Apenas mais uma parte de mim q vai embora

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Aqueles dias já haviam sido pesados o bastante pra mim, mesmo pra mim, mais resistente que a maioria dos mortais do sexo feminino. Ainda mais um golpe estaria por vir e não pouparia novamente da dor da perda. Às vezes acredito que estou aqui com a simples missão de aprender a perder…aprender a deixar ir embora…

 

Há um ano já havia lhe dito que não o queria mais, entretanto, durante todo este tempo, nos encontramos furtivamente, algumas vezes por minha vontade, outras, por sua mas sem nunca deixar a sensação de nos pertencermos. Era simples, você sempre estaria ali para me abraçar e me dizer palavras de apoio quando o mundo todo parece contra mim. Várias vezes lhe disse que você era minha família, meu colo, meu chão e já havia sido meu céu.

 

Embora temesse a distância, que fatalmente viria a aumentar, acreditava que poderíamos voltar a ser como éramos sem precisar que nos desligássemos. Não deu, adiamos demais, eu mais do que você, numa atitude cínica, procrastinei o nosso fim. Até que ele resolveu se jogar na minha frente num momento em que eu precisava desesperadamente do seu abraço… era a vida me afirmando que chegava a hora de andar com minhas próprias pernas, sem escudos, sem muletas… o caminho seria duro mas apenas meu.

 

Lembro-me de ter caminhado sem rumo por vários quarteirões, numa imensa sensação de vazio que me tomava, as lágrimas eu conseguia conter porque estava em choque. Comprei uma corrente longa de prata 925 numa loja que adoro, a mesma da qual você me deu aquele anel no meu aniversário, e o vazio não passava. Comi uma fatia de bolo de chocolate, o vazio ainda estava ali, dormi por mais de 14 horas…a lacuna permanecia. Tentei tudo que poderia me aliviar, não adiantou. Esta dor eu teria de sentir sozinha, até o fim, eu mesma teria de lamber minhas próprias feridas que insistiam em não cicatrizar.

 

Na última vez que conversamos, nossos três anos passavam na minha cabeça com um detalhamento rico e torturante ao mesmo tempo. Estava ali, parada na sua frente, fingindo segurar a barra e deixá-lo ir, tentando te desejar boa-sorte na nova fase e por dentro, quase morrendo, queria gritar, chorar, espernear, fazer mais uma das minhas cenas dramáticas (que tantas vezes funcionaram) e notava que seriam em vão. Naquele momento admitia para mim mesma que havia te perdido, e isso era doloroso demais para alguém que estava lamentando duas perdas num período curto de 3 dias.

 

Quando te vi indo embora, a sensação era de alívio, estava menos agoniada porque conseguira te desejar felicidades do fundo do meu coração, a dor não havia me deturpado, enfim. Agradeci a Deus pelas coisas que você me ensinou, o apoio que me deu quando nem eu mesma acreditava em mim, o amor puro que me dedicou tão leal e pacientemente durante tanto tempo que fez tudo que veio antes de você se tornar irrelevante.

 

Quero você livre para sentir isso de novo, para fazer por alguém o que fez por mim…fica aquela frase que jamais esquecerei quando você assistia num sábado à tarde a reportagem do Bruce Sprengsteen e sua volta à banda original.

 

“Tomara que a gente seja assim: separe para notar que nada poderia ser melhor do que já tínhamos”…

 

 

P.S.: Sem promessas e sem artifícios, eu vou te amar pra sempre.

 

E neste momento, invade o espaço o som de uma antiga canção, um pouco chiada pelos quase 40 anos de gravação e começo a cantarolar baixinho acompanhando o lagarto-rei…“This is the end”…

 

Publicado em: on Outubro 24, 2008 at 11:50 pm Comentários (2)