Confesso que descobrir “quem sou eu”é minha busca quotidiana, embora não desesperada.Já soube (ou acreditei saber) quando com mais tenra idade, e com precisão assombrosa, todas as verdades da vida. Hoje, tempo transcorrido, mais longe elas ficam de mim. Portanto, por hora, minha identidade se delineia pelos meus gostos - ou desgostos.
Sei do que não gosto e do que não quero, o que por si só já ajuda um pouco. Não quero por perto quem tenha uma sentença pronta para julgar os meus atos, mesmo porque, não costumo pedir opinião sobre o que faço. Minha vida é só minha.
Não gosto de gente boazinha demais, doce demais, meiga demais, INHA demais, perfeitinha demais. Não me apetece beleza simétrica, o que não desperta vontade ou curiosidade. Não gosto do que não ressoa humanidades, Assimetrias são “de verdade”, cruezas, discordâncias me fascinam e tudo o que me desafia, e desconcerta. Gosto de gente de verdade, que não concorda nem diz amém para tudo. Gosto de gritos se necessários, de sons, de tudo que se faça vivo e instigante.
Não gosto de gente discreta, aliás, tenho horror a gente discreta, que passa despercebida, não fala palavrão. Também não me agradam os “pinheiros de marcas da moda. Gente tão feia por dentro que não conseguiria viver se por fora não fosse duma beleza impecável.
Não suporto os pseudo=intelectuais; aliás, execro=os. Não gosto de comida insossa, de gente insossa e fútil. Acaba por me soar brega.
Simpatizo, internamente, com meus inimigos declarados; estes têm algo que admiro: autenticidade, são destemidos. Aos inimigos velados, reservo minha piedade, são de personalidade mole e frágil e duma inteligência pífia quando pensam que não os percebo.
Não acredito em modéstias, todas me soam falsas. Não gosto de textos prolixos, mal escritos, de crase no lugar errado. Mas também não me agrada gente e linhas lacônicas. Confesso não simpatizar com mediocridades, coisas pequenas, gente pequena, que não se entrega inteiro a alguma coisa maior que o próprio ego. Não gosto de gente preguiçosa, dos fracos, dos desistentes, dos que “morrem na praia”.
Costumo desconfiar daqueles que sabem exatamente tudo o que fariam se fizessem alguma coisa. Prefiro o erro à estagnação, a paixão avassaladora à inércia. Prefiro amores de uma noite a semanas pensando “como seria se tivesse sido”. Prefiro taça cheia a copo pela metade.
Desconfio de gente que nunca vai embora, que guarda coisas demais, não consegue elogiar, ou elogia tudo. Desconfio ainda mais dos teóricos, dos profetas e dos fanáticos.
Não gosto de gente que não bebe porque “dá barriga”, de quem não lê, de quem lê e não consegue tirar as próprias conclusões. “Vomita’ autores. Não gosto de quem não viaja, de quem não tem uma queda por uma antiga paixão e quando enxerga o fulano, sente tremores.
Não gosto de gatos, de pelúcias, de chocolate branco, de gente previsível. Tenho horror aos muito quietos, os que nunca gritam, os que nunca “enchem a cara”, nem dão vexame; não me agrada os que se escondem atrás do cômodo papel de “bom moço(a)”. E, definitivamente, não gosto de chuchu.
Do que eu gosto? Isso fica para um próximo post, entretanto…
INTENSIDADE é a minha palavra de ordem.
“Seja quente ou seja frio, não seja morno ou te vomitarei.”