Primeiro encontro ideal

Estava lendo o profile do Orkut e me lembrei dessa pérola: descrever o primeiro encontro ideal. Quando respondi o meu há uns dois anos, dei uma “volta’ na pergunta e acabei não especificando, hoje, depois de tantos “primeiros encontros reais” resolvi ser taxativa. Entretanto, o espaço da descrição é muito pequeno, e meu primeiro encontro ideal deveria ser listado a partir de coisas a não aparecerem nele, mais ou menos assim:

                              Primeiro encontro ideal: sem cigarros, sem excesso de álcool [alguém precisa me levar em casa], sem drogas de nenhum tipo, sem regatas, bermudas, camiseta de time de futebol, boné [a partir dos quatorze anos], correntes exageradas. Ah, por favor, sem convite para rave, sem carro rebaixado e som muito alto, sem comentários a respeito de livros de auto-ajuda ou “o caçador de pipas”. Sem pelos saindo da camiseta ou do ouvido, por favor. Sem babação em filhos [odeio, se tem filho, azar é o teu, não tenho nada a ver com isso!]

                                  Ah, claro, é imprescindível também que: não seja nanico limitando o tamanho dos meus saltos, não discuta religião, aliás, não citar religião seria ótimo. Por nada no mundo use all star, fale de carros, de marcas de roupas, de toda e qualquer superficialidade. Elimine as gírias de favela e de TV do vocabulário, o cabelo comprido e tênis “estilo trator”. Ao ser questionado pelo garçom se também quer uma cerveja não responda: – me traz um suco e em seguida comente: -“cortei a cerveja, dá barriga.”

                                 Não seja bombado e alugue meus ouvidinhos enumerando os aparelhos em que tem se exercitado na academia e os suplementos ingeridos. Normalmente, esse tipo de cara só sabe contar até vinte [o número de repetições de cada série de exercícios na musculação]. Não use camiseta pólo cor-de-rosa, pelo amor de Deus! Não se olhe mais no espelho que eu. Não me confesse integrar algum fã-clube, torcida organizada ou possuir uma fantasia de personagem de TV.

                                            Importantíssimo: em BC isso é impossível de se encontrar mas não tente se mostrar com dinheiro, é desagradável. Não faça pose, as melhores coisas da vida a gente faz despenteado e suando! Não tente parecer entendido [isso é entediante]. Não fale de ex [nem mal, nem bem], ajuda bastante. Não tenha mãe controladora [do tipo que liga pra saber onde o filhote se meteu até tão tarde]. Evite falar de esportes [futebol então, vete!]. Não passe mais tempo se arrumando que eu, não use camiseta de bandas, nem aquelas cretinas vendidas na praia. Nunca me chame de “mina” ou de Bru forçando uma intimidade a qual, a partir dessas formas de tratamento, jamais será atingida.

                          Não cheque o celular a cada dois minutos, não me conte seus dramas, não tente cantarolar alguma música infame pra mim. Não comente sobre filmes de terror ou use camisetas com qualquer tipo de brilho. Se o encontro for durante o dia, por favor, não use óculos de sol com armação branca, nada mais cafona!

                           Considerações acerca de calça jeans masculina para adultos: cuecas ficam abaixo e não acima do cós da mesma. O tamanho da calça há de ser condizente com o tamanho da criatura: nem maior, caindo e parecendo um pára-quedas nem agarrada levantando hipóteses de assalto ao armário da irmã mais nova.

               Não tente me mostrar piercings em locais não convencionais, é bizarro! Algumas tatuagens em partes estratégicas são bacanas, parecer um gibi é nojento. Não me dê uma daquelas rosas vendidas em baldes na noite. E se, por acaso, sobreviver ao primeiro encontro, não me mande torpedos dizendo estar com saLdades. Quando me deparo com tamanho assassinato, penso que a pobre criaturinha deveria ter as tais saLdades do Mobral e não de mim.

Publicado em:  on janeiro 31, 2010 at 6:56 pm Comentários (3)
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Onze regras

Acho a vida de solteira [livre, leve, solta e linda] tão divertida que inventei regras para não me apaixonar. Uma delas plagiei dum filme americano cujo nome não me recordo mas as outras todas desenvolvi por mim mesma na tentativa de não mais me envolver. A primeira regra? -Jamais sair com a mesma pessoa por dois dias consecutivos.

                                             A segunda é não conhecer os pais ou a família da criatura nem por decreto. A terceira é nunca, jamais, em hipótese nenhuma dormir de conchinha [creiam, isso é uma grande armadilha] nem mesmo em noites muito frias. Uma hipotermia me parece mais atraente que uma paixão começando.

                                      A quarta é, somente, uma extensão da terceira: nunca levá-lo para dormir na minha casa. Na minha cama, só eu, meu note e os meus travesseiros. Afinal, eu poderia me pegar farejando um canto do lençol impregnado pelo cheiro dele [e então seria tarde demais]. Quinta regra: apagar todos os torpedos, e-mails, conversas de MSN ou qualquer tipo de “rastro” que possa ser repassado pelos meus dedos bobos e emotivos. Torpedo lido e apagado, até os horários das ligações são deletados para essa minha cabecinha louca não fantasiar “se ele pensa em mim, eu bem poderia dar uma chance” [sem oportunidade para o azar].

                              Sexta regra: não ir ao supermercado junto. Não achava importante essa regra até que a minha amiga Páza sentenciou: ir ao mercado e conversar coisas de casa com a criatura já é relacionamento, e do sério. Bem, então me deixe só, com a minha cestinha abarrotada de artigos zero, light, diet…

                               Sétima regra: em essência, extensão da quarta; não levá-lo à minha casa nem se estiver apertadíssimo precisando de um banheiro. Invento qualquer desculpa: o apartamento está sendo dedetizado, a descarga estragou, a guria que mora comigo é anti-social, sei lá, tudo para mantê-lo longe da minha porta.

                                Oitava regra: não me prender a um belo sorriso por mais de dois segundos. Mesmo hipnotizada por um daqueles “dias de sol” que às vezes nascem no rosto deles, conto mentalmente e desvio o olhar. Admito, meu fraco são sorrisos. Nona regra: fugir de abraços demorados. Longos abraços, em que me sinto aconchegada, também descobri serem perigosos para a minha solteirice. Já inventei até cãibra no pescoço para escapar de um desses.

                              Décima regra: a hora de fugir. Bem, é hora de sumir como fumaça quando me flagro ouvindo uma música já batida do meu case e mentalizando alguma particularidade dele. Essa semana, me peguei pensando no querido da vez me oferecendo chocolate branco [o único tipo de que não gosto] enquanto ouvia Maria Gadu cantando “mas a gente no quarto sente o gosto bom que o oposto tem”…

                               Décima primeira regra: não escrever a respeito dele. Escrever é, de certa forma, segurar por mais tempo um momento já vivido e, por conseqüência, prender-se a detalhes despercebidos até então.  Putz, acabei de quebrar a décima primeira explicando a décima… na verdade, as regras não são uma garantia. Segui quase todas e ainda assim sinto um certo cheirinho conhecido de afeto nascendo no ar… hora de fugir para manter a solteirice como estilo de vida. Maldita mania humana de apego!

Publicado em:  on janeiro 17, 2010 at 3:26 pm Comentários (1)
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Balanço 2009

                     Faltam poucas horas para terminar 2009 e fiz [ociosamente] meu balanço do ano mais longo da minha vida até então. A sensação é de que vivi dez anos em um só. Saio de 2009 com uma gama de experiências novas e, se estas não me fizeram melhor, pelo menos aumentaram minha visão do mundo.

                        2009 em números foram três empregos, três internações hospitalares, incontáveis remédios, uma paixão, trocentos fogos de palha, um namoro relâmpago [e sem desfecho]. Uma amiga que virou irmã, que virou inimiga por trás e voltou a ser a melhor amiga do mundo. Algumas viagens, inúmeros baldinhos de cerveja na Uai, mais textos postados e 59 livros terminados até o momento [confesso, estou tentando fechar 60 nas próximas horas]. 2009 foi ganho e perda de grana com gente que não merecia.

                  2009 foi descoberta de mim mesma na cerveja gelada no canto dum determinado bar. E me trouxe festas inesquecíveis, trouxe chimarrão na praia. 2009 foram os meus melhores sorrisos e minhas maiores gargalhadas, além duma certa adolescência tardia aliada ao charme dos meus 2.5. 2009 foi porres homéricos, e neles, emoção à flor da pele…a dama de ferro se rendia e dançava, ainda que não achasse exatamente o tom da música no início. 2009 me tirou a pose e aumentou minhas alegrias.

          2009 foi mais paz que o normal, mais palavrões que de costume…uma fila que não corre, voa! 2009 me deixou mais esperta, mais desperta, e menos decidida em relação ao meu futuro. Entretanto, me fez viver melhor meu presente.

           2009 foi uma leitora assídua: Ju, obrigada pelos comentários sempre deliciosos! E com uma postura diferente em relação à vida, mais senhora das minha ações e menos vítima das circunstâncias.

         De 2010, eu só espero desejar fervorosamente tudo e qualquer coisa que me faça melhor. E de resto, bom, ninguém é feliz vivendo de resto… ah, claro, e desejo mais uma centena de baldinhos de cerveja gelada com a Angelica!!!

P.S.: aos meus leitores, desejo que em 2010 vocês desejem, porque não são as nossas teorias que nos fazem seguir em frente, é a nossa vontade de seguir a diante e realizar nossos planos.

Publicado em:  on dezembro 31, 2009 at 10:06 pm Comentários (1)
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Esmola emocional

“E amar o inóspito, o cru”, essa frase do Drummond, pra mim, é uma das coisas mais primorosas já escritas em língua portuguesa. Quantas formas a gente tem de amar e insiste em amar o fácil, o que se revela rápido. Homens adoram mulheres frágeis, mulheres amam homens que lhe despertem o espírito materno.  Simplesmente por necessidade de se sentirem indispensáveis.

                      Ele a ama porque sabe que se terminar com ela, ela é capaz de anular o resto do dia ou da semana chorando trancada num quarto escuro. Ela o ama porque tem plena certeza de que ninguém fará aquela omelete pra ele. Quanta tolice! Há tempos prego o amor sem a necessidade. O “eu te amo mas se você não ficar comigo, a minha vida não vai acabar e nem eu vou chorar mais que uma manhã por causa disso.” Tenho buscado o amor sem rugas. Sem estresse, sem me criar rugas, por favor! E creia: esse amor ninguém está muito disposto a me dar porque se sente aconchegado mas não indispensável do meu lado. Afinal, eu amo embora não venere.

                 Eu me entrego [e como!] cada vez que sou acometida de paixão. Entretanto, a pessoa mais importante da minha vida ainda serei eu sempre. Estão todos esperando um amor à laTitanic, com aquela deixazinha brega como calcinha bege: “você me salvou de todas as maneiras que alguém pode ser salvo”.

                          Por causa dessa necessidade visceral de ser salvo, para onde olho, vejo relações doentias. E nelas, as pessoas se sujeitam a viver somente do que recebem do parceiro. “Ele é um inseguro com o tamanho do dote e me tortura por isso mas me trata bem”, “ele faz xixi de pé no meu banheiro e apesar de me namorar há dois anos jamais cogitou  a hipótese de me apresentar à família mas diz que me ama”. Pelo amor de Deus, o nome disso é esmola emocional. Quem acha desculpas para os erros dos outros e tenta fingir que vive um mar de rosas, que me perdoe, definitivamente está doente e o nome disso é dependência.

                         No fundo, o que essas pessoas têm é uma baixa expectativa em relação a si mesmas. No íntimo, quando ninguém está olhando, elas pensam “não é tudo o que eu queria porém é o melhor que posso ter”. Eu tenho pavor dessas relações simbióticas e parasitárias. E a minha teoria é simples, elas só existem porque insistimos em amar o frágil para nos sentirmos importantes.

                         Amar o forte, o destemido [ou a forte e destemida] é milhares de vezes mais difícil entretanto, certamente, a que se impõe e não se humilha por migalhas, vai te amar pelo que você é e não porque você tem aquilo que lhe falta. Indubitavelmente, é mais difícil amar este tipo de pessoa, “o inóspito, o cru” contudo, é mais fascinante e muito mais recompensador.

 P.S: e se for para ter esse tipo miserável de relação, quero continuar solteira em 2010.

Publicado em:  on dezembro 28, 2009 at 11:53 pm Comentários (1)
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Auto-retrato…

 [Re] Lendo um “quem sou eu” da Marthinha, resolvi fazer o meu. Afinal, estamos sempre preocupados com quem somos e, no fim, nossa identidade é construída em cima de nossos gostos particulares. Sou nada mais que minhas preferências no que tange ler, ouvir, comer, vestir, fazer…

                      Sou praia enquanto amanhece. Sou cafés e livrarias. Sou apartamento. Sou austeridade com vizinhos. Sou poesia sempre. Sou crônicas e grandes reportagens. Sou vaidade exacerbada, meu pecado favorito. Sou homens de 30 com camisa de listras verticais e gola bem passada.

              Sou unhas longas e de tons fortes. Sou calcinha pequena. Sutiãs sem renda. Sou decotes generosos e vestidos monocromáticos. Sou dormir até o meio-dia. Sou madrugada, dias de sol e noites de lua imensa. Sou primavera e céu Monet. Sou estrada a qualquer momento e caminhadas no fim da tarde. Sou saudade da minha irmã.

             Sou caipirinha de saquê. Vinho branco gelado. Coca zero. Green tea spree. Sou sorvete de abacaxi à francesa. Sou gostos herdados do meu pai: salame, azeitona, carnes mal passadas. Sou pimentas e temperos marcados. Sou mussarela derretendo e expresso com leite. Sou as saladas da minha mãe. Sou danoninho. Sou sushi só depois da balada. E o “arroz de china” da gringa. Sabores doces ou picantes. Sou cachorro-quente mais que pizza. Sou xis mignon com ovo e sem maionese no RS. Sou chocolate meio amargo e uva rubi.

                  Sou longas conversas e crises de riso. Sou bem mais sorrisos que lágrimas. Sou profundidade e intensidade o tempo todo. Sou duas vidas. Duas mulheres. Sou rir de si mesma. Parceira de “indiadas” e viagens desconfortáveis. Sou viagens. Sou partidas mais do que chegadas. Sou cinema e literatura. Sou livros, muitos livros. Sou estilo fluido e vocabulário vasto. Sou citações literárias em horas específicas. Sou ar e terra. Gosto por altura.

              Sou Medeiros e Carpinejar. Rimbaud, Baudelaire, Barcellos, Brum, editoriais, García Márquez, Rubem Fonseca, Verísssimo. Sou sempre mais Homero e tragédias gregas que qualquer outra coisa. Sou “Caros amigos”, Ettore Scolla. Sophia Loren e Al Pacino. Sou Cidadão Quem, Fito Paez, Paulinho Moska, The Doors, Jack Johnson e Maria Rita. Sou MPB e rock. Nunca música eletrônica. Sou comédia stand-up. Sou Camille Claudel e Van Gogh.

                 Sou bolsas chamativas e roupas sem estampas. Saltos altíssimos, plataformas. Sou corretivo para olheiras e lápis de boca. Sou maquilagem sempre. Sou prata e brincos grandes. Sou meu anel favorito. Sou perfume doce. Baunilha e essências frutais. Sou mais frutas que flores. Sou quatro tatuagens e dois piercings. Sou descolorante e cabelo chapado. Sou cor-de-rosa e preto. Sou pele bronzeada e óculos de sol. Sou várias necessàires abarrotadas de cosméticos.

                   Sou mesa de bar. Música ao vivo. Sou palavrão e tom de voz mais alto que o normal. Sotaque gaúcho. Sou humor ácido e excesso de gestos. Sou toda excessos. Sou moto mais que carro. Sou dia de vento-norte e ressaca. Sou restaurante mais que cozinha. Sou extremos: ódio e paixão. Sou “sexo cirque Du soleil”. Sou, infinitamente, mais espanhol e francês que inglês. Sou mais charme que beleza.

                      Sou Buenos Aires mais que Rio. Sou todos os momentos com minha melhor amiga. Sou cantar de olho fechado e mão pra cima com ela em qualquer lugar. Sou micos memoráveis. Sou amigos antigos. Sou Porto Alegre. Vento Minuano. Clima seco. Sou cerveja e chimarrão com a gringa. Sem ela, não sou. Sou mais internet e menos celular. Não sou delicadezas. Sou gestos bruscos e força em demasia. Não sou crianças nem plantas. Não sou gatos. Sou cachorros e serpentes. Sou fome voraz quando nervosa. Sou explosão quando acometida de raiva.  Sou mais espaço e menos detalhes.   

                    Sou caneta e papel, sou listas do que fazer, do que comprar. Sou fascínio pelo particular. Sou tentativas de não-envolvimento. Sou cartas pelo correio. Fotos impressas. Banho demorado. Sou beijo na testa e chupão no pescoço. Abraço de corpo inteiro.

                      Sou hidratantes e quatro tipos de sabonete por banho. Sou cremes “anti-age”. Sou dropes mais que chicletes e taça mais que copo. Sou roupa com cheirinho de amaciante. Sou urbanidades e mar. Cama grande, lençol liso, edredom e travesseiro fofo. Sou ventilador mais que ar condicionado. Iluminação indireta. Sou ficar até o fim e cometer sincericídios. Sou palavras cruzadas e mp3.

                        Sobretudo, sou discrepâncias. Sou arestas e facetas que ainda me surpreendem. Sou menos planos e mais aventuras de última hora. Sou perguntas sem resposta e uma latente vontade de ir embora o tempo inteiro. Sou olhos tristes e gargalhadas sonoras, o eterno enigma da minha alma poética. Sou sorriso de canto e suspiros fundos. Sou letras mais que falas. Sou palavras mais que gestos. Pontos finais mais que vírgulas. Sou palavras. Sou pontos. Ponto final.

P.S.: e aos meus leitores, me digam quem são vocês.

Publicado em:  on dezembro 14, 2009 at 10:58 pm Comentários (1)
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Não me leia.

Poucas coisas me irritam mais que gente se enfiando na minha vida. Sobretudo no que escrevo. Gente tentando se achar no meio dos meus textos no blog. O blog é meu, os textos idem e a vida é minha e de ninguém mais.

O  espaço para confidências foi criado para me desafogar desse turbilhão de sentimentos profusos que é a minha alma. Fico absolutamente feliz que tenha leitores. Muito obrigada. Mas definitivamente, não tentem se encontrar aqui. Semana passada fui interpelada por alguém se era ele o protagonista do texto “vai passar”. Bom, foi a pergunta mais imbecil que ouvi na vida. Primeiro pela pretensão de quem o fez. Desde quando tivemos “sexo Cirque du Soleil”? Ou você teve cabelos? Ou cantou músicas de desenho animado?

                            Aos que me lêem para se encontrarem nos textos, por favor, parem agora. Jamais voltem a este espaço, por favor. É a minha alma, não tem a ver com ninguém mais. Eu escrevo para o que me desperta ódio ou paixão. Fazer com que um escritor se explique em seus insights criativos, nada mais é do que minar sua criatividade. Odeio escutar “eu ia te perguntar se é pra mim”. Bom, se o fosse, teria te mandado o link. Escritor mistura realidade e ficção.

                                “O poeta é um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente.” (Pessoa)

                                Por favor, deixe minha alma e meu espaço em paz. Quando quiser encontrar-se, escreva você mesmo, crie o seu espaço, desenvolva o seu estilo mas, por favor, não me tire o que tenho de melhor. Não me leia mais se isso for para que se encontre por aqui.

Não me faça odiar o que faço de melhor. Ou a única coisa que faço com toda a minha alma.

O espaço é meu. Jamais foi ou será nosso.

Publicado em:  on dezembro 8, 2009 at 8:29 pm Comentários (1)
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Mudança de casa

Podem me chamar de doida mas eu amo mudança de casa. Adoro o improviso do primeiro dia, coisas empilhadas em caixas e a gente usando colher porque não acha garfo, bermuda do irmão porque não acha uma calça. Adoro. É um daqueles momentos em que sinto a vida correr. Sei que é uma maneira de reorganizar. Nem me incomodo de não pôr tudo em seus lugares devidos nos primeiros dias. Vou, aos poucos, achando novos lugares para as coisas.

                       O próprio encaixotar da mobília já me anima. Ponho muita coisa fora. Aprendi que temos coisa demais e isso, inevitavelmente, torna-se inútil. É uma hora ótima para se desfazer de papéis, roupas, toalhas, final de desodorante, perfume, calcinha manchada, aquele sapato que você promete levar no sapateiro há quatro meses e deixa esquecido no fundo do armário. Passe para frente. Seja honesta, você não vai levá-lo, desfaça-se. Desapegue!

                         Carta de ex, foto do falecido, meia desparceirada, uma infinidade de quinquilharias que se carrega com a certeza do “um dia eu ainda vou precisar”, quanta inutilidade! Meninas, não guardem chave de fenda, chuveiro queimado, por favor, isso a gente paga para alguém fazer e não nos incomodamos [e essas pessoas, normalmente, têm os seus utensílios]. Roupa que não serve mais [porque está grande ou pequena demais] em alguém há de servir. Doe. Renove as energias. Abra espaço para novas peças, novos sapatos, novos amores.

                 É a circulação das coisas, o que sempre me fascinou na mudança. Jogar fora, desfazer-se, mudar de lugar, começar tudo de novo. Minha mãe nos fez passar por umas oito mudanças enquanto morávamos juntas. Sempre achei o máximo. Ela me ensinou a ser prática com as coisas. Ensinou algumas superstições também, como não levar roupa suja para a casa nova. Confesso, dessa vez vou burlar essa regrinha da família. Tenho uma montanha de peças que precisam urgentemente ver água. Faço na nova morada. Quando desfizer as malas.

Mudança de casa é uma bênção, uma chance nova, um lugar novo, novos ares. Reorganizar, livrar-se do desnecessário. Abrir espaço. Renovar. Vida que segue…

 

Publicado em:  on dezembro 1, 2009 at 7:56 am Comentários (1)
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vai passar…

[trecho de correspondência] 

Dessa história toda, eu levo um negócio: não vou deixar de me entregar nem de acreditar em ninguém porque você foi imbecil comigo. Não prometo o que não cumpro a mim mesma. Vou confiar sim, vou me entregar de novo, de novo e de novo porque se apaixonar é sempre bom. Porque a gente fica melhor quando ama. E porque quando me apaixonei por você, me apaixonei de novo por mim. [...]. Renovei todo o meu guarda-roupa, para exorcizar uma fase anterior da minha vida. Me acostumei a ir ao cabeleireiro toda semana, dei um passo rumo à reconciliação com meu pai, parei de relevar algumas coisas… Me tornei uma pessoa melhor porque te amei. Mesmo que eu tenha amado uma fraude. Porque nem de blefe eu te chamaria. Falta-te classe.

         No fim das contas, a única pessoa que perdeu foi você. Eu, bem, eu só ganhei. Fiquei feliz de novo e retomei meus antigos amigos. Pus minha vida em ordem. Porque eu estava feliz, as coisas começaram a acontecer. O emprego apareceu, o apartamento, tudo no seu lugar. Eu não me arrependo. Estou ótima, estruturada o suficiente para agüentar ver o castelinho que eu tinha construído em cima de você desmoronar. Se não tivesse te amado, eu ainda estaria enxergando a vida em preto e branco.

         Foi você quem perdeu, querido. Perdeu alguém que teve coragem o suficiente para mudar tudo por você. E não perdeu só a minha coragem ou a minha pouca cerimônia. Perdeu meu humor sagaz, minha companhia de madrugadas. Perdeu nosso sexo “Cirque Du Soleil”. Perdeu tudo que um dia eu vim a sentir por ti. Não sobrou nada. Nem ódio, nem amor. Nada. Só a impressão de que mereço explicação. Para eu saber desde quando me engana, e em que momentos minha intuição falhou. Foi cruel comigo o que  fez. Muito cruel. Mas tu sabe que eu agüento o tranco. Sou feita de uma matéria muito firme. Eu sempre me refaço.

         Hoje eu vou chorar meu luto. Porque sei que alguma coisa morreu dentro de mim. “Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente.” [marthinha]

                          Então, só por hoje, vou derramar todas as minhas lágrimas. Vou chegar ao fundo da minha dor. Vou vivê-la toda. E sofrê-la intensamente. Porque me sinto enganada, traída, e morta, de certa forma.

                           Mas amanhã, porque sempre há um amanhã, eu vou aproveitar o sol, ter um bom dia. Vou aproveitar meu segundo dia de academia [que você tanto insistiu que eu frequentasse], vou trabalhar [no emprego que tanto quis que eu arrumasse], vou tomar suco com meus amigos [dei um tempo na bebida, já que você tanto insistiu]. E, finalmente, estreiarei o vestido preto [que comprei pensando em vc]. E quem sabe, numa curva do caminho, na academia, no restaurante, na livraria, ou no mercado escolhendo peras, eu encontre o príncipe encantado… afinal, você me preparou para ele.

                          Uma pena que seus olhos não tenham sido capazes de enxergar o quão bem as mentiras que me contou me fizeram. Eu teria te amado por um bom tempo. Porque além de te amar, sentia gratidão por ti. Eu via o quanto o teu ponto de vista, de um cara [supostamente] bom-caráter podia me melhorar, e já o estava fazendo. Passou o tempo, o caráter evaporou mas eu fiquei. Mais linda do que nunca. Firme. Em pé. 

                                  Eu não vou dizer que você é igual a todos os homens. Jamais fui uma mulher de clichês. E também, não conheço todos os homens. Mas posso afirmar: você é um escroque. Reles, pífio, medíocre. Você pensa que ser cretino é uma novidade. Quando na verdade, é um truque mais velho que o mundo. Criar ilusões. Criar uma personalidade que não existe. Criar alguém melhor do que você jamais irá ser.

         Seria mais novo amar alguém de verdade, apesar dos seus defeitos, apesar de todas as diferenças de vocês. Aprender com ela e ensiná-la também. Superarem, juntos, todas as barreiras que a vida sempre impõe aos que se amam. Dançarem o destino, fazerem-se parceiros. Amar o mau humor dela quando faminta, ou o jeito que morde os lábios quando tomada de lascívia. Deixar que ela amasse seu jeito tolo de cantar músicas de desenho animado ou o seu cabelo [sempre] desgrenhado.

         Me perguntei, nas últimas horas, em meio ao pranto, quem realmente amei. Quem era você? E só agora percebi:  não importa quem eu tenha amado. Só importa que eu tenha sido suficientemente grande para amar. Eu fui maior que tudo isso. Maior do que você e suas mentiras. Porque eu amei. Ainda que não tenha sido amada. Eu amei e isso me fez melhor. Me fez flutuar, escrever, sorrir. Eu vivi a nossa história, embora, nesse exato instante, eu saiba que foi só minha.

         Você viveu? Você saiu da sua casca e viveu alguma coisa? Porque eu sempre vivi tudo, até a última gota. Eu sangrei; eu chorei; eu sofri; eu amei; eu parti corações…mas eu vivi. Enquanto você contará vantagem para seus amigos sobre suas mentiras e o quanto é bom porque sabe enganar, eu terei uma história de amor [cheia de tentativas] para contar aos meus netos, um dia. É tudo uma questão de ponto de vista. Exatamente isso me faz melhor que você. Eu não me economizo. Viver é entregar-se.

                                                                                                                      Adeus.

P.S.: Freud explica o fato de você sempre achar que eu queria ferrá-lo ou brincar com seus sentimentos [se é que os tinha]. Você estava se protegendo das suas próprias atitudes. Não, meu bem, eu não sou você. Eu sou melhor. O melhor que você poderia ter…e perdeu.

Publicado em:  on novembro 29, 2009 at 6:35 am Comentários (1)
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Aprendendo a desistir

Confesso, já fui mais perseverante. Talvez eu ainda não fosse tão sedutora. Se eu queria um determinado cara, poderiam se passar anos, eu continuava a querê-lo, até o momento de atingir meu objetivo com o mesmo. Fosse um remember, um beijo, um pedido de namoro ou só desfilar com o moço na frente das minhas amigas, eu esperava o tempo que se fizesse necessário contudo eu [quase sempre] conseguia.

                            O problema surgia quando concretizava o desejo, eu os havia desejado tanto que a pessoa já não me tinha ressonâncias humanas, mas oníricas. Eu não estava beijando o Pedro, o João, o Adalberto, eu beijava as construções do meu imaginário. E, fatalmente, depois dos lábios se desgrudarem e os olhos se abrirem, eram apenas o Pedro, o João e o Adalberto. Nada de mágico. Nem sininhos tocando, nenhum sinal dos céus, nem mesmo algum traço do super-homem que habitava meus sonhos. Eles não voavam, não recitavam algum trecho de uma tragédia grega num momento oportuno, nem mesmo sabiam se vestir na maioria das vezes.

                             Há pouco concedi a mim mesma o direito de desistir. Descobri que também pode ser uma arte. Desistir de um relacionamento que não me soe futuro; de um sapato, que apesar de lindo, tem um péssimo cômodo; desistir de uma amizade importantíssima por um ano mas pelos últimos cinco, um porre. Desistir de um emprego que me esfole viva e me pague pouco. Desistir de tudo aquilo que não precisava senão para me provar ser uma mulher de palavra, das que vai até o fim. Só me pergunto se até o fim da história ou dos meus nervos.

                                Foi com menos pesar do que imaginava, há uma hora excluí os seus contatos. Antes de fazê-lo vítima dessa minha imaginação hiperativa fazendo-o parecer um semi-deus. \o futuro disso seria: quando eu finalmente o dobrasse e satisfizesse meu desejo, ele não pareceria mais que um esboço de homem. Fiz um favor a nós dois. Excluí o contato de mensagens instantâneas, de e-mail e os números de telefone. Nada contra você, é só uma maneira de evitar frustrações. Sua porque para conquistar alguém sou uma marketeira digna de ser contratada pelo Roberto Justus. E se por acaso eu não tivesse coragem de dizer que você não era tão bom quanto nos meus sonhos, você descobriris todos os meus defeitos inconfessáveis. E evito também a minha, de notar a perda de tempo desejando alguém que não existe.

                                    Infelizmente, uma pessoa só tem uma chance comigo: a primeira. Não existe volta, remember, retorno, tempo, afastamento, seja o nome que for. Como escreveu Drummond: “o lar não mais existe/ ninguém volta ao que acabou” eu tenho um traço muito forte de vaidade na minha personalidade e ele se manifesta justamente no “eu te quero e vou te ter”…custe o tempo que custar. Enquanto isso namoro, faço festa, emagreço, engordo, desboto, me bronzeio, descubro mais uns truques de maquiagem e espero que você mude de idéia.

                                           Só tem um detalhezinho que muda o quadro: oi, eu tenho 25 anos, a minha beleza não vai durar pra sempre, estou quase me formando, já fui noiva e tenho ambições de construir um relacionamento com alguém. E mesmo que não o construa, não tenho intenção de ficar mais no modo “stand-by”. Vida que segue, meu bem. Garçom, champanhota para dois nesse momento. Se não teve no início, ok. Hoje, no final, merecemos duas taças borbulhantes. Um brinde ao momento oportuno de parar!

                                               Discordo do Carpinejar, segundo o poeta, uma faísca atrasada ainda é capaz de incendiar uma floresta inteira. Será? Se ela se atrasou, a chuva [ou o bom-senso] chegaram antes dela. Eu fiz o que estava ao meu alcance para tentar de verdade. Não deu. Que ótimo! Não te espero logo ali na frente, na próxima curva ou crise de carência. Não espero que você mude de atitude ou de idéia. Não espero que encontre tempo ou vontade de vir ao meu encontro. Não espero. Não atropelo. Só não desejo querê-lo por vaidade, perderia todo o encanto.

                                       Das coisas que continuo desejando, com toda a minha alma, não desisto do meu diploma de jornalista, de escrever um livro, de viajar pelo mundo, de alguns poucos amigos, da minha irmã e de me sentir amada.

 

P.S. ao ex-noivo: se eu nunca disse, obrigada, sem você eu jamais saberia o que é ser amada, enxergada. Você me tirou do canto, onde eu tentava me esconder e me defender do mundo e me pôs no centro do salão. Você quis casar comigo, viajar comigo, passear comigo, dançar comigo. E quando acabou, ainda me deixou no centro. Devo a nós dois continuar lá. Estonteante. Firme. Até encontrar um outro par disposto a dançar na pista e no meu ritmo.

Publicado em:  on novembro 21, 2009 at 4:43 am Comentários (3)
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Geisy Arruda e minha mãe

geisyUm dos meus maiores motivos de discussão com a minha mãe sempre foi seu machismo exacerbado. Diante de tantos comentários a respeito do vestido rosa-shocking da moça da Uniban essa semana, lembrei de algumas pérolas proferidas pela dona Neca ao longo das duas décadas em que dividimos o mesmo teto. Minha mãe, até hoje, adora dizer: -“Sim, usa uma saia desse tamanho e depois ainda vai querer reclamar se for estuprada.”

                        Passei anos da minha vida me desgastando tentando convencê-la do quão retrógradas eram suas opiniões e nada mudou. Nem mesmo quando minha irmã sofreu uma tentativa de estupro, minha mãe aliviou. Lembro dela me recriminar porque levei a caçula à delegacia prestar queixa. Segundo ela, era uma história que deveria ser mantida em sigilo, não se devia dar maiores dimensões ao “incidente”. E por séculos a fio, desde a Idade Média, em que uma mulher não era mais que uma propriedade do homem, agimos assim. Caladas mesmo que ultrajadas na nossa condição de mulher.

                          Não quero discutir aqui se o traje da Geisy era ou não adequado ao ambiente. Se não o fosse, que tivesse sido barrada na entrada da faculdade e pronto. Mas deixemos a hipocrisia de lado. Moro numa cidade de praia e minhas colegas [e admito, eu mesma] em pleno verão usamos saias curtas e shortinhos para assistirmos às aulas. O que não dá o direito de colega nenhum nos xingar ou nos desmoralizar pelos corredores da instituição. Aliás, esse tipo de vexame só acontece porque existem mães demais como a minha soltas por aí.

                              Se algum dia eu tiver filhas, certamente não as ensinarei a manter a classe diante duma construção quando os homens proferem barbaridades que não se escreve ao passarmos em frente. A coragem masculina é muito tênue. Eles só se sentem fortes quando em bando -exatamente como babuínos- para ultrajar uma mulher. E sabem que esta terá como único recurso o silêncio. Ainda que se sinta violada na situação. Foi treinada [domesticada] durante séculos a não reagir. Ser mulher é ter classe, é não descer do salto. A classe nos impõe o silêncio. Pois vou ensinar as minhas filhas que descer do salto se faz necessário em alguns momentos. E aliás, é uma arte.

                              Depois de tanto me sentir humilhada em situações similares, aprendi a dar um bom escândalo. Como diria a Verinha, a gente se sente aliviada depois de dar um escândalo. Renovada. Nada como um bom “gritedo” como se diz no RS. Quer me falar o que quer quando passeio de legging no calçadão da praia? Ok. Vai ouvir o que não quer também. Quer aproveitar uma balada apertada para passar a mão na minha bunda sem minha permissão? Isso, automaticamente, vai selar um acordo entre nós: apertarei seus testículos também -duma maneira nada agradável. Quer gritar “gostosa” em plena Av. Atlântica enquanto eu saio do bar de minissaia? Ok. Aguenta a resposta constrangedora com direito a xingar a sua mãe.

                          Lógico que nenhuma das “medidas-Bruna” resolveriam o caso Geisy. Mas certamente se mais Brunas agissem por aí, talvez os homens não se sentissem numa posição superior à da mulher. Posição esta que lhes confere o “direito divino” de agredir física –ou verbalmente- elas. Os adjetivos “puta”, “vadia” e similares que ecoaram pelos corredores da Uniban foram uma demonstração ridícula de hipocrisia e chauvinismo. Aliás, o argumento prostituição nesse caso também é descabido. Se a guria se prostitui ou não, é irrelevante.

                        Isso me lembra o caso duma menina que trabalhava como garota de programa na minha cidade e um dia levou uma surra dum cliente covarde. Quando ela tentou prestar queixa, os policiais se recusaram a aceitar porque a moça era prostituta. E o que uma coisa tem a ver com a outra? Ela ganhava por sexo, não para ser espancada. Isso quer dizer então que podemos atear fogo no cara porque ele é índio. Espancar uma coitada no ponto de ônibus porque ela é empregada doméstica. Matar a pauladas uns sujeitos que estavam dormindo na calçada porque são mendigos. O fundamento da argumentação é a mesma. O único diferencial é que na questão prostituição trazemos o velho tabu sexual a baile. E quando se fala em sexo, volta-se aos instintos primitivos.

                             Papelão maior foi da faculdade que expulsou a guria sem noção. A medida cabível era advertência por vestimenta inapropriada. Agora, para a galerinha que fez o bafafá todo, bom, pra esses, não tem desculpa, cabem sanções criminais, afinal, incitar estupro não é brincadeirinha de pré-escola. Todo mundo numa faculdade sabe exatamente o que está fazendo. E sabe que estupro é crime de caráter doloso.

Publicado em:  on novembro 16, 2009 at 2:16 am Deixe um comentário
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