O melhor cachorro do mundo

Fico aqui ouvindo ele roncar nessa contagem regressiva. Dizem que gatos sabem que são gatos e se sentem melhores que seres humanos, cães por sua vez pensam-se humanos.  Acho gatos problemáticos e cães muito superiores à espécie humana, pela humildade de se sentirem iguais a nós quando são milhares de vezes mais nobres. Sou irmã da Lindinha, a poodle, e mãe do Napoleão, o bulldog francês. Mas é o ronco do Napoleão que me faz pensar agora.

Napoleão entrou na minha vida numa noite quente de verão enquanto tomava cerveja no boteco de quase sempre. Estava possessa não lembro direito porque e acabei notando aquele cão bochechudo e enrugadinho parado a me observar.  Aliás, eu devo ser uma figura interessante para um cão, praticamente um chocalho gigante: colorida, barulhenta e sempre mexendo os braços para falar.

Tive que ir ao seu encontro, numa outra mesa.  O pai dele era um tipo alto, fumante, desleixado e metido a criticar minhas baladas. Para ficar com o cão no colo, acabei conversando com o dono. Para continuar vendo o cão, acabei ficando com o dono. Para passear com o cão, namorei o dono. Sim, no início, meu interesse era pura e simplesmente o cão.

E entendi que um não existiria na minha vida sem o outro, o dono era uma perna do cão; o cão, os dois braços do dono. E se pareciam, eram calmos, seguros, amáveis. Napoleão acabou fazendo mais parte da minha vida que qualquer outro cão, me conquistou sem se jogar para mim, exatamente como o pai. Acabaram me ganhando porque não me sufocavam. Agora Napoleão mora provisoriamente na minha casa e dorme nos meus tapetes [algumas vezes nos lençóis].  Até sábado de manhã ele será nosso, depois entregaremos a outro apaixonado por ele, vai ter espaço e amigos caninos. Espero que seja mais feliz.

Ele está com uma bandana verde abacate no pescoço e isso me lembra que gostamos de guaca mole com lingüiça, todos nós três. Viramos um casal por sua causa. Viramos uma família por sua causa, do tipo que passeia junto no calçadão da praia num domingo.

Ele sabe que alguma coisa está acontecendo pois tem estado mais grudado em mim que de costume. Pra nós, essa despedida longa é dolorida e a cada momento nos faz questionar a generosidade do ato da doação, se com ele ou conosco. Questionamo-nos se não estamos apenas nos livrando dele como de um fardo, logo ele, que nos deu tanto e nos pediu tão pouco, quase nada ou se realmente é o seu bem-estar que estamos priorizando.

Ele solta pelos, mas tem o beijo mais fofo desse mundo, se atravessa com a guia nas minhas pernas entretanto abraça melhor que gente e apesar dos pingos pelo chão, me traz tamanha paz quando dorme no meu braço que não consigo imaginar melhor cachorro.

Enquanto escrevo, ele acorda atônito com o barulho da minha xícara e digo: -dorme, meu filho, dorme e sonha com os anjinhos. E como são os anjinhos caninos? Ou será que, no fim das contas, os cães não são os verdadeiros e únicos anjos que nos guardam?

Publicado em: às agosto 18, 2011 em 10:46 pm  Comentários (5)  
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Não há vagas!

Eu não quero morar com você. E não tem nada a ver com seu jeito de organizar [ou não] as coisas, os programas de que você gosta na TV, como deita no meu tapete ou os pelos do cachorro.Não tem a ver com você não ser ele, nem a ele eu daria o direito de me roubar de mim. Tem a ver comigo.

Todos já conhecem a minha máxima: a melhor coisa que fiz na vida foi morar sozinha. Não, eu não durmo de luz apagada às vezes e tem dias que a casa está uma bagunça. Mas é a minha bagunça, o meu silêncio ou o meu estardalhaço.

E não acredito em amar sem saber realmente quem somos, sem saber para onde vamos, ou o que podemos oferecer. Quando se ama sendo um estranho para si mesmo, acabamos por dar demais de nós [ou de menos]. Estou dando uma pausa em tudo na vida, me encontrando, e estar dentro da minha casa na minha companhia é parte determinante disso. Há um ano sou completamente feliz. Não me falta nada. Como escreveu a Marthinha: “sozinha, não há céu que me rejeite.”

Morei 26 anos da minha vida com pessoas, me adaptei a elas, a seus amigos, seus horários, seus barulhos. E creio que todos os minutos que dei a essas pessoas foram jogados no lixo. Não gosto de pessoas.

Gosto do meu barulho, de acordar a hora que me der na telha no domingo, de me esparramar na minha cama, de fúria ou de silêncio quando melhor me aprouver. Gosto de limpeza e tenho horas de bagunça. A minha bagunça.

Viver com outras pessoas fez de mim menos eu mesma, fez de mim uma girafa tentando caber numa caixa de sapatos. E só quando eu souber de fato quem sou, conseguirei respeitar minhas vontades. Não estou disposta a ceder em nada, e você já deve ter percebido. Não dependo dos outros em quase nenhum sentido e abri mão de outras coisas importantes para a maioria pela liberdade de conviver comigo.

Eu não quero você e não quero ninguém. Quero conversar as vezes [quando eu quiser], tomar um porre vez ou outra, bom sexo e é isso. Não quero disputar o controle remoto ou um lado da cama. Não quero ceder. Quero me esparramar, me atirar de calcinha [a bege, ela mesma!] no meu sofá e assistir pela nonagésima vez programa de culinária de um prato que nunca vou fazer, atender telefonemas de madrugada sem pensar se vou acordar alguém. Cedi por tempo demais, agora preciso me respeitar.

Não tenho interesse em abrir mão do meu estilo de vida, que, pela primeira vez, posso chamar de meu, sem adaptações ou concessões. Um amigo disse que precisava fugir de morar só antes de  ficar anti-social. Não fugi a tempo e não me arrependo nem por um minuto. Talvez algum dia queira voltar ao mundo, por agora, deixa me embriagar de mim mesma.

Tenho muitas mulheres dentro de mim, qualquer casa em que more já estará lotada de todas as minhas faces. E pode até ser que eu só esteja perdida, mas creia, nunca estive tão bem acompanhada.

Publicado em: às agosto 13, 2011 em 1:12 am  Comentários (3)  
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De fantasias e lembranças

Ouvi tua voz essa semana

E junto ouvi todas as minhas velhas fantasias

Não fiquei trêmula

Fiquei feliz, de uma felicidade tácita

Como quem sente o cheiro dum doce da infância

E não fareja para saber daonde vem

Ouvi tua voz essa semana

Mas não quis vestir de novo aquelas fantasias

Não porque cresci

Ou porque o carnaval passou

Simplesmente porque mesmo no carnaval

Uma bola vermelha no nariz não deixa de ser decadente.

Publicado em: às julho 17, 2011 em 5:56 am  Comentários (3)  
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De vasos colados

A gente finge que está tudo bem mas não tira as pantufas

Faz de conta que está feliz e não descarta a possibilidade de sumir

E se ilude que não dói mais

Segue em frente porque a vida não pára

entretanto só não deixa de respirar porque o próprio corpo não obedece nessas horas

E anda sem olhar para trás esperando o “até que”

até que vocês se reencontrem

até que os céus desabem e ela morra

até que se volte a ser quem era

contudo não volta.

Um coração partido pode nunca sarar totalmente

a gente costura e cuida da cicatriz

e procura quem nos ajude a cuidar da gente

fecha os olhos e reza para passar logo

E passa, passa tão devagar

vai colando os pedaços

mas fica sempre parecendo aquele vaso quebrado e colado no canto da sala

que a dona cisma em manter em casa

como um mosaico de mau gosto, cheio de relevos irregulares

que ao ser tocado ressoa um barulho oco e pesado

Um péssimo negócio. Não se leva um vaso quebrado para casa.

Um dia ele cansa, explode em mil pedaços e ninguém há de conseguir juntar.

P.S.: Ah, as suas risadas e os mundos a que me remetem…

Publicado em: às maio 24, 2011 em 9:15 pm  Comentários (7)  
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Dos calos sob sandálias de salto agulha

Ninguém aqui joga com cartas marcadas

eu aprendi a fazer o melhor com as minhas cartas baixas

e tenho certeza que se você tivesse a mesma sorte

já nem estaria mais no jogo

você não chega aos meus pés

No meu lugar

ia perder de  lavada da vida

Me humilhar nao vai te fazer melhor

porque eu tenho lugar na mesa dos adultos

desde que você brincava no quintal de casa.

Publicado em: às abril 13, 2011 em 2:02 am  Comentários (3)  
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A perfeição sob a ótica dos adultos

Não sou perfeita, nunca tive essa ambição. Tenho plena consciência de que as pessoas mais interessantes que já conheci são discrepantes, ousadas e não me dão vontade de abraçá-las o tempo todo. São as arestas que tornam alguém marcante, a perfeição é nada mais que uma projeção intangível ou uma visão turva, rasa e infantil do que quer que seja. Aliás, o conceito de perfeição é pueril.

Lembra de quando você vivia [ou sobrevivia] seus tenros e inexperientes anos de adolescência? Lembra do príncipe encantado? Você sabia exatamente o que queria dele. Na minha lista, admito, constava até a textura das mãos da criatura hipotética. Ele apareceu? Se apareceu foi por algumas horas e logo desceu à condição humana ou de sapo mesmo.

Mas certamente apareceu um cara melhor do que você pode imaginar naquela época. E ele não carregava um sorriso 24h por dia no rosto mas quando o abria, iluminava tudo em volta, como se o mundo tivesse começado naquele momento.

A s pessoas só crescem quando descobrem que a perfeição é nada mais que ilusão. Nada é perfeito, ninguém é realmente perfeito. Pessoas são personagens bi, tridimensionais, serão boas e más dependendo da situação [aliás, nada mais limitado que o conceito de bom e mau]. Perfeito é fotografia com um único plano e só. Viver a vida real é admirar apesar das imperfeições. Só assim a gente cresce.

Pessoas autênticas jamais serão perfeitas ou desejarão sê-lo. A autenticidade está em aceitar-se, respeitar cada centímetro da própria personalidade. Seus amigos não são perfeitos, seus professores não são perfeitos, seus pais também não. São só pessoas e portanto não merecem apreço só pelos seus atos, destina-se afeto a alguém pelo que traz dentro de si, pelo modo como faz você se sentir.

Alguém um dia me disse que as pessoas que marcam de verdade a vida da gente vão nos decepcionar em algum momento, é a única garantia. As crianças guardarão seus brinquedos, se trancarão e irão para casa, para o seu lugar seguro, idealizar a perfeição, idealizar “Tristão e Isolda”. Contudo, os adultos saberão lidar com essa decepção assim como sabem conviver com as suas próprias arestas. Os adultos amarão na contemporaneidade, sem mitos, sem projeções, simplesmente vivendo a realidade. E amarão mais que a projeção de seus próprios valores, amarão pessoas.

Clarice Lispector escreveu “não faz sentido dividir as pessoas em boas ou más. Pessoas são apenas encantadoras ou monótonas”. Posso acrescentar que por conseqüência, não existem pessoas perfeitas. E  se você ainda as busca, por favor, volte logo ao Jardim de Infância.

Publicado em: às abril 5, 2011 em 6:35 pm  Comentários (3)  
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De tatuagens, marcas e reentrâncias

As minhas marcas, a partir de agora, escolho eu. Minha primeira tatuagem fará aniversário no mês que vem, junto comigo. Lembro que foram anos de argumentação para convencer a minha mãe a assinar a autorização [na época eu era menor de idade]. Meu melhor argumento, indubitavelmente, foi uma comparação entre as marcas de dentro e as de fora.

A gente carrega cicatrizes pela vida afora, alguém que descontou as frustrações em cima de você, outro que foi embora quando você mais precisava que ele ficasse, um namorado que te traiu, uma amizade que se desfez por bobagem, um laço que se rompeu, alguém que a vida [ou a morte] levou muito depressa e te faz falta todos os dias…

Então, quando se olha pra dentro, está tudo sulcado fundo, aparente, visível com clareza, muitas vezes, até os outros enxergam. Está lá a tua dor estampada, bordada em neon e não te foi dado nem o direito de escolher a cor, a forma ou a textura da marca. Não houve um álbum de opções das figuras a serem levadas por dentro pra sempre, nem opção de profissional a encravá-las nas minhas entranhas. Mas querendo ou não, elas estão ali, não tem roupa nem maquiagem que as esconda. São as minhas marcas, as minhas reentrâncias, minha falta de simetria.

E lá vinha a mãe dizer: – Tu vai te arrepender depois! Ok, mãe, se eu me arrepender, terei de aprender a conviver com elas como aprendi a conviver com as outras, aquelas que você não enxerga. Porque, pelo menos, essa eu pude escolher, foi marcada com o meu consentimento e meu desejo em algum momento, não uma aceitação.

Sempre desprezei a idéia de aceitar as imposições da vida. Fui criança teimosa, adolescente rebelde e, finalmente, adulta independente. Eu escolho minha rota, batendo o pé se for preciso. Torta, torta sim, porque os atalhos e as curvas são para quem consegue se perder para se encontrar. E para decorar minha viagem, levo minhas marcas tatuadas, as de dentro e as de fora. Convivendo com as escondidas, escolhendo as visíveis, porque independentemente do que se carrega, a vida sempre segue.

Publicado em: às março 28, 2011 em 2:51 am  Comentários (2)  
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De se refazer

Eu não gosto de riso contido

De palavrão quando a poesia cabe

De rosto estático

Sou melhor quando jogo farpas disfarçadas de lírios

quando xingo rebuscadamente

Ou sou melhor

Porque sei amar inteira

Porque sei sofrer inteira

Porque não preciso de porquês

E  grito tanto a minha felicidade

quanto a minha desaprovação

Grito porque a vida costuma abafar a voz dos que não se dobram

E também não aceito os conselhos de me economizar

Eu quero é me gastar, flutuar

E se eu cair de cara, de novo,

Devoro um livro e outro  champagne

Me levantar, no salto 12, é minha especialidade.

 

Publicado em: às março 24, 2011 em 2:40 am  Comentários (3)  
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Morrer é que não é normal!

Hoje recebi uma notícia chatíssima, Vito, um dos quatro rebentos da Juliana e do Luciano, morreu há algumas horas. Dos filhos, era com quem eu mais simpatizava. Dizia inclusive que se, porventura , um dia se divorciassem,  mandassem o Vito pra mim [o Luciano jamais o faria!]. Então, eu e a Ju comentávamos o quanto ela chorou desde que ele parou de respirar e levaram-no para a clínica às pressas. Consegui mensurar o seu sofrimento quando ela disse “é como perder um filho”, aquele “como” soava tímido, meio receoso da censura pelo tamanho da dor da perda de um cão.

Aqueles que nunca tiveram um cão, julgariam um ultraje a afirmação da minha amiga, eu, por minha vez, apenas pedi para que ela não tivesse vergonha da comparação. Não era “como” perder um filho, era sim um filho perdido. Um dos presentes que a vida tinha-lhe dado  na sua ida para Porto Alegre: Vito, o cachorro que sorria; para quem lê, “apenas um cão”. “Apenas” porque a gente tem essa mania mesquinha de medir as dores por comparação: se a perda foi de uma pessoa, o direito ao luto com lágrimas e qualquer outra manifestação exterior é dado, senão, é exagero [como se todo ser humano fosse mais nobre que um cão]. Esquecemos que, na hora da dor, a última coisa de que precisamos é de julgamentos.

No fim, Ju, todos os cães vão para o céu entretanto a gente se choca e sente falta, a morte nunca é natural, de quem quer que seja. É a nossa única certeza mas quando aparece, ninguém estava esperando. Fica um poema da nossa autora favorita para confortar tua perda como mãe e do Lu como pai.

Parto sem dor

Parto do princípio que todo parto é natural

nascer de cócoras,

na água ou com fórceps

é nascimento igual

cirurgia computadorizada

ou dar à luz entre índios

todos no fim são bem-vindos

morrer é que não é normal

Martha Medeiros

Publicado em: às fevereiro 17, 2011 em 12:30 am  Comentários (2)  
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Sobre BBB, IDE e quatro sorrisos

Em 2010, estabeleci uma meta pessoal: assistiria 60% menos TV que nos anos anteriores. Cumpri. No início, confesso, foi estranho, deixar minhas séries favoritas de lado, guardar meu tempo televisivo apenas para “CQC”, “a liga” e “profissão repórter”. Mas fazendo um balanço naquela última semana do ano, percebi que eu ganhei bem mais do que perdi. Ok, eu não tinha muitos assuntos para conversar com a minha manicure, com minha cabeleireira nem com minha massagista mas certamente foi produtivo intelectualmente.

Fiquei por fora das gírias de TV, não tive de escutar o “rebolation”, o hino do verão 2010 e não esperei ansiosa pelo final de Passione. Me dediquei ao Carpinejar e ao Caio com mais paixão esse ano, terminei a saga Martha Medeiros, sempre deliciosa e instigante como o universo feminino. Dei chance à descontração do Veríssimo e do David Coimbra [um machista divertidíssimo, capaz de descrever o “sexo pecaminoso” de maneira ímpar]. E reli clássicos como “madame Bovary”, Ilíada, Odisséia, rei Lear e “ o Grande Gatsby”. Chorei mais umas tantas vezes lendo Eliane Brum, sempre de um material humano riquíssimo, escrevendo como um dia eu quero escrever.

Dos filmes a que me dediquei esse ano, alguns merecem ser reassistidos: “Família Savage”,” o leitor”, ” Vicky Christina Barcelona” e “Nine”…só pela incrível e voluptuosa Sophia Loren. Lembrei de fazer essa listagem aqui mais porque me aborrece de maneira profunda minha amigas me dizerem adeus no MSN a hora que começa o BBB. E não, as minhas amigas não são semi-analfabetas, a maioria tem um nível de escolaridade mais alto que o meu. Pelo amor de Deus, não basta assistirem a novelas que são sempre a mesma trama, ainda são espectadoras do BBB?

São sempre os mesmos estereótipos confinados numa casa de espelhos. Eu nem sei quem participa esse ano porém posso apostar quanto quiserem como existe um gay, um bombado, um caipira e um pobre-coitado. Acertei? Tá, e qual a emoção nisso? Variações de um mesmo tema? Por favor, meninas, e isso não vale apenas para as minhas amigas contudo para todos os fãs dessa coisa vazia: desliguem a TV e usem essa uma hora e pouco diária com mais inteligência. Ultrapassem a barreira da massificação ou ser a elite cultural desse país de analfabetos não terá servido de nada.

Continuaremos a ser as criaturas medíocres que se indignam com o oitavo lugar do Brasil na Copa do Mundo de Futebol e encaram com naturalidade  a posição 88° do país no Índice de desenvolvimento Educacional calculado pela UNESCO. Pois é para este mar de gente que não chega ao 5º ano da escola primária que o BBB é projetado, e essa ignorância não pode ser culpada, já a de vocês, caras e letradas amigas, para esta não há desculpas. Vergonhoso!

P.S.: para quem ainda lê esse blog com seus quatro sorrisos tentando se encontrar, a saudade às vezes se sobrepõe à dor e me lembra detalhes que eu deveria esquecer.

Publicado em: às janeiro 31, 2011 em 3:26 am  Comentários (2)  
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