As pequenas mudanças…

Aos poucos tenho mudado, algumas coisas por vontade, outras por força do quotidiano que me atropela. Ontem, quando fui dormir, notei que apago a luz e a tv. Sempre quis que meus medos de dormir sozinha passassem, e nem notei quando foi a primeira vez que aconteceu. Fiquei pensando em que momento eu perdi este detalhe.

Será que foi numa noite em que desmaiei na cama, exausta da rotina? Ou teria sido numa noite em que me entreguei ao meu edredon como refúgio de um eventual porre? Quando teria sido?

Meus ritos de passagem à idade adulta, onde permanecerei pra sempre, estão acontecendo e nem mesmo tenho percebido. Não tem mais “bíssu” no escuro e o caminho até o interruptor não é longo e cheio de temores. Será que eu cresci?

Também percebi que uma das minhas marcas registradas está ficando mais rara no meu pseudo-armário: as roupas e acessórios cor-de-rosa. Logo eu, que já fui chamada de Penélope Charmosa, Pink Panther, Pink…agora não compro mais peças desta tonalidade. As pequenas mudanças que vão me fazendo notar que o tempo está passando e há de passar cada vez mais rápido.

Lembro de, apesar de tonta de sono, sentar na beirada da cama e sentir como se algo tivesse ido embora, como se uma despedida se desvelasse perante os meus olhos e um pedaço de mim tivesse me dado adeus. Também me perguntava quando foi a primeira vez que eu teria escolhido a peça vermelha à cor-de-rosa numa loja? O que estava pensado no momento?

Ah, pelo menos para esta última, encontrei uma resposta: seria em nome da credibilidade. Eu teria de construí-la sem parecer uma adolescente, e esta mudança foi voluntária embora um pouco desconfortável. Lembro-me de ter começado fazendo uma faxina no armário, logo depois ficando na frente do espelho e me questionando “eu confiaria em alguém com esta aparência?”

Então comecei a me obrigar a alisar o cabelo, abolir as bijouterias e os bichanos, manter as unhas impecáveis e, por fim, as bolsas pink. Elas teriam de ter um fim. Confesso que, até agora só consegui me desfazer de duas; uma continua pendurada, como que a me olhar e perguntar: “mas já fomos parceiras de festa, viagem, travessuras, você tem certeza que quer me jogar fora?” eis que terei de responder a ela: -“Não, eu não tenho certeza, porém, é necessário. Por dentro você já não me cabe, só falta exteriorizar esta falta de espaço.”

 

 

“Não somos apenas o que fazemos, mas também o que fazemos para mudar o que somos.” (Galeano)

Publicado em: on Setembro 30, 2008 at 3:26 pm Deixe um comentário

Poesia instantânea da saudade

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Foge pra cá no meio da madrugada…
quebra as regras de boa-convivência e arromba meu apartamento

só pra me dar um abraço

Me deixa bater na porta do teu quarto e romper o silêncio que ressoa minha solidão
mas não consigo chegar até tua porta
é distante
e é aqui do lado…

Não são os quilômetros, é a culpa

Odeio fazê-la sofrer

Odeio saber que sofre

Não gosto de sentir teu tempo e tuas histórias escorrerem

Sem que eu faça parte

Ou sem que possa te aconselhar, ainda que não me ouça

(E ainda bem que não ouve!)

Não gosto do som dos passos frios dentro de casa

Ou da falta do som dos teus

Sinto falta de tudo em ti

Até do teu mau-humor

De manhã ou quando tem fome

 

Sem teus olhos, não existo

Eu não sou sem você

Sem tuas risadas, nada nunca será perfeito

Você preenche minha vida

Com você, não preciso de mais nada

Só aprendi a ser para os seus olhos

Só faço para que você me enxergue

Só decido para que você se orgulhe

Minha eterna companheira e cúmplice

Não há nada nem ninguém que a substitua

Não há música, verso ou prosa que expressem

O que você significa pra mim

É meu lar, meu colo

Onde me vejo refletida

Não por semelhanças,

Por me lembrar de quem sou quando me olha


E quando canto sinto que pode me ouvir

é como se não estivéssemos tão longe

novamente estou em casa e há chás em nossas canecas

sol entrando pelo vidro no frio

seus cabelos estão iluminados

e nos entendemos sem falar

 

 Porque te levo comigo, no peito, guardada,

 no meu melhor sorriso, na minha mais doce lembrança,

 nos momentos cruciais…quando penso: cadê ela?
       -o q ela faria?
       -o q ela diria?
       -cadê a minha irmã?

 

Publicado em: on Setembro 29, 2008 at 7:39 pm Deixe um comentário

Sem generalizações…

Se tem uma frasezinha que detesto ouvir é “vocês, mulheres são todas iguais”. O pior é que normalmente isso vem de algum homem imerso em desespero porque foi preterido. Ninguém gosta de ser posto em segundo plano, isso é fato. O ser humano é egoísta e, normalmente egocêntrico, não gostamos e não aceitamos num primeiro momento a rejeição; partimos logo para a negação, depois achamos uma justificativa bem niveladora para não termos sido escolhidos.

Tudo bem, esta parte eu até entendo, o que eu não preciso ouvir é que somos iguais. Eu, por exemplo, sou completamente diferente do estereótipo feminino criado na cabeça dos homens. Algumas das razões eu enumero aí embaixo:

 

-Não acredito em TPM, acho que é desculpa de mulher fresca para mau humor ou para falta de sexo;

-Não gosto de receber flores, meu conceito de beleza é meio romano: há que ter uma serventia, não pode ser apenas um adorno;

-Odeio bater perna em shopping;

-Não gosto de bater DR (tradução: discutir relação)

-Detesto passar horas no salão de beleza, talvez porque tenha trabalhado em alguns, os papinhos de salão me irritam. Se pudesse, faria tudo definitivo: cabelo,unha, make-up, depilação…nunca mais colocaria meu bumbum numa cadeira de cabeleireiro mas, por enquanto meu ato libertário deste ambiente vazio é o meu depilador elétrico….

-Não leio clássicos da prolixidade como “Homens são de Marte , mulheres são de Vênus” nem “como conquistar seu homem”…isso é desespero, gente!

-Não cuido de plantinhas;

-Não gosto de calcinha no banheiro, aliás, isso me dá nojo!

-Não carrego malas imensas;

-Não gosto de bibelôs e outros artigos que juntem poeira (tenho rinite!);

-Não gosto de coluna social, acho a coisa mais inútil que já se imprimiu na história;

-Não tenho medo de barata, sou lógica, eu sou beeeeem maior que elas!

-Não sou nada chegada a conversas após o sexo, aliás, gosto mesmo é de virar para o lado e cochilar para recomeçar depois, nada de discutir metafísica depois dum orgasmo!

-Não troco de roupa milhares de vezes antes de sair, meu lema é: “se eu for, eu vou assim!”

-Não levo amiga para o banheiro num lugar público, até hoje não vi a lógica disso, se alguma mulher entender, por favor, me explique;

-Já falei que não gosto de bichos de pelúcia, até porque já passei dos 17 anos. Pra mim, nada é mais ridículo que uma mulher adulta com uma “horda” de bichanos espalhados em cima da cama.

-Não levo horas para me arrumar. Talvez porque Deus tenha sido generoso comigo, talvez porque aprendi meus pontos fortes ou talvez porque meu tempo é muito corrido e aprendi a me maquiar em 5 minutos dentro dum carro em movimento (prodigiosa a moça!);

-Não faço tipo, não espero um cara me notar, até porque, se ele não me notar, é cego! Mas na aproximação, não sei ser caçada, não sei fazer jogo, ponho as cartas na mesa logo (o que normalmente assusta os caras!). Uso nos relacionamentos a mesma filosofia da minha vida profissional: “se você buscar, será seu.”Se for preciso eu ligo, mando msg, cato e até faço plantão para encontrar a criatura (rs)- objetividade é a palavra de ordem!

-Não peço roupa emprestada à amiga para sair, sempre achei isso uó!!!

-Falo palavrão sim;

-Mando se catar numa boa, sem grilo;

-Ataco se for preciso;

-Normalmente não conto calorias;

-Não tenho vergonha de dizer que gosto de sexo;

-Não curto ficar depressiva chorando pelos cantos dias a fio (minhas tristezas são obrigadas a passar em 2 dias);

-Não pergunto ”vai doer?” para o tatuador ou para a enfermeira, encaro simplesmente.

-Não me preocupo em seguir tendências da moda, sei o que fica bacana em mim e procuro me enquadrar nisso. Nem pense em me dar um vestidinho balonê como estão usando ou aquelas sandálias horrendas cheias de tiras…

-Não tenho paciência para papinhos do tipo; a blusa que a fulaninha estava usando ontem é da loja tal, caríiiiiiissima…

-Não entro numa loja se já não tenho bem especificado o que quero na minha cabeça, não encho o saco de vendedor e não deixo que me encham também, poupemos tempo.

-Odeio foto de balada para aqueles sites que todo mundo acessa para mostrar que foi a tal lugar da moda…fujo disso;

-Não sou fútil e nem suporto futilidade;

-Não leio CARAS e também não leio horóscopo para descobrir de o signo dele combina com o meu, deixo a cargo do destino;

-Não gosto de pets;

 

Tem mais tópicos que me diferenciam, mas estes seriam da raça humana como um todo, logo, melhor não citá-los ou meu leitor poderia me enquadrar na categoria “estranha”.

Publicado em: on Setembro 26, 2008 at 4:58 pm Deixe um comentário

Um brinde à cretinice das promessas não cumpridas!

Faz parte de crescer perder a crença no ser humano?

Ficar cretina e se acostumar com as promessas que as pessoas fazem e não cumprem?

Acho que ainda sou criança. Ainda acredito quando você me diz que irá a algum lugar comigo.

Acredito quando alguém me diz que vai ligar.

Acredito quando me diz que me dará algo.

Uma das pessoas mais interessantes que conheci em 2008 me ensinou uma coisa muito valiosa:

“Não importa o que você perca, você prometeu, você cumpre.”

Achava que só eu acreditava em promessas, mas não, ela também.

Por isso procedia desta maneira, porque não queria ser contaminada pela banalização das promessas que não têm a intenção de serem cumpridas. Ela praticava a empatia, pensava na espera de quem recebeu  a promessa vã.

Porém o mais interessante, é que justamente as pessoas que prometem, combinam e furam são as que sofrem por não serem tratadas com seriedade. Acredito que as coisas começam a partir da gente. Se você prometer e cumprir, poderá ter o retorno; do contrário, independente(mente, neh, Lu?) de com quem você foi leviano, isso também terá retorno. talvez não partido da mesma pessoa vítima de sua negligência, mas a vida tem sua maneiras de mostrar nossos erros, é uma lei implacável.

A partir de hj, prometo não prometer nada.

Não direi vou à sua casa, ou vou te ligar, ou vamos a tal lugar se não quiser fazê-lo de todo o meu coração.

Aprendi que ninguém tem obrigação com ninguém na vida… a não ser que prometa!

Publicado em: on Setembro 21, 2008 at 2:31 am Deixe um comentário

Sem tempo para jogos

Não sei exatamente como definir meu momento

Sei que estou sem paciência para jogos

Sim, jogos de amor

Confesso, nunca fui muito boa com essa coisa de sedução

Mas agora estou realmente exausta

Não tenho tempo para fazer jogo

Talvez porque não o tenha aprendido

Talvez porque nunca tenha gostado de dissimulações

Talvez porque meu tempo esteja escasso

Talvez, talvez, talvez…

O fato é que tenho meu trabalho, que me absorve

Minha faculdade (com a qual tenho sido negligente)

Os inúmeros livros que quero ler

Todos os filmes a que quero assistir

Todos os lugares que amo visitar ou conhecer

Minha casa (minhas roupas para lavar)

Meus amigos e os eventuais porres

Minha irmã

Meu sono( eu não consigo acordar cedo)

Além disso, há todas as obrigações do mundo feminino:

Unhas vermelhas

Alisar os cabelos

Depilação

Cremes anti-idade

Maquilagem (porque o acabamento faz toda a diferença)

-E olha que nem sou das mais paranóicas com isso-

Há também as risadas que deixam meus dias mais felizes

Com a dona mari, nos nossos sofás vermelhos

 

Em suma, o que quero dizer é:

Ainda que eu quisesse, eu não tenho tempo para jogos

Fico aqui idealizando que os homens estão em gôndolas de supermecado

Dispostos de forma organizada

E creia, eu não me ofenderia se me vissem desta maneira também

Você gostou? É o que você quer? Põe no carrinho e leva pra casa

Não fica horas, dias, na frente da prateleira

“cozinhando” o produto

Simples assim

Minha campanha é por uma vida menos complicada

Tudo pra mim é custoso, exige minhas disposição e perseverança

Pelo menos em relacionamentos, não estou disposta a ser tão persistente

Sou guerreira, todos sabem

Se é destino ou opção, não posso precisar

Mas é fato que não tenho vontade de amores adolescentes

De amores platônicos, de jogos

Que fique claro, não estou desesperada, nem teria razões pra isso

Apenas não tenho paciência para os jogos iniciais

 

Também elimino a fase paranóica da relação, sejamos objetivos.

Portanto, não espere que aguarde sua ligação

Ou que te monitore via telefone

Que faça escândalos porque saiu com seus amigos

Ou mesmo que pergunte aonde foi, com quem foi, em que horário

Não pretendo revirar seu celular

Ganhar rugas tentando descobrir quem é a fulaninha do seu orkut

Ou a sua ex-namorada

Não vou dormir com você todas as noites

Embora ame dormir agarrada,

Adoro dormir sozinha com minha camisola broxante

Não há tempo, é inviável

Não vou te mandar e-mails extensos

Não vou poder ficar meia hora no telefone diariamente com você

Não tenho a mínima intenção de revirar suas gavetas

Verificar suas golas de camisa

Abrir sua carteira

Ou mesmo cheirar suas roupas

Também não quero vê-lo todos os dias

(Aliás, uma boa média seriam duas vezes por semana)

Nem me envolver nos seus problemas

 

O que posso te prometer são boas conversas

Recheadas de bom-humor e conteúdo

Posso te prometer sexo de qualidade

E com muita sacanagem

Boas risadas

Posso te oferecer meu ombro pra você chorar,

 se este estado não durar mais que cinco dias

Posso te dar ajuda na hora de resolver questões éticas

Posso recitar alguns poemas quando os corpos estiverem exaustos

Posso cozinhar pra nós raras vezes por mês

Posso te oferecer companhia e cumplicidade

Embora em tempo escasso

Posso ser sua parceira de praia

Mãos dadas

Cinema

Programas adultos

Dar espaço para você, tempo para ser

Entretanto, não tenho intenção de sufocá-lo…

não há disponibilidade em minha agenda

 

Portanto, se você quer companhia constante

Ou crises de ciúme

Nem vem…não tenho tempo para venerar ninguém

E prezo demais o meu espaço

Tenho disponibilidade de horários apenas para gostar de estar com você

 

P.S.: como estou tratando os termos de um relacionamento, já aproveito para desmistificar alguns tópicos:

Não gosto de ganhar flores, dê-me um livro, é mais útil

Não gosto de ursinhos de pelúcia, já passei dos 17 anos

Chocolates engordam e dão espinha

Não gosto de ganhar lingerie, não tente! Você jamais acertará o número do meu sutiã

Não gosto de bater perna no shopping, podemos visitar sebos

Não gosto de campo, mato, rio

Não gosto de horas de fila

Não suporto mau humor, seja matinal ou por qualquer motivo

Não gosto de cócegas

Sinto muito frio, portanto nada de acessórios gelados na cama

Não gosto de receber toques no celular

Tenho pânico de banheiro sujo

Não gosto de cuecas cavadas

Não gosto de pêlos em excesso

Não gosto de amigos problemáticos

Odeio gente fútil

Não apareça na minha casa diariamente

Não me dê animais de presente

Ah, e de manhã eu não raciocino direito, não exija.

 

Depois destes acertos prévios, creio que resta desejar-nos sucesso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Publicado em: on Setembro 19, 2008 at 4:09 pm Deixe um comentário