina é muito tênue. Eles só se sentem fortes quando em bando -exatamente como babuínos- para ultrajar uma mulher. E sabem que esta terá como único recurso o silêncio. Ainda que se sinta violada na situação. Foi treinada [domesticada] durante séculos a não reagir. Ser mulher é ter classe, é não descer do salto. A classe nos impõe o silêncio. Pois vou ensinar as minhas filhas que descer do salto se faz necessário em alguns momentos. E aliás, é uma arte.

                              Depois de tanto me sentir humilhada em situações similares, aprendi a dar um bom escândalo. Como diria a Verinha, a gente se sente aliviada depois de dar um escândalo. Renovada. Nada como um bom “gritedo” como se diz no RS. Quer me falar o que quer quando passeio de legging no calçadão da praia? Ok. Vai ouvir o que não quer também. Quer aproveitar uma balada apertada para passar a mão na minha bunda sem minha permissão? Isso, automaticamente, vai selar um acordo entre nós: apertarei seus testículos também -duma maneira nada agradável. Quer gritar “gostosa” em plena Av. Atlântica enquanto eu saio do bar de minissaia? Ok. Aguenta a resposta constrangedora com direito a xingar a sua mãe.

                          Lógico que nenhuma das “medidas-Bruna” resolveriam o caso Geisy. Mas certamente se mais Brunas agissem por aí, talvez os homens não se sentissem numa posição superior à da mulher. Posição esta que lhes confere o “direito divino” de agredir física –ou verbalmente- elas. Os adjetivos “puta”, “vadia” e similares que ecoaram pelos corredores da Uniban foram uma demonstração ridícula de hipocrisia e chauvinismo. Aliás, o argumento prostituição nesse caso também é descabido. Se a guria se prostitui ou não, é irrelevante.

                        Isso me lembra o caso duma menina que trabalhava como garota de programa na minha cidade e um dia levou uma surra dum cliente covarde. Quando ela tentou prestar queixa, os policiais se recusaram a aceitar porque a moça era prostituta. E o que uma coisa tem a ver com a outra? Ela ganhava por sexo, não para ser espancada. Isso quer dizer então que podemos atear fogo no cara porque ele é índio. Espancar uma coitada no ponto de ônibus porque ela é empregada doméstica. Matar a pauladas uns sujeitos que estavam dormindo na calçada porque são mendigos. O fundamento da argumentação é a mesma. O único diferencial é que na questão prostituição trazemos o velho tabu sexual a baile. E quando se fala em sexo, volta-se aos instintos primitivos.

                             Papelão maior foi da faculdade que expulsou a guria sem noção. A medida cabível era advertência por vestimenta inapropriada. Agora, para a galerinha que fez o bafafá todo, bom, pra esses, não tem desculpa, cabem sanções criminais, afinal, incitar estupro não é brincadeirinha de pré-escola. Todo mundo numa faculdade sabe exatamente o que está fazendo. E sabe que estupro é crime de caráter doloso.

Publicado em:  on Novembro 16, 2009 at 2:16 am Deixe um comentário
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Sobre carência e armadilhas

hand_in_hand_bUma amiga que também não teve pai presente fez uma analogia muito interessante este final de semana. Falávamos sobre os tipos de ex por que já passamos e sua justificativa me intrigou. Perguntávamos-nos o que ela via num determinado cara que namorou por mais de ano. Ele não tinha absolutamente nada a ver com ela. Era anti-social, mais velho, nem de longe era simpático. Ela contra-argumentou: -“é carência paterna, amiga. Freud explica.”

                              Ele era anti-social, ok. Mas a buscava na aula. Não gostava de nada do que ela gostava contudo  fazia sanduíches e sucos e os colocava escondido na bolsa dela para que tivesse uma surpresa no intervalo do trabalho. Não era simpático com suas amigas porém passava horas com ela, dispensava-lhe atenção. Não havia um “hoje não vai dar”. Sempre podia. Sempre dava. Mesmo depois dum dia inteiro de trabalho. A qualquer hora valia dirigir até a cidade da moça para vê-la. Foi um escroque quando ela mais precisou, mesmo assim, ele lhe dava atenção.

                               Logo eu, que finalmente me resolvi com a tal carência paterna, admito, também já caí nessas armadilhas. A do buscar na faculdade é a mais clássica. Meu pai jamais me levou ou me buscou na aula. Putz, ver um cara me esperando na frente da minha sala não poderia me deixar mais feliz. Era como ver Deus! O que me importava se o relacionamento não tinha futuro? Ele me buscava na facul. Ou as vezes que chegava na casa dum determinado ficante e via por lá uma coca zero. Eu sabia que era pra mim. Eu sabia que pensava em mim mesmo quando ausente.

                            Ou os presentinhos…ah, os presentinhos! Ele lembra que tu comentou, de modo trivial, o término da tua destaca-texto verde e leva uma no outro dia. Ou te dá um livro que encontrou num sebo por cinco reais só porque um dia mencionou, por cima, que gostaria de lê-lo. Surpresas acabam sempre por comover. Seja as carentes de pai, como eu e essa amiga, ou qualquer mulher.

                           As armadilhas mais engraçadas: ele era um crápula mas me pegou no colo. Outro, apesar de estar prestes a se formar, nunca tinha lido um livro na vida todavia aprendeu todos os números de roupa, sapato, lingerie, minha cor favorita e nunca, jamais errou um presente. Um deles desligava o celular todos os fins de semana entretanto passou meu blazer e ajeitava detalhes nos meus figurinos antes de sairmos.  Outro fulano era um nada na cama contudo cozinhava pra mim. Outro era noivo mas me buscava na facul. E eu só aprendi a dizer não para as migalhas há pouco. Recém é o segundo relacionamento que termino sem intenção do dito-cujo querer uma volta.

                                     Pelo menos agora, depois de tempo passado, eu sei o que quero [e minha amiga também, se bem que ela já conseguiu]: não quero arrebatamentos ou eu te amo no primeiro mês. Quero evolução gradual [não lenta]. Quero que o interesse não diminua nem hostilidade depois de pouco mais de vinte orgasmos. Mas também mereço todas aquelas pequenas lembranças…juntas…numa pessoa só. E sem compensações.

 

                      Trilha sonora? Djavan- Linha do Equador “se eu tivesse mais alma pra dar eu daria…”

Publicado em:  on Novembro 11, 2009 at 2:46 am Comentários (3)
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Feminina. Frágil não.

aaSimone de Beauvoir, filósofa francesa, já afirmou: “Não se nasce mulher, torna-se.” Dei meu último passo rumo à minha transformação e nem notei. Não foi só a descoberta da sombra 3D,  as visitas freqüentes ao salão de beleza ou o cuidado com o estilo das roupas. Discreta e sensual. O jogo de toda mulher irresistível. Dominar os segredos do mundo feminino não é, nem de longe, o mais importante.

                                   Dondoca está completamente out. Perua, então, enjoou faz tempo. A grande sacada de ser uma mulher no milênio em que elas dominam é ter mandado o príncipe encantado encantar em outra freguesia e ser independente. Desde pequenas, ouvimos os contos de fada e os brinquedinhos de menina que confundem feminilidade com dulcilidade. Talvez eu não quisesse ter ganho bonecas. Teria tirado mais proveito de esportes ou jogos educativos. Mas tinha pilhas das queridas. Pelo menos nos bebês de borracha não exageraram. Nunca tive o mínimo talento materno.

                                   Me faltou na infância subir em árvore, andar de bicicleta na rua, o tão sonhado banco imobiliário, ser mais moleque. Contudo, certamente não me faltaram bonecas. Não me faltaram contos de fadas em que a alienada e meiga princesa é salva por um príncipe saído Deus sabe daonde pra lhe dar um beijo e mudar a vida enfadonha da coitada. De quebra, enfiando um “felizes para sempre” na historinha.

                                   Por que um homem terá de salvá-la do seu mundo cruel ou dela mesma? Por que a Cinderela não podia se livrar da madrasta por si só? Por que não uma transformação,um surto ou uma metamorfose como toda mulher passa tantas vezes na vida? Aliás, por que o cavalo branco não era montado por ela? Por que raios essa necessidade estigmatizada de um homem na vida duma mulher? Ela não pode simplesmente gostar dele e curtir sua companhia sem que precise dele? Ou ter de casar e cozinhar pra ele? Ou esperar que ele pague suas contas?

                                  Eu me dei conta disso quando alguém achou incrível eu pagar minhas despesas numa loja de conveniências apesar de acompanhada. Não tem nada de especial nisso, é justo. Um ou outro evento, vá lá. Um primeiro encontro, uma data comemorativa de ambos, ok. Sempre? Abuso quando ambos trabalham. Era sanduíche e suco e era meu. Nada mais natural que eu pagasse.

                                    Não queimaram-se sutiãs nos anos 60 pela tão aclamada emancipação da mulher da condição inferior a dos homens? Adoramos dizer que somos livres de dogmas do mundo medieval que tratava mulher como propriedade. Bradamos que agora decidimos tudo por nós mesmas: com quem andar, a que horas voltar, com quem dormir [ou não dormir e só transar mesmo]. Ou se perpetuaremos ou não a espécie. Então que paguemos nossas contas. Afinal, quem não tem autonomia econômica, não tem autonomia política.

                                                  Confesso, não pensei assim sempre. Até descobrir o prazer da independência. O comprar sem pedir. O pagar o quanto achar que devo por alguma coisa que deseje. Só eu sei o quanto posso ou devo gastar em algo. O não depender de alguém. E creia, foi esse o meu último passo rumo a ser a mulher que sempre quis. Sim, eu pago as minhas despesas. Me dê presentes. Me dê carinho. Me leve o tão prometido café na cama. Não me banque. Quero ser amada, não tutelada. Me faça flutuar. Não me escore.

Publicado em:  on Novembro 3, 2009 at 8:30 pm Comentários (1)
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Detalhes…

the_kiss_that_missed_bAté você chegar eu não notava o quanto me sentia só

 Ou o quanto estava sem brilho

 Até sua chegada, de dedos rápidos e sorriso leve, eu não tinha motivos para rir sem motivo

Companhia de longas madrugadas

 de rir de si mesmo

 Sagaz o suficiente para conhecer meu riso de canto [esquerdo]

Especial o bastante pra me fazer sentir saudade.

Publicado em:  on Outubro 22, 2009 at 5:54 pm Comentários (1)
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Simples assim…melhor

and_now_she_is_five_bPoucas vezes vi tamanho susto no seu olhar como quando eu afirmei não ser apaixonada por você. Os cafés esfriaram nas xícaras. As gôndolas perderam o colorido dos rótulos da sua geléia favorita. A cena parou por instantes. Não era cena. Eu, definitivamente, não sou apaixonada por você.

                            É um pouco maior. Não há a inconstância de uma paixão. Não há desespero. Ninguém se sufoca. Não existe sofrimento. Agonia. Pressa. Eu não preciso de você. Eu quero você. Não porque você me completa. Porque me acrescenta. Me faz melhor. Eu quero teu olhar por perto. Teus dedos passeando pelo meu corpo. Teu cheiro no meu travesseiro. Quero nossas conversas regadas a café ou a edredon. Quero tardes de sol e noites de chuva com você.

                       As vezes você acredita que não pressioná-lo é uma tática para mantê-lo próximo. Ledo engano. É um aprendizado constante: curtir o dia-a-dia. Cada evolução. Conhecer teus gostos. Teus trejeitos. O que cada franzida de testa quer dizer. Não é prender. É crescer. É a primeira vez que o tempo se torna meu aliado. Eu não me preocupo com ele. Ele não se preocupa comigo. Ele me deixa viver aos poucos. Eu o deixo passar sem atropelamentos.

                          Sempre precisei de atos grandiosos. Eu queria chuva de pétalas de rosas e EU TE AMO em out-doors espalhados pela cidade. Ah, claro, tudo isso em, no máximo, uma semana. E assim como começava o encanto, desfazia-se no ar. Na terceira semana, afinal, já uma eternidade para a intensa relação, eu olhava a pobre criatura [mais tola que eu] e pensava: o que mesmo eu vi nesse próximo? Simples, não tinha visto nada. Tinha projetado carências. Nem me interessava exatamente quem fosse. Contanto que me amasse. E assim eu sumia. Acabando com os planos vitalícios já arquitetados em conjunto com a vítima. Inventava uma desculpa bem esfarrapada [ou nem isso] e desaparecia. Ansiava pela paixão [avassaladora] e não pelo amante. Me perdoem os corações que parti. O meu estava em pedaços.

                             Paixão subentende turbulências. Exageros. E exatamente por isso não estou apaixonada. É um pouco melhor. É como desligar o celular. Um não se preocupar com o depois. Um “foda-se o resto” quando estamos juntos. Não apressar nada. Nem mesmo por uma definição do que vivemos. Sem nomes. Sem pressão ou intenções. Nenhuma projeção. Eu enxergo você. Você me enxerga. E eu gosto muito de você agora. Melhor que paixão. Melhor que planos de pra sempre. Simples assim.

Publicado em:  on Outubro 17, 2009 at 7:39 pm Comentários (1)
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Te resolve, Fernandinha!

joana prado 8Deu. Cansei de ler as farpas da Fernanda Young sobre as capas da Playboy. Já está me soando dum recalque exacerbado. Ok, ela não faz parte do grupo das gostosas que estamparam a publicação nos últimos anos, mas por que razão afinal aceitou o convite pra posar? Sim, aceitou e agora brada aos quatro ventos que nenhuma capa anterior tem dez livros publicados e que vai fazer fotos de bom gosto.

Olha, acho difícil esquálida daquele jeito dar um ensaio que preste. Mas cada uma no seu terreno. Com certeza a Priscila do BBB –maior vendagem de 2009 até então- não tem a pretensão de ser uma romancista ficcional nem dar pitaco na cena literária brasileira. Qual a exata intenção de criticar as modelos voluptuosas das páginas da revista masculina mais vendida no país?

                           A mulher brasileira é, reconhecidamente, mais curvilínea. Que a dona Young está fora dos padrões,  nem se discute. Agora ela pagar de superior só porque tem alguns livros escritos, me desculpe, pega mal. Sobretudo quando a intenção é posar para a Playboy e não dar uma entrevista para a Bravo!. Primeiro, se a moça estivesse tão satisfeita consigo mesma não iria querer se enfiar num terreno que, nem de longe, foi feito pra ela. Não iria precisar provar  a ninguém que é mais sensual que as siliconadas tão em voga atualmente.

                             Posar para a Playboy, no caso dela, virou instrumento de auto-afirmação. Para as outras não, faziam pela fama e pelo dinheiro. Mais digno. Young vai posar para resolver seus complexos. Até Marília Gabriela já afirmou que chega uma hora em que a mulher não que ser chamada de inteligente, mas de gostosa.

                                Chegou a vez de Young, com um biotipo muito mais adequado a um editorial de moda, ser chamada de gostosa. Se ela é casada, deve estar faltando o marido mimá-la com o verbete que dez entre dez mulheres amam ouvir na cama: “gostosa”! Feliz dela que, na falta dum amante observador e sagaz, pode curar as inseguranças posando pra Playboy. A maioria fica encanada com seus grilos e medos sentindo-se inferior dentro de si mesma. Mas depois de todas essas farpas largadas de graça, se essa revista não vender mais que a da Joana Prado- até hoje recorde imbatível de vendagem no país- vai ficar muito feio para a intelectualizadíssima Fernanda Young.

                                 Sinceramente, Martha Medeiros é uma grande escritora e nunca precisou destilar veneno contra biótipos de revista masculina. Marília Gabriela, da mesma maneira. Maitê Proença. E são todas mulheres absolutamente sensuais apesar de cultas. Já que, segundo Fernanda, uma coisa há de ser dissociada da outra.

                                    Fernandinha, quer resolver teus grilos, bota um silicone, troca de marido, experimente sexo com alguém que fale em você durante a transa. Com um cara que te enxergue. Mas por favor, poupa meus olhinhos de tanta besteira. Te resolve, querida, cada macaco no seu galho. Afinal, tanta crítica ácida e gratuita só pode ser duas coisas: ou você é exatamente igual àquilo que critica ou gostaria de ser. No caso, ficamos com a segunda opção.

Publicado em:  on Outubro 9, 2009 at 2:44 am Comentários (2)
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Eduardo e Mônica

whats_that_then_bHoje reencontrei uma amiga que não via há meses e tive de desfazer uma das suas ilusões[foi mais forte do que eu!]. Há algum tempo, depois do término do meu antigo relacionamento, quando ela o viu com outra pessoa, me disse algo que carrego até hoje. Chegou, chocada, na minha casa e esbravejou: “-meu, quando eu vi ele com aquela moça [ok, não foi bem moça o termo usado na ocasião, confesso] me caiu a ficha: vocês realmente terminaram. Não tem volta.”

                    Na verdade, ela e quase todos os mais próximos não acreditam até hoje no término. Têm uma esperança, ainda que remota, duma reconciliação. Porque terminamos amigos. O amor homem-mulher [Eros] mudou. Continuou sendo amor [Ágape] mas agora Philos. Amor de irmão, de cúmplice. Amor que continua a proteger. Amor que se alimenta da felicidade do outro.

                      Tenho uma lembrança viva da expressão dela enquanto falava sobre a ficha cair. A decepção era visível naquele rosto que já havia sofrido um divórcio e tinha voltado a acreditar no amor olhando pra mim. Ela lamentava: -“Meu deus, se vocês terminaram é porque nada mais nesse mundo foi feito pra durar. É como se Eduardo e Mônica tivessem pedido o divórcio.”  

                  Então hoje, enquanto tomávamos um chope e falávamos sobre relacionamentos, tive de contar o que calei naquele dia: -“amiga, Eduardo e Mônica se divorciaram em meados dos anos 90.” Cortou o meu coração decepcioná-la novamente. Neste momento, ela brada: -“mas nenhum  casamento mais dá certo. Que horror!”

                   Discordo. O que é dar certo? Durar infinitamente ou ser bom para ambas as partes? Se dar certo é ser eterno, dificilmente vai-se encontrar algum mesmo. Ou vai achar mulheres carregando como estandarte o lema: “não sou feliz mas sou casada”. Entretanto, se “dar certo” for ficar junto enquanto for bom para os dois. Enquanto se fizerem felizes. Enquanto houver amor o suficiente [e respeito] para serem amigos confidentes, parceiros, então creia, o meu quase casamento deu [e muito] certo! Vinícius estava coberto de razão : “ que não seja imortal, posto que é chama mas que seja infinito enquanto dure”.

Publicado em:  on Setembro 28, 2009 at 6:14 am Comentários (1)

Pequenos mimos merecidíssimos

maquiagem-personalidade-1Sexta-feira ouvi, acidamente, um comentário péssimo a meu respeito. Em meio a uma situação desagradabilíssima, fui chamada de “uma mulher de hábitos caros”. A pessoa em questão referia-se às minhas compras no mercado na semana anterior. Havia-me encontrado na fila do caixa e identificado [indiscretamente] na minha cestinha pão integral light, torradas, patês de salmão rosa, de queijo com salmão e de ervas finas com azeitona roxa. Além, é claro, de uma lata de Capuccino.

                      O comentário me soou recalque do autor mas retificando: não, não sou uma mulher de hábitos caros. Sou sim uma mulher solteira, sozinha, independente. Trabalho oito horas por dia, assisto a aulas mais quatro e passo meu tempo livre lendo, cuidando de questões práticas do dia-a-dia ou num ônibus intermunicipal em direção à faculdade. Fora as noites em claro estudando [bendito capuccino!]. Não tenho filhos. Não tenho com quem me preocupar além de mim mesma. Por isso as regalias com que me presenteio. Sou a pessoa mais importante da minha vida [ah, as vantagens da "single-life"].

                                       Não é luxo não. São pequenos mimos permitidos ainda que com um salário bem longe do dos meus sonhos. Como diria a Ju: regalias fornecidas mesmo “sem um pinto pra dar água”. Não há como comparar minhas compras com as de colegas de trabalho pai de três filhos, esposa assistindo a “vale a pena ver de novo” em casa e prestação de carro para pagar.

                                   Tenho simplesmente de me preocupar comigo e, sobretudo, me recompensar pelo meu dia-a-dia atribulado em que consigo me sair bem em todas as minhas funções. Ótima aluna, boa profissional, dona-de-casa suficientemente zelosa, e ainda acho tempo para ser amante compreensiva, lasciva, bem-humorada. Leitora ávida, escritora em fase de aprendizagem…

                                        Por todos os papéis que desempenho [maquiada e de salto], havia pouca coisa naquela cestinha. Eu mereço Champagne, meu bem. Uma garrafa borbulhante em plena terça-feira enfadonha para me congratular por quem sou. Não sou uma mulher de hábitos caros. Sou simplesmente uma mulher que reconhece o próprio valor.

Publicado em:  on Setembro 21, 2009 at 12:53 am Comentários (1)
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Srta. Cultura em momento de síncope

do_you_want_me_to_look_up_bHoje, lendo o Blog da Atlântida Santa Maria, me peguei chorando. Sabe aquele choro em que se faz beicinho e solta um “eu quero!”?  Raiva, inveja, frustração. Li um post da semana retrasada. Noite de 4 de setembro. Os Titãs fariam show por lá. Puuutz, lembrei de cada vez a que os assisti quando era adolescente. Aliás, tantas bandas bacanas eu vi por terras santamarienses.

 

                                Acho que o choro foi tristeza. Pensei direitinho. Faz anos que não vou a um show de rock nacional. Anos. Simplesmente porque moro em Balneário Camboriú. O paraíso da música eletrônica, do sertanejo Universitário mas MPB e rock brazuca que é bom, nem sombra.

 

                                    Olha, nada contra a cidade, afinal, eu moro, trabalho e estudo por aqui. Coisa inviável em Santa Maria. [Tudo que a gente faz -ou se obriga- por um grande plano]. Mas confesso, é muito estranho às vezes. Mesmo há quatro anos vivendo como catarinense, não me acostumo. Não me acostumo à falta de cultura.

 

                                      Não me acostumo à escassez de livrarias. Gente, eu amo Livrarias! Passar tardes lendo trechos e flertando com grandes autores por estantes… Totalmente navegação de pilhagem… Por aqui, além de poucas Livrarias, a pouca variedade de títulos é deprimente. Se descrever a minha odisséia esta semana para comprar um livro finalista do Prêmio Jabuti 2009, ninguém acredita.

 

                                 Não me acostumo a não ir a shows bacanas. Pra cá só vem Vitor e Leo e cia. Não me acostumo com o preço extorsivo do Cinema. Não me acostumo sem as Feiras do Livro. Os cafés. As conversas em mesa de bar tocando música ao vivo [isso é muito raro por aqui]. Sempre aportam em BC djs famosos, aquela coisa toda que me soa reunião de drogados apenas. Só tomando bala pra agüentar aquele som repetitivo e intermitente martelando uma noite inteira na cabeça. Fora que parece o mesmo cd tocando por horas incontáveis.

 

                                Não me acostumo a caminhar por corredores de locadoras abarrotadas de DVDs e não achar sequer um Ettore Scolla, um Fellini…[um, só unzinho, por favor!] Não me acostumo  a não ouvir um Fito Paez no rádio, aleatoriamente.

 

                           Não me acostumo a não ter um jornal diário decente produzido no Vale para ler de manhã. Pelo menos, sem erros crassos de Português e sangue escorrendo pelo canto da página. Não me acostumo a não ter uma rádio de notícias locais sem comentários carregados de politicagem barata. Não me acostumo com ignorância.

 

               Me chame de bairrista, mas me desculpe, me criei na “Cidade Cultura”. Acho tudo isso violentamente patético.

 

                           Tudo tem dois lados. E este é o lado B da Disney catarinense. O RS também tem seu lado B contudo, a visão é turva quando se está longe. A saudade embaça. Que fique bem claro: este não é apenas mais um dos meus textos carregados de bairrismo. Tem muitas cidades menores que têm uma vida cultural mais interessante que BC.

 

                               Como cantaria Humberto Gessinger “um fim de semana em outro mundo pode ser a salvação…só se for contigo, só contigo duas noites no deserto”. Pri, te encontro numa Porto muito Alegre no próximo feriado. Rola? Me responda com “Pinhal”

Publicado em:  on Setembro 18, 2009 at 3:59 pm Comentários (3)
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