Feminina. Frágil não.

aaSimone de Beauvoir, filósofa francesa, já afirmou: “Não se nasce mulher, torna-se.” Dei meu último passo rumo à minha transformação e nem notei. Não foi só a descoberta da sombra 3D,  as visitas freqüentes ao salão de beleza ou o cuidado com o estilo das roupas. Discreta e sensual. O jogo de toda mulher irresistível. Dominar os segredos do mundo feminino não é, nem de longe, o mais importante.

                                   Dondoca está completamente out. Perua, então, enjoou faz tempo. A grande sacada de ser uma mulher no milênio em que elas dominam é ter mandado o príncipe encantado encantar em outra freguesia e ser independente. Desde pequenas, ouvimos os contos de fada e os brinquedinhos de menina que confundem feminilidade com dulcilidade. Talvez eu não quisesse ter ganho bonecas. Teria tirado mais proveito de esportes ou jogos educativos. Mas tinha pilhas das queridas. Pelo menos nos bebês de borracha não exageraram. Nunca tive o mínimo talento materno.

                                   Me faltou na infância subir em árvore, andar de bicicleta na rua, o tão sonhado banco imobiliário, ser mais moleque. Contudo, certamente não me faltaram bonecas. Não me faltaram contos de fadas em que a alienada e meiga princesa é salva por um príncipe saído Deus sabe daonde pra lhe dar um beijo e mudar a vida enfadonha da coitada. De quebra, enfiando um “felizes para sempre” na historinha.

                                   Por que um homem terá de salvá-la do seu mundo cruel ou dela mesma? Por que a Cinderela não podia se livrar da madrasta por si só? Por que não uma transformação,um surto ou uma metamorfose como toda mulher passa tantas vezes na vida? Aliás, por que o cavalo branco não era montado por ela? Por que raios essa necessidade estigmatizada de um homem na vida duma mulher? Ela não pode simplesmente gostar dele e curtir sua companhia sem que precise dele? Ou ter de casar e cozinhar pra ele? Ou esperar que ele pague suas contas?

                                  Eu me dei conta disso quando alguém achou incrível eu pagar minhas despesas numa loja de conveniências apesar de acompanhada. Não tem nada de especial nisso, é justo. Um ou outro evento, vá lá. Um primeiro encontro, uma data comemorativa de ambos, ok. Sempre? Abuso quando ambos trabalham. Era sanduíche e suco e era meu. Nada mais natural que eu pagasse.

                                    Não queimaram-se sutiãs nos anos 60 pela tão aclamada emancipação da mulher da condição inferior a dos homens? Adoramos dizer que somos livres de dogmas do mundo medieval que tratava mulher como propriedade. Bradamos que agora decidimos tudo por nós mesmas: com quem andar, a que horas voltar, com quem dormir [ou não dormir e só transar mesmo]. Ou se perpetuaremos ou não a espécie. Então que paguemos nossas contas. Afinal, quem não tem autonomia econômica, não tem autonomia política.

                                                  Confesso, não pensei assim sempre. Até descobrir o prazer da independência. O comprar sem pedir. O pagar o quanto achar que devo por alguma coisa que deseje. Só eu sei o quanto posso ou devo gastar em algo. O não depender de alguém. E creia, foi esse o meu último passo rumo a ser a mulher que sempre quis. Sim, eu pago as minhas despesas. Me dê presentes. Me dê carinho. Me leve o tão prometido café na cama. Não me banque. Quero ser amada, não tutelada. Me faça flutuar. Não me escore.

Publicado em: on Novembro 3, 2009 at 8:30 pm Comentários (1)
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Te resolve, Fernandinha!

joana prado 8Deu. Cansei de ler as farpas da Fernanda Young sobre as capas da Playboy. Já está me soando dum recalque exacerbado. Ok, ela não faz parte do grupo das gostosas que estamparam a publicação nos últimos anos, mas por que razão afinal aceitou o convite pra posar? Sim, aceitou e agora brada aos quatro ventos que nenhuma capa anterior tem dez livros publicados e que vai fazer fotos de bom gosto.

Olha, acho difícil esquálida daquele jeito dar um ensaio que preste. Mas cada uma no seu terreno. Com certeza a Priscila do BBB –maior vendagem de 2009 até então- não tem a pretensão de ser uma romancista ficcional nem dar pitaco na cena literária brasileira. Qual a exata intenção de criticar as modelos voluptuosas das páginas da revista masculina mais vendida no país?

                           A mulher brasileira é, reconhecidamente, mais curvilínea. Que a dona Young está fora dos padrões,  nem se discute. Agora ela pagar de superior só porque tem alguns livros escritos, me desculpe, pega mal. Sobretudo quando a intenção é posar para a Playboy e não dar uma entrevista para a Bravo!. Primeiro, se a moça estivesse tão satisfeita consigo mesma não iria querer se enfiar num terreno que, nem de longe, foi feito pra ela. Não iria precisar provar  a ninguém que é mais sensual que as siliconadas tão em voga atualmente.

                             Posar para a Playboy, no caso dela, virou instrumento de auto-afirmação. Para as outras não, faziam pela fama e pelo dinheiro. Mais digno. Young vai posar para resolver seus complexos. Até Marília Gabriela já afirmou que chega uma hora em que a mulher não que ser chamada de inteligente, mas de gostosa.

                                Chegou a vez de Young, com um biotipo muito mais adequado a um editorial de moda, ser chamada de gostosa. Se ela é casada, deve estar faltando o marido mimá-la com o verbete que dez entre dez mulheres amam ouvir na cama: “gostosa”! Feliz dela que, na falta dum amante observador e sagaz, pode curar as inseguranças posando pra Playboy. A maioria fica encanada com seus grilos e medos sentindo-se inferior dentro de si mesma. Mas depois de todas essas farpas largadas de graça, se essa revista não vender mais que a da Joana Prado- até hoje recorde imbatível de vendagem no país- vai ficar muito feio para a intelectualizadíssima Fernanda Young.

                                 Sinceramente, Martha Medeiros é uma grande escritora e nunca precisou destilar veneno contra biótipos de revista masculina. Marília Gabriela, da mesma maneira. Maitê Proença. E são todas mulheres absolutamente sensuais apesar de cultas. Já que, segundo Fernanda, uma coisa há de ser dissociada da outra.

                                    Fernandinha, quer resolver teus grilos, bota um silicone, troca de marido, experimente sexo com alguém que fale em você durante a transa. Com um cara que te enxergue. Mas por favor, poupa meus olhinhos de tanta besteira. Te resolve, querida, cada macaco no seu galho. Afinal, tanta crítica ácida e gratuita só pode ser duas coisas: ou você é exatamente igual àquilo que critica ou gostaria de ser. No caso, ficamos com a segunda opção.

Publicado em: on Outubro 9, 2009 at 2:44 am Comentários (2)
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Sobre pessoas e linhas

amoEstava assistindo a uma reportagem com o Carpinejar sobre o seu consultório poético e ele conseguiu resumir  minha busca no ato de escrever. Ao entrevistar uma moça com um bebê ele retruca: “tu pode não ter nascido para ser escritora mas nasceu para se fazer próxima de quem tu ama. E isso já te torna uma escritora.”

                        Às vezes me perguntam porque escrevo tanto sobre [e para] pessoas no blog. Minha resposta é sempre a mesma. Porque sou jornalista e, a matéria-prima do ramo é o conteúdo humano. Ok, me saio bem mas certamente não é a verdade, ou pelo menos, não a essência. Afinal, este espaço não tem ambições jornalísticas. Os textos são, em sua maioria, apontamentos [e desapontamentos, como diria o muso].

                          A verdade é que escrevo para pessoas e sobre elas porque não há nada que me importe mais. “O que importa não é o que você tem na vida mas QUEM você tem na vida.” Não foi o mundo, com sua dureza, a me mudar. Não foram as circunstâncias que me transformaram. O que me lapida são pessoas a quem me dedico.

                               Porque escrever é o que de melhor posso oferecer a alguém. Sei que não sou tão boa falando, me explicando, agindo [normalmente estabanada]. Escrever é a minha maneira de reafirmar: “ei, você é importante pra mim. Eu sou melhor porque você está aqui.”  Escrever é mostrar o quero que enxerguem  e talvez não consiga expressar pessoalmente. Escrever é parar de me esconder. No silêncio ou no exagero.

                                 Pessoas são mais importantes que lugares. Pessoas são mais importantes que grana. Pessoas são mais importantes que status. Ou não haveria explicação plausível para eu achar Santa Maria um grande lugar. Não é o lugar. É a minha memória afetiva. São as pessoas. As ruas em que eu e minha irmã construímos nossa cumplicidade. Caminhando rápido para exorcizar a tendência de engordar ou nos sábados à tarde [preteridas] quando passeávamos sem rumo e objetivo, só pra passar o tempo. Ríamos fazendo qualquer coisa ou nada…e tendo grandes momentos juntas. Porque me faz o mesmo efeito estar em qualquer lugar que quisesse conhecer quando você não está lá.

                                          Eu escrevo para pessoas porque são o que me tornam melhor. Quem não ganhou nem mesmo uma nota de roda-pé, me desculpe, não me foi importante. Quem ganhou mais que um texto, normalmente permeneceu. Escrevo para me aproximar. Para dar o meu supra-sumo: minhas linhas digitadas nesta tela branca. Porque nelas está o que há de mais verdadeiro me habitando. [“the moment of  truth in my lies...”]Para que saiba: você me é imprescindível…você me dá o que de melhor eu poderia receber: inspiração. E retribuo em linhas. Com pedaços de alma.

 

Podem dizer: coisa de poeta, não de jornalista. E jornalismo não é literatura feita com hora de fechamento?

Publicado em: on Setembro 14, 2009 at 1:34 am Comentários (3)
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Brasil x Argentina

1                                     Assistindo ao jogo [sim, essa tragédia me aconteceu!] da seleção contra a Argentina refleti sobre uma afirmação que me criei ouvindo. “Gaúcho tá muito mais pra argentino do que pra brasileiro”. Pior que é.

                                       Não me identifico nem com o futebol brasileiro. Não sei sambar. Não tomo caipirinha. Sou branca. [Lutando com as armas que a indústria cosmética me proporciona pra ser loira!] Amo uma friaca daquelas “de renguear cusco”. Um mate amargo de manhã cedo. Churrasco no findi. Café. Leio mais que a média anual brasileira só em janeiro. Não tenho bunda [sento nas coxas como diz um amigo]. Não gosto de carnaval [aquele entrevero]. Prefiro um boteco. Amo uma milonga. Fito Paez sempre me arrepia . Execro Jorge Amado. Ovaciono Jorge Luis Borges. Tenho pavor de feijoada- não me convide, a menos que agüente os próximos três dias meus gases. Tenho até uma teoria acerca do símbolo máximo da culinária tupiniquim: não é feita para o sistema digestivo humano. Comê-la é teimosia. Prefiro um alfajor a uma cocada. Mas erva mate, ah, a erva-mate! Sou de carnes e vinhos. Malbec… As charqueadas…churrasco de ovelha…O pampa.

                               Inclusive as descrições dos turistas a respeito dos dois povos me convencem do meu não-brasileirismo. Brasileiro é simpático, acolhedor. Argentino é sério. Guerreiro. Antipático. Meio grosso. Ah, e acho sim o Maradona melhor que o Pelé. Bah, de longe. O cara tinha muito mais estilo. Olha os passes longos. Fora o gosto pela peleia.

                                Mas é a história que nos diferencia do resto do Brasil. O RS foi o único estado em que os indígenas não foram escravizados durante a época colonial. Andavam a cavalo. Já desenvolviam a pecuária extensiva e,definitivamente, não eram pacíficos –não tá morto quem peleia! É, admito, estava torcendo para a Argentina naquele jogo. Valeu a vitória brasileira só por ver um conterrâneo faceiro: o Dunga.

 

P.S.: ela deixou o pampa mas o pampa ainda está entranhado nela…

Publicado em: on Setembro 6, 2009 at 8:54 pm Comentários (2)
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Tive que postar…

110-000001Confesso, meu ponto fraco é o elogio. É aí, bem nesse ponto que desempata! Mas não é qualquer elogio. Depende, essencialmente, de quem o faz. Deve haver admiração minha pelo autor para ser considerado. Logo, compartilho o motivo do meu riso de orelha a orelha hoje, quando li o e-mail da Vera pra mim. A Verinha citada no post “Pés de barro”. 

Lindinha… Obrigada pelo carinho!!!!  Adorei o lay out do blog e, é claro, o tom confessional amadurecido dos textos… Parabéns, és uma mulher assumidaça!!! E por isso os homens fogem: tem medo de quem sabe o que sabemos… Eis o nosso poder! 

Bjs 

profª Vera Lucia Sommer

DRT/RS 5.054 

 

To aqui, tal qual mãe coruja quando o rebento é elogiado. E não é para menos, a Verinha me ensinou a pontuar meus textos, a controlar o “queísmo”, o gerundismo. A única que deixo [e amo!] me chamar de Lindinha. Meu texto ganhou ritmo e fluidez depois dela me “copydeskar”. Por isso sua aprovação me é tão importante. Anseio escrever como a Vera, embora dentro dum estilo próprio. E de quebra, ganhei um elogio pessoal…fiquei ainda mais “abobada”.

Publicado em: on Setembro 1, 2009 at 7:38 pm Comentários (1)

fazendo favores ao meu biógrafo…

harmonys_new_hat_bEsta semana estou analisando propostas. Propostas de apartamento, propostas de emprego, convites de viagem para o feriado. Mas teve um que aceitei antes de analisar só pela justificativa do ineditismo. Foi impensado, quando vi, já tinha dito sim. Depois das quase intimações pra passar o feriado em Floripa e minha saída pela tangente com o clichê “preciso pensar”, aceitei de cara um acampamento. [Gente, com 25 anos eu  nunca acampei!]. Nem lembro o destino, sei que vai ter barraca, praia, violão, fogueira e bebida…precisa de mais alguma coisa?

                                  Se algo me instiga é o que eu ainda não fiz. Não jogo com cartas marcadas. Confesso, sou meio aversa a mudanças radicais mas experimentar é uma bênção. Provar de tudo –ou quase tudo- na vida, é necessário. Ainda não pulei de pára-quedas.  Ainda não viajei de mochila nas costas.  Ainda não bebi vodka na Redenção ao amanhecer [Lu, eu te odeio pq tu mora em POA!]. Ainda não entrei no mar depois da balada [sempre sonho com isso]. Ainda não transei em cima duma mesa de sinuca. Entretanto, já fiz outras tantas coisas que deixariam meu leitor de cabelo em pé.

                                            Aceitei, automaticamente,  porque faltaria um acampamento para minhas memórias quando fosse contá-las aos meus futuros netos. Faltaria os momentos de cagar no mato [Senhor, como vou fazer isso? Logo eu que demoro dois dias pra fazer xixi em lugar estranho!]. Aceitei porque quero fazer o favor ao meu biógrafo [gente bacana não escreve a própria biografia] de ter boas histórias pra relatar. Misto de tragédia e comédia. Misto da bela e da fera, minhas inquilinas de alma. Mas afinal, a vida não é senão as histórias  que vivemos para contar?

Publicado em: on at 6:17 am Comentários (4)
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Pés de barro

renato-russoHá anos, ouvi algo como “todos os ídolos têm pés de barro”. Era adolescente e não entendia exatamente a citação [provavelmente porque adolescente não entende nada e acha que sabe tudo]. Hoje, enquanto almoçava, resolvi navegar pelo youtube e ver umas entrevistas do Renato Russo. Qualquer um que me conheça sabe o quanto  a Legião urbana me foi importante durante o período (lugarzinho para o qual eu não voltaria nem se arrastada pelos cabelos!) de segundo grau e cursinho.

                       Mas hoje, talvez porque o tempo passou e conheci muita gente bacana e merecedora de admiração, só vi nele uma bicha problemática bêbada. Pior, embora escrevesse coisas primorosas, ele não conseguia articular uma frase completa nem pro Jô nem pro Zeca Camargo. E não, definitivamente não falo isso a partir de análise rasa. Tenho quase todo o material produzido pela Legião urbana e pelo Renato solo. Carrego, inclusive [momento "sinto vergonha!"], uma tatuagem no pescoço com o símbolo da banda. Li, ouvi e colecionei todos os CDs, os livros, os DVDs…T-U-D-O!

                           Não nutro mais essa relação de idolatria por ninguém. Nada é tão perfeito assim. Não quero ser ninguém a não ser eu mesma. Hoje o que  sinto é uma profunda admiração por algumas pessoas. E nem são famosas em sua maioria. Sou aficcionada pelo trabalho do Caco Barcellos. Pelo estilo do Carpinejar e da Martha Medeiros. Sou uma fã incondicional da força da minha mãe. E, se pudesse me espelhar numa mulher para parecer daqui a uns 20 anos: Verinha! Divertida, animadíssima, bem casada, resolvida, inteligente e absolutamente charmosa! Sabe aquele charme de mulher que tem muita história pra contar? -Ela o transmite!

                     E todos os citados convivem com os problemas do dia-a-dia [essa poesia louca e descompassada!]. Surtando às vezes pois todos somos humanos. Todavia, sem parar ou quebrar tudo porque um detalhe não está do seu agrado.

                       Foi doído analisar meu [antes] tão adorado Renato Russo como fraco demais. Não suportava a pressão que a maioria vive no quotidiano. Sobrou o gosto pelas músicas. A admiração, perdi. Ainda me sinto traída: meu ídolo tinha mesmo pés de barro. Não fugiu à regra. [Ou eu simplesmente esteja envelhecendo e a geração Coca-Cola me soe caricaturesca...]

Publicado em: on Agosto 30, 2009 at 11:09 pm Comentários (1)

Anjos de novo? putz…

100_2008

Sempre que confiro as estatísticas do meu blog fico intrigada. Disparado o meu post mais acessado é “Aos que são amigos e como amigo, anjos”.  Esse post , nem de longe, é decente. É nada mais que um agradecimento. Mas está lá, as pessoas acessam ao procurar pelo verbete “anjos”.

            Ouvi conselho de blogueiro antigo: quando se tem um blog, ou você bomba de leitores  ou escreve o que gosta. Escolhi o segundo. Tenho, em média, 70 visitas diárias. Entretanto me intriga a postagem de textos infinitamente melhores não serem tão acessados. Aliás, há textos com boa estrutura – apontamentos, desapontamentos e crônicas- como diria um amigo querido de quem tenho sentido falta. E estes são pouco acessados.

                               Isso só prova uma coisa: estamos tão imersos na fúria barulhenta de nosso quotidiano que estamos buscando um alento em divindades: anjos, gnomos, salamandras, ou qualquer coisa que o valha. Confesso, acredito em anjos, aliás, o meu faz turno dobrado e hora extra sempre que pode. Há cinco anos não descansa, o coitado.

                         Já tive até aquele livro de consulta de anjos, tive gnomos e bruxinhas no quarto. Contudo, a adolescência passou e me tornei minimalista. Extirpei os bibelôs da minha vida. Ainda assim acho necessária a fé. Seja no que for. Respeito. Anjos, bruxas, feiticeiros, búzios, destino…contanto que algo nos console sobre o futuro [ou sobre o passado].Contanto que algo acalme, ainda que por minutos, a poesia –louca e descompassada- do dia-a-dia que nos faz ouvir-nos cada vez menos. Já quis falar a língua dos anjos. Hoje, anseio por descobrir as ações do meu anjo da guarda através dos que me rodeiam. Paulo Coelho escrveu em “As Valkírias” que quando não queremos ouvi-los, os anjos se manifestam através do mais próximo no momento.

 

               “Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos sem amor eu nada seria”…

Publicado em: on Agosto 18, 2009 at 3:42 am Comentários (1)

Um segredo entre nós

            11dt5 Esta semana fiquei “de molho” devido a cuidados pós cirúrgicos. Um tédio. Ok, exceto pelo meu mais novo brinquedo: o tão desejado notebook.

              Como deveria ficar em repouso absoluto e a internet não estava funcionando, eu e meu amigo note nos tornamos íntimos neste período. Madrugadas intermináveis assistindo e reassistindo a filmes. Dos 999.000 filmes que vi, do que mais gostei foi “um segredo entre nós”. Rodado em 2008, fala sobre histórias veladas de família ecoando nos protagonistas durante as suas vidas. Sou um tanto suspeita para falar pois ainda não vi filme estrelado pela Julia Roberts desinteressante.

                  Nesta história, Julia interpreta a mãe de um escritor marcado por traumas de infância. Quando morre, o filho descobre o caso dela com um homem mais jovem. Além disso, alguns outros segredos vêem à tona, como a maneira que seu pai o torturava na infância. A morte obriga que ambos tenham novamente de conviver. A presença incômoda do antigo algoz faz o passado ser revivido

                    Conheço gente assim. Gente traumatizada, travada em algum ou vários aspectos por ter vivido situações dramáticas na infância. É triste ver os estragos que o despreparo de alguns pais pode acarretar numa pessoa. É doloroso conviver com marcas involuntárias duma infância mal tratada feitas numa alma. Muitos jamais se recuperam.

                     Quando somos adultos, aprendemos a nos defender dos traumas. Há um bom tempo estou tentando lidar com os meus. Os antigos, difíceis de mudar, eu os bloqueio até achar um jeito melhor de resolvê-los. As situações novas, passíveis de me traumatizarem, finjo não terem acontecido. Não olho. Não paro para pensar nelas. Não dou chance de se tornarem um empecilho na minha vida. Já ouvi da minha mãe um chocante: -“tu não tem coração” por isso. Já deixei outros tantos sem graça ao me perguntarem “tu não morava em tal lugar?”e eu responder um lacônico não. Detalhe, a pessoa sabe quem eu era e também sei quem é a criatura. O meu não evita estender a conversa. Não era eu. Não aconteceu. Não precisamos falar neste assunto. Não preciso revivê-lo e sofrer mais uma vez. Pronto.

                     Se ter coração é se obrigar a sofrer. Chorar por coisas que você, por algum motivo, teve de viver, prefiro não tê-lo. Sofrer não é indício de ter coração. Tenho coração para amar. Para sofrer eu tenho fígado…dá-lhe cerveja!

                         Trauma tem às pencas por aí dando sopa, louco pra entrar na cabeça da gente e destruir nosso tênue equilíbrio. Já tenho os meus, obrigada. Não aceito novos. E se o preço for a frieza, pagá-lo-ei. Marthinha fala da “mulher culpa zero”. Piaf canta visceralmente “non, je ne regrette rien” (não, eu não me arrependo de nada). Viu, não sou a única!

                       “Um segredo entre nós” não vale apenas pelo lindo Ryan Reynolds de barba, óculos e gravata- o genro que a mãe queria- vale também pra refletir até que ponto deixaremos os traumas influenciarem nossas vidas.

Publicado em: on Junho 4, 2009 at 10:29 pm Comentários (1)

O menor conto de fadas do mundo

mariliag(Autor desconhecido)

Era uma vez uma linda moça que perguntou a um belo rapaz:
- Você quer casar comigo?

Ele respondeu:
                                                    – NÃO!

     … E a moça viveu feliz para sempre! Foi viajar. Visitou muitos lugares. Vivia fazendo compras. Conheceu muuuuuuuuuuitos outros rapazes. Trocou de carro. Redecorou a casa, foi promovida no emprego…

                Sempre estava de bom humor e com a pele boa, pois não tinha sogra. Não tinha que aguentar mau humor de homem, nem bagunça ou choro de criança. Não tinha que lavar, passar, cozinhar e nunca lhe faltava nada. Saía e bebia com as amigas sempre que estava com vontade . Ninguém mandava nela.

              O rapaz? Ficou barrigudo, careca, o pinto caiu, a bunda murchou. Ficou sozinho e pobre  pois nenhum homem constrói nada sem uma mulher.

                                                                         FIM

Publicado em: on Maio 14, 2009 at 11:12 pm Comentários (3)