“Pour toi”

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Odeio virtualidades 

Eu quero te tocar!

Não quero tua voz no telefone

Quero aqui, no meu ouvido

Não quero saber o comprimento da tua barba

Quero senti-la roçando na minha pele

Nem me interessa que perfume usa

Quero teu cheiro à minha volta, mesmo depois dum dia inteiro de trabalho

Também não me importa se dorme cedo

Quero te olhar dormir e saber como é acordar do teu lado,

Ver tua cara amassada, o cabelo desgrenhado

Presenciar todas as tuas humanidades

Reconhecer teus trejeitos

Te puxar pra perto

Descobrir teus olhares e temperaturas

Sentir  teu  gosto

E teu abraço apertado que tanto adoro

 

Quero trocar olhares próximos queimando de desejo,

Carícias que não se escreve

Com teus dedos enroscados nos meus cabelos

E ter aconchego no teu braço, quando exausta

Quero brincar contigo, rir contigo

Rir de ti, de mim, de nós

Quero tardes enfadonhas de domingo perdidas entre lençóis

Quero inúmeras partidas de canastra

E muitas bebedeiras com você

Quero longas caminhadas

E se for pra ficar do teu lado,

Até estádio de futebol eu topo!

 

Quero conversas intermináveis

E madrugadas extensas

Ouvir tuas histórias

Te contar algumas minhas

Compartilhar segredos

Sussurrar sentimentos novos

Correr pra ti e saber se as mariposas no meu estômago se acalmam quando estamos perto

 

Quero que me veja nua

Despida de tudo

De qualquer maquilagem

De todo medo

Das expectativas

Dos tabus

E descubra todas as minhas arestas e facetas

Me enxergando como ninguém ainda me viu

 

Anseio pelos nossos momentos físicos

Conhecê-lo em cada respiração, toda textura

Cada gesto, cada riso, todo cheiro

Cada semblante e toda cor

 

Quero, desesperadamente, tua pele na minha

Tua boca na minha

Teu sexo no meu

Quero cada pedacinho de você

E todos os gemidos que puder me dar

Neste sentimento misto

De ternura e lascívia

De te abraçar e te devorar

Entre ambos: minha alma.

 

 

P.S.: Contente agora? Ok, sua vez.

 

 

 

Publicado em:  on Novembro 26, 2008 at 4:01 pm Comentários (4)

Sobre Circos e Bares

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Sábado de chuva em BC -aliás, chuva e BC na mesma frase é, no mínimo, redundante. Depois de me rolar na cama o dia todo, resolvi driblar o antibiótico para a garganta e me arriscar no dilúvio. Rumei ao bar mexicano da frente de casa.

Nada de novo até aí, exceto o fato de ter sido acompanhada de mim mesma -naquele momento, não havia companhia melhor! Era mais um dos dias em que a humanidade com um todo me causa enjôo. Pensei em chamar as meninas  mas sua demora para se arrumarem como bonecas já me irritaria. Cogitei os meninos, aí lembrei: quem não foi embora, casou, ou as duas coisas juntas. Então em 5 minutos [mulher atípica!], pus um jeans,  a blusa preta de ombro caído, uma bota, gloss, perfume, peguei as chaves e lá fui eu…reinando absoluta!

Sentei à mesa de costume e fiz o pedido quase rotineiro:  -Stella e Jose Cuervo Blanca.

Enquanto bebia, concentrada em meu “balanço anual” e já quase melancólica pelas perdas- Schali, Lu, Kauan, Poli, vocs me fazem muita falta!- recebi o primeiro drink  com curassau blue. Junto um bilhete e um brindezinho cretino no ar dum indivíduo na mesa da frente. Se eu tivesse com um pouquinho menos de humor, tinha vomitado naquele copo e mandado de volta. Não sei se pelo erro crasso de concordância no papel, pelo péssimo gosto para bebida ou pela ousadia de se dar o direito de interromper meu momento “eu comigo mesma”.

Pelo menos o garçon [amigo] e o infeliz que mandou a bomba azul notaram meu asco pelo gesto. Quando pedi a segunda Stella e a terceira Tequila, pousa na mesa outro drink, desta vez com um guarda-chuvinha [corre, é uma cilada!]. Já estava quase levantando para devolver em mãos e o garçom avisa: -Não, este é do cara da mesa do lado.

Pensei:  Puuuuuutz! Dá pra me deixarem em paz? Tô a fim de ficar na minha, optei por estar aqui ouvindo surf music, bebendo e pensando na minha vida, nos meus caminhos. Será que não tenho este direito? 

Fiz aquela cara de nojo [que me é inerente] e mandei devolver, imagino que tenha entendido a mensagem.  E apesar de toda a minha “postura iron maiden” e  olhar absorto no carinha tocando Donavon, continuava me sentindo desconfortavelmente  observada. Já não conseguia mais me concentrar no “balanço 2008” até que na quarta Stella, o estopim:  um sem noção daqueles com cara de modelo curitibano, jeito de curitibano e arrogância de curitibano resolveu sentar-se à minha mesa. Sim, sem me pedir licença. Sentia-se acima dos outros mortais por ser de Curita, só pode! Foi logo soltando uma “nova como andar pra frente”:

-O que uma mulher tão bonita faz num sábado à noite sentada sozinha num bar? [só faltou a voz de locutor de rádio brega]

Juro, gente, eu tentei! Contei até 10 mentalmente para não ser grossa mas não deu, a sensação de ter sido invadida, violada no meu espaço foi muito grande. Tá, mas vocês querem logo saber como foi o “toco”. Resposta “suave como Dove”: -Olha, quem te disse que estou sozinha?

Ele- estou há mais de 40 minutos te observando e não há ninguém além de você aqui.

Eu- Já te disseram que não está só quem está consigo mesmo?

Ele- Mas eu poderia te fazer companhia.

Eu- Olha, eu pedi mesa pra um porque estava confortável assim.

Ele- Você é jogo duro, hein?Mas não acredito que uma mulher tão bonita tenha saído de casa para ficar sozinha.

Eu- Bom, primeiro que eu não saí de casa, tá vendo ali (apontei) o apartamento com a luz acesa? Eu moro ali, isso definitivamente não é uma saída pra mim, é quase o meu alpendre.

Ele (insistentemente chato!)- Melhor ainda, você mora perto, posso te levar pra casa.

Eu(já com a Stella na mão)- Garçom, anota, tô indo.

Ele (chaaaaaaaaaaaato!)- Ei, peraí, posso te acompanhar? Pelo menos me diz teu nome!

Eu (contando mentalmente até 40, virando e voltando dois passos da porta)- Ok, mas só te digo meu nome se tu acertar uma charada!

Ele- Manda, sou bom nisso!

Eu (falando alto já)- qual é a diferença entre ir a um circo e a um bar desacompanhada?

Ele- Hummmm…no circo você não tem a sorte de me conhecer?

Eu- Exato, no circo, felizmente, os palhaços não falam com a gente.

 

Sim, e saí possessa sob a torrencial chuva, odiando todas a mulheres da face da Terra porque permitem que o machismo se perpetue quando ficam caladas e omissas, numa situação dessas. Odiei a minha mãe naquele momento porque me ensinou a ter classe (por que raios em vez de me ensinar a sentar e cruzar as pernas como uma mocinha, ela não me ensinou a dar um soco?).  Por que, obrigatoriamente, uma mulher desacompanhada tem de estar em busca  de um homem?

Como se homens fossem uma forma de vida superior sem a qual não se vive. Juro, não sou nenhum pouco misógina, entretanto quero  a liberdade de sentar no bar embaixo de casa, beber,  curtir a música e pensar sozinha, sem interrupções masculinas.

Sério, já passei na frente de muita construção de minissaia -e só Deus sabe o que a gente ouve!- contudo, nunca me senti tão desrespeitada na minha condição de mulher . A impressão era de ter sido rebaixada a mero pedaço de carne pendurada –tá, picanha, mas ainda um pedaço de carne- esperando para ser apanhada e devorada. E depois eu é que tenho fama de grossa!

 

P.S.:   Papai Noel, sei que fui uma péssima menina o ano todo, a vida toda, mas como nunca deixo nada no prato, mereço um presente neste Natal: o cilindro de ar comprimido que o serial killer de “Onde os fracos Não têm vez” usa, porém numa versão compacta, que caiba na minha bolsa para eu levar a bares.

 

 

 

Publicado em:  on Novembro 24, 2008 at 6:59 pm Comentários (1)

Sobre cachorros-quentes e palavras

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Tem algumas palavras na Língua Portuguesa que me dão calafrios ao serem pronunciadas. Calombo, defenestrar, pungente e, nos últimos anos, COMPLETO. Sim, completo desde que me mudei pra SC, é uma palavra muito perigosa, principalmente se você estiver se referindo a cachorro-quente.

Comentando sobre esta iguaria do fast-food com alguém, começamos a descrever nossos insumos favoritos a envolver a estelar salsicha. Concluí que o aditivo mais “particular”, digamos assim, num cachorro-quente gaúcho é ovo cozido picado. Já vi cheiro verde, queijo ralado, milho, ervilha, molho, mostarda, catchup e maionese além do pão e do guardanapo- confesso, dependendo do meu nível etílico, engulo junto. Mas “completo” em SC pode ser uma viagem sem volta.

 

                                  Se você, gaúcho,  por acaso estiver voltando duma balada em terras catarinenses e avistar de longe uma carrocinha de cachorro-quente, muito cuidado! (Corre, é uma cilada!) Não peça alegremente: -“Um completo!” sem antes se certificar do significado real do verbete.

                                     Esta atitude impensada e crédula no gosto de nossos vizinhos pode trazer uma surpresa desagradável na sua primeira mordida. Você pode encontrar em meio a pão, guardanapo e saquinho plástico coisas impensáveis, combinações absolutamente esdrúxulas como farofa (e não é o nordeste!), purê de batata (como se já não tivesse batata palha!), cenoura picada (faz bem para os olhos!), vinagrete (o que torna cachorro frio!) e o incrível corante das salsichas que as torna alaranjadas (e um pouco indigestas a estômagos não tão resistentes a conservantes). Ah, claro, e por aqui, o “completo” não inclui mostarda nem queijo ralado.

 

                                 Então realize morder pão recheado de farofa e purê de batata. Imaginou? Hummmmmm…se fosse Ana Maria Braga, passaria embaixo da mesa para demonstrar a admiração por esta inovação gastronômica.

 

                            Agora, opinião pessoal, tudo isso é jogada de marketing: a combinação favorece a sede. E convenhamos, não sou expert em cozinha mas farofa com pão combina tanto quanto peixe e mel. Logo, o dono do estabelecimento do cachorro-quente catarinense tem um bom lucro vendendo refrigerante. Uma bomba dessas só desce com uma pet de 2 litros de coca ou de Laranjinha, muito popular por aqui. Ou seja, é tudo jogo de palavras, se usar “completo”, a concordância correta é : -”e uma laranjinha Água da Serra”, é mais garantido.

 

P.S.: Da próxima vez que citar gastronomia, só para os catarinenses não me acharem bairrista, falo mal do chimarrão, tá?

Publicado em:  on Novembro 19, 2008 at 10:55 pm Comentários (2)

Terapia à distância (parte II)

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Saaaaau, tô com problemas! Simples, não vejo problemas…estou muito feliz porque já estou de malas prontas para ir dar um “time” deste lugar mas me questiono: será que sempre vou enjoar dos lugares onde moro? Esta minha vontade de levantar acampamento -ou melhor, de nem montar- é normal?

 Se não for, paciência, sou assim mesmo, e me assusta pensar que ainda tenho dois anos em Balneário antes de me formar e ir embora. Se eu não der uma fugida agora talvez não agüente mais nem mesmo um mísero semestre.

 

Ai, Sal, ainda não sei pra onde eu vou, sei que quero ares de cidade grande, quero ruas iluminadas à noite (sem que pareçam motel como aqui!). Quero um bar por perto, um boteco bacana que tenha saquê, vinho branco e Brahma Extra para uma eventual sessão de verdades de mesa.  Hum, quero que haja sebos para eu me divertir em tardes chuvosas quase pirando para escolher entre um exemplar raro de Flaubert e uma edição limitada de tragédias gregas bem traduzidas. Ah, também quero um bom cinema nos arredores, onde eu possa assistir a filmes não tão hollywoodianos nem superproduções, onde eu possa sentar e assistir filmes franceses que  tanto adoro.

 

Bom, também quero -se não for pedir demais- que seja próximo duma academia para eu manter minha meta de ficar mais gostosa ainda. Deixa eu ver, um mercado com frutinhas frescas e pés de alface gigantes também não seria má idéia. Acrescenta aí também que quero um parque nos arredores para eu tomar um chá gelado no final da tarde enquanto leio meus livros recém-adquiridos no sebo. Ah, claro, uma locadora bem bacana cheia de títulos de dvds bem phodas que quero ver e rever, começando pelo meu favorito: “Cidadão Kane”

 

Ah, não quero barulho dentro de casa, ta? Não quero morar mais com gente de caráter duvidoso ou com companhias desagradáveis que fazem minha casa parecer um bordel ou uma penitenciária em dia de visita -tal o nível dos freqüentadores. Quero silêncio para pensar, para escrever, para sonhar até se for preciso, quero que minha casa pareça uma casa e fazer uma nova tatuagem –bem grande!

 

Nestas férias quero ser desafiada a aprender mais do que aprendi até agora na facul, quero sentir que está me edificando o tempo longe de BC. Ah, se sobrar tempo quero pular de pára-quedas, fazer rapel, viajar de moto, descobrir algumas raridades musicais, ir para o boteco,meu lugar favorito de filosofias mundanas… ir a lugares onde nunca pisei.

 Não quero me apaixonar, Sal, mas quero um amorzinho calmo, que me faça rir e goste de muitas coisas que adoro, quero companhia que me deixe ser eu mesma e não me critique, quero sexo de boa qualidade sem sumiços na manhã seguinte e beijos longos, além de mordidinhas no pescoço.

Não quero falar de aquisições nestas férias, Sal, só de vida. Não quero listas de supermercado nem de contas a pagar por três meses. Como vou pagar o cartão de crédito? Banco, me procure em março, tô fechada pra balanço!

 

Quero rever amigos queridos que me fazem tão feliz neste período. Quero voltar a ir a shows de rock, quero uma ou outra muvuca tipo Planeta Atlântida, quero atualizar mais meu blog e ganhar mais abraços, quero muito vento. Sobretudo, quero a sorte de só conviver com gente recheada de conteúdo nestas férias!

 

Sal, me descobre um roteiro urgente, please!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

Publicado em:  on Novembro 17, 2008 at 8:59 pm Comentários (2)

Você podia tudo, menos desistir.

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Talvez seja um defeito mas não consigo amar quem não admire

Me desculpe se estiver sendo intolerante, pedante ou mesmo egoísta

Mas você podia tudo, menos desistir!

Você podia gritar, chorar, sapatear, berrar

Podia tomar um porre ou procurar um analista

Podia tomar remédios ou sol

Podia comer tipo condenada ou não comer

Podia comprar, podia andar sem rumo numa tarde chuvosa

Podia pirar dentro do seu quarto deitada no chão ouvindo Djavan

Podia se arrastar como uma sombra dentro de casa com passos silenciosos

Podia morrer de tristeza por 20 horas diárias

Mas não podia fugir das suas obrigações com as outras quatro

As únicas que realmente farão a diferença

 

Você podia virar mártir sim

Mas você podia ter lutado

Juro que poucas vezes algo me decepcionou tanto

Não sei daonde você veio

Não sei de que matéria é feita

Nem mesmo sei se vai chegar a algum lugar

Dor de amor? Passa, tenha certeza, não mata!

Agora, a dor de tempo perdido sem direção, em vão, esta é implacável.

 

Eu não quero te dar conselhos

Não acho que seja uma vitoriosa pra isso

Normalmente gosto de recebê-los de quem chegou onde quero estar

Portanto, não te deixo fórmulas

Deixo apenas minha decepção, minha dor…

Você podia tudo, menos desistir

Não, nenhuma grande vitória por enquanto, eu sei

Mas pelo menos coragem, força e fé não me faltam.

E quando faltam estes atributos a um ser humano, falta-lhe tudo

Pior que perder é desistir.

 

 

Somos feitos da mesma matéria da qual são feitos os sonhos.”(Shakespeare)

 

 

 

 

Publicado em:  on at 5:57 am Comentários (1)

A minha Santa Maria (Parte 1)

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Marthinha já escreveu uma crônica chamada “Minha Porto Alegre”. Eu pensava: sim, mas Porto Alegre realmente merece uma crônica; agora Santa Maria, aquele lugarejo, nem mesmo uma nota de rodapé.

 Ledo engano, finalmente entendi a real intenção da Martha naquele ode à sua terra natal. Na verdade, ela não comentava as ruas ou as construções mas as sensações…

Neste meu “regresso instantâneo” a Santa Maria –onde encontrei a paz perdida- descobri que posso ter o melhor dos dois mundos…e que até morar na praia pode ser enjoativo ou que são minhas asas querendo bater novamente e posar em lugares novos.

Andar pelas ruas de Santa Maria pode não ser a coisa mais agradável do mundo, até porque o calor é infernal. Entretanto, admito que foi bacanérrima a noite rodando com a dona Cissa, amiga de infância e sempre cômica…risadas impagáveis nas nossas divagações sobre “porque os homens somem”logo  depois de trocarmos uma cervejada por sorvetes com muita calda, a prova de que nem tudo muda! Ah, claro, e novas expressões (bem gaudérias) dela para denominar o ato sexual.

A sempre calorosa recepção da minha mãe enchendo a geladeira de danoninhos tamanho gigante pra mim, as nossas idas à feira e minha face brejeira se manifestando…sentir-se em casa, não precisar ser forte, não precisar se importar com contas a pagar, roupas a serem lavadas, horário de acordar…ouvir as risadas da Priii e suas músicas em casa, a passos da porta.

Sentar na cadeira do Júnior e revelar minha ponta ínfima de futilidade ao me sentir a mulher mais estonteante do  mundo depois que ele toca como um Midas as minhas madeixas e me faz espetacularmente loira e lisa novamente.

O domingo incrível que vivi com a Páza, agora uma mulher de família, aliás, família que a mãe não cansa de repetir que é linda! E olha que grata surpresa: minha miguxa aproveitando para se revelar, além de uma mãe e esposa irrepreensível, uma cozinheira genial…sempre habilidosa, ótima em tudo o que faz! E sempre pronta a me elogiar, a me enxergar embaixo da tristeza ou do excesso de vaidade…sempre pronta pra me fazer seguir em frente e me orgulhar de mim, de nós. Sempre me ensinando a ser mais eu, mais segura, mais “nariz empinado”, a não assumir o papel de vítima mas de senhora das situações.

 

As ruas? As ruas continuam as mesmas.

O calor? -o mesmo, sem tirar nem pôr. O que mudou fui eu, não preciso mais odiar nem mesmo negar o lugar onde nasci, a grandeza está no fato de eu ter vazado de lá.

Admito também que até o paraíso cansa…ou será que não é mais paraíso?

Amei a baladinha, gurias, amei ouvir um pouquinho de rock gaúcho, beber cerveja gaúcha, ouvir sotaque gaúcho.

 Balneário realmente pode ser um sonho à noite –tudo o que qualquer interiorano recém-chegado anseia para sentir-se cosmopolita- porém, acho que também cansei (ou realmente virei cosmopolita de verdade). Cansei desta gente se drogando de óculos escuros em plena madrugada, esta música que parece a mesma o tempo todo (psytrance), esta superficialidade e falta de assunto.

 Cansei de tudo que me fascinava…quero boteco, gurias! Quero amigos de verdade, gente de verdade, que tem mais na cabeça que marca de bolsa e de balada famosa…troco cortesias para estas tão cultuadas festas eletrônicas por um boteco que toque “amigo punk” -se alguém se habilita, bjo, me liga!…

Aliás, troco estes homens com cara de modelo, corpinho sarado, tatuagens estratégicas e absolutamente seqüelados de tanto ecstasy por um pouco de vida real, boa conversa e bom-humor. Troco junto e no mesmo pacote estes relacionamentos superficiais que não me fazem rir nem me dão tesão por um pouco de “sistema bruto” se é que vocês me entendem, gurias!? Aliás, gurias não, sociedade secreta: AMA ( Amamos Mulheres Altas!)

 

PS: isso foi para explicar a vocês -ou a mim- que SM também tem seus encantos…

 

 

Publicado em:  on Novembro 14, 2008 at 9:01 pm Comentários (1)

Porque não existe outra maneira

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Escrevo para que não se percam nossos planos

Para que nossas promessas não sejam apagadas

Escrevo para preencher esta lacuna que você deixou

Para me convencer de que realmente aconteceu

Escrevo para tentar segurar o tempo

Para descobrir o que fazer com aquilo que fica do que não ficou…

Escrevo para ter respostas

Quando foi? Em que momento?

Foi uma coisa só ou se somaram várias?

Foi homeopático ou de choque?

Qual foi o lugar exato onde o “nós” se perdeu?

 

Escrevo para não tentar desesperadamente correr para os seus braços, que sempre tivera como “meu lugar no mundo” e agora não são mais meus

Escrevo para não deixar que se apaguem as marcas do que fomos

Para me sentir viva

Para guardar nossa história

Escrevo porque não existe outra maneira…

Sobretudo, para que você não se vá

Escrevo para que você fique um pouco mais

Talvez uma noite…

Escrevo porque só a sua presença me acalma

Porque preciso da sua mão na minha cabeça e sua voz dizendo: -“Vai dar certo.”

 

Escrevo para não me perder de mim mesma

Porque não quero esta sensação dolorida do escoamento entre meus dedos, esvaindo-se o que me era a única constante.

Escrevo para desatar este nó na minha garganta

Para tentar construir algo que não deixe tudo se apagar

Escrevo para tentar lembrar como era viver antes de você

Porque é o último jeito de dizer EU TE AMO

É a minha forma de berrar o meu amor

 

Escrevo para que um dia você leia

Escrevo porque você não está aqui

Porque não sinto mais seu cheiro

Não ouço sua risada

Porque ainda procuro sua mão quando caminho pela rua

Porque penso no que você gosta e no que não gosta

Para não odiá-lo por te amar tanto

Escrevo porque ainda sou sua

 

Escrevo para esquecer nossa última noite

O encontro atropelado de dois estranhos

Eu não estava em sua mente

Nem mesmo nos seus olhos

Era apenas reprodução mecânica de hábitos enraizados em anos

Não havia nenhuma emoção

Eu te procurava e não te encontrei

Quando não te encontrei, nem mesmo ali, me perdi.

 

 

Escrevo para me despedir dos sonhos piegas que me permitiu ter

Para não viver da esperança do retorno

Escrevo porque estou vazia e porque você se foi

Escrevo porque há vizinhos e é tarde, não posso gritar

Escrevo porque com você se foi uma parte de mim…eu teria te amado pra sempre…

Escrevo para dizer adeus -só não sei se pra você ou pra mim-

 

                                  Adeus

 

 

Publicado em:  on Novembro 5, 2008 at 12:19 am Comentários (1)