Simples assim…melhor

and_now_she_is_five_bPoucas vezes vi tamanho susto no seu olhar como quando eu afirmei não ser apaixonada por você. Os cafés esfriaram nas xícaras. As gôndolas perderam o colorido dos rótulos da sua geléia favorita. A cena parou por instantes. Não era cena. Eu, definitivamente, não sou apaixonada por você.

                            É um pouco maior. Não há a inconstância de uma paixão. Não há desespero. Ninguém se sufoca. Não existe sofrimento. Agonia. Pressa. Eu não preciso de você. Eu quero você. Não porque você me completa. Porque me acrescenta. Me faz melhor. Eu quero teu olhar por perto. Teus dedos passeando pelo meu corpo. Teu cheiro no meu travesseiro. Quero nossas conversas regadas a café ou a edredon. Quero tardes de sol e noites de chuva com você.

                       As vezes você acredita que não pressioná-lo é uma tática para mantê-lo próximo. Ledo engano. É um aprendizado constante: curtir o dia-a-dia. Cada evolução. Conhecer teus gostos. Teus trejeitos. O que cada franzida de testa quer dizer. Não é prender. É crescer. É a primeira vez que o tempo se torna meu aliado. Eu não me preocupo com ele. Ele não se preocupa comigo. Ele me deixa viver aos poucos. Eu o deixo passar sem atropelamentos.

                          Sempre precisei de atos grandiosos. Eu queria chuva de pétalas de rosas e EU TE AMO em out-doors espalhados pela cidade. Ah, claro, tudo isso em, no máximo, uma semana. E assim como começava o encanto, desfazia-se no ar. Na terceira semana, afinal, já uma eternidade para a intensa relação, eu olhava a pobre criatura [mais tola que eu] e pensava: o que mesmo eu vi nesse próximo? Simples, não tinha visto nada. Tinha projetado carências. Nem me interessava exatamente quem fosse. Contanto que me amasse. E assim eu sumia. Acabando com os planos vitalícios já arquitetados em conjunto com a vítima. Inventava uma desculpa bem esfarrapada [ou nem isso] e desaparecia. Ansiava pela paixão [avassaladora] e não pelo amante. Me perdoem os corações que parti. O meu estava em pedaços.

                             Paixão subentende turbulências. Exageros. E exatamente por isso não estou apaixonada. É um pouco melhor. É como desligar o celular. Um não se preocupar com o depois. Um “foda-se o resto” quando estamos juntos. Não apressar nada. Nem mesmo por uma definição do que vivemos. Sem nomes. Sem pressão ou intenções. Nenhuma projeção. Eu enxergo você. Você me enxerga. E eu gosto muito de você agora. Melhor que paixão. Melhor que planos de pra sempre. Simples assim.

Publicado em: on Outubro 17, 2009 at 7:39 pm Comentários (1)
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Eduardo e Mônica

whats_that_then_bHoje reencontrei uma amiga que não via há meses e tive de desfazer uma das suas ilusões[foi mais forte do que eu!]. Há algum tempo, depois do término do meu antigo relacionamento, quando ela o viu com outra pessoa, me disse algo que carrego até hoje. Chegou, chocada, na minha casa e esbravejou: “-meu, quando eu vi ele com aquela moça [ok, não foi bem moça o termo usado na ocasião, confesso] me caiu a ficha: vocês realmente terminaram. Não tem volta.”

                    Na verdade, ela e quase todos os mais próximos não acreditam até hoje no término. Têm uma esperança, ainda que remota, duma reconciliação. Porque terminamos amigos. O amor homem-mulher [Eros] mudou. Continuou sendo amor [Ágape] mas agora Philos. Amor de irmão, de cúmplice. Amor que continua a proteger. Amor que se alimenta da felicidade do outro.

                      Tenho uma lembrança viva da expressão dela enquanto falava sobre a ficha cair. A decepção era visível naquele rosto que já havia sofrido um divórcio e tinha voltado a acreditar no amor olhando pra mim. Ela lamentava: -“Meu deus, se vocês terminaram é porque nada mais nesse mundo foi feito pra durar. É como se Eduardo e Mônica tivessem pedido o divórcio.”  

                  Então hoje, enquanto tomávamos um chope e falávamos sobre relacionamentos, tive de contar o que calei naquele dia: -“amiga, Eduardo e Mônica se divorciaram em meados dos anos 90.” Cortou o meu coração decepcioná-la novamente. Neste momento, ela brada: -“mas nenhum  casamento mais dá certo. Que horror!”

                   Discordo. O que é dar certo? Durar infinitamente ou ser bom para ambas as partes? Se dar certo é ser eterno, dificilmente vai-se encontrar algum mesmo. Ou vai achar mulheres carregando como estandarte o lema: “não sou feliz mas sou casada”. Entretanto, se “dar certo” for ficar junto enquanto for bom para os dois. Enquanto se fizerem felizes. Enquanto houver amor o suficiente [e respeito] para serem amigos confidentes, parceiros, então creia, o meu quase casamento deu [e muito] certo! Vinícius estava coberto de razão : “ que não seja imortal, posto que é chama mas que seja infinito enquanto dure”.

Publicado em: on Setembro 28, 2009 at 6:14 am Comentários (1)

Que bonito postar bêbada…

untitled_0076_bNão me pergunte o motivo. Eu gosto de você. Apesar de vc jamais ter sido generoso o suficiente para me dizer o mesmo. Gosto de cada linha de expressão a cortar teu rosto. De cada risada que franze o teu nariz. Não resisto à nudez da tua nuca. E penso mais do que deveria em beijar tua testa…

Sentada naquela mesa, ouvindo o mesmo músico tocar canções conhecidas e tomando a mesma cerveja [auto-flagelo?] você fazia falta. Há um lugar em mim que é teu. Talvez porque  jamais o tenha querido ocupar.

E digam o que quiserem, me recuso a enxergar como um erro. Nem o início, nem a retomada. Porque me encontrava em cada riso de cretinices nossas. Em cada vez que você confessava ter-me lido.Ou cada afirmação de que tua filha é o mais importante na tua vida. Parece estranho mas era uma das coisas que me atraía em ti. Teu fascínio pela continuidade tua. A busca [inconsciente] pelo eterno. O não se perder no tempo.

Olho pela janela e, apesar de meu estado entorpecido, vejo uma tempestade violenta se aproximar. Tão lancinante quanto a minha dor. A dor de quem parte querendo ficar.

 

P.S.: se eu nunca te disse, sinto tremores quando tua janelinha do msn ou do skype sobe…paixão moderna!

 E eu teria sido sua até que os céus desabassem se você me tivesse dado um sinal, ainda que sutil.

Publicado em: on Setembro 8, 2009 at 5:57 am Comentários (1)
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o lugar

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” os livros na estante já não têm mais tanta importância

do muito que eu li

do pouco que eu sei, nada me resta

a não ser a vontade de te encontrar

o motivo eu já nem sei

nem que seja só para estar ao seu lado

só pra ler no teu rosto uma mensagem de amor”…

Publicado em: on Setembro 7, 2009 at 5:31 pm Comentários (1)
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Telegrama

121718Ei, psiu!

 Você pode não me ligar

 Pode não me procurar

 Pode me deixar em suspenso

 E minha companhia em segundo plano 

Mas creia, baby, você está perdendo o melhor de mim…

Publicado em: on Setembro 4, 2009 at 3:13 am Comentários (1)
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Colcha de retalhos

fly_by_b                      Esta semana, conversando com uma amiga estávamos enumerando os tipos que namoramos. Lembramos da lista particular e quase bizarra de cada uma. Engraçada pelas referências: o gordinho, o baixinho, o que se achava a última bolachinha, o bandido, o usuário, aquele que usava óculos, o DJ, o cretino…e assim seguia o rosário.

                      O mais interessante era o contraponto de cada criatura: o gordinho tinha um senso de humor incrível. O baixinho era um baita parceiro de bebedeiras. O careca tinha aquelas tatuagens lindas e um corpo de tirar o fôlego. O que se achava a última bolachinha do pacote era ótimo de cama. O bandido me tratava como uma rainha. Era seguro de si. Pegávamos a estrada sem rumo e sumíamos por vários dias. Só às margens da BR decidíamos pra que lado iríamos. Liberdade! Ok, até que ele foi preso. O usuário costumava me levar café na cama e recitar poesia baixinho no meu ouvido. Aquele que usava óculos, bem, aquele foi meu príncipe e quase me levou ao altar… além das meninas dizerem que é a cara do di Caprio! Ainda é o preferido da minha mãe. O DJ? O DJ era uma fantasia de adolescência- toda mulher já sonhou em ficar com alguém badalado, popular e liiiiiindo! E tinha um jeito de passar o braço atrás do meu pescoço em lugares públicos, eu me derretia. Até o cretino tinha seu contraponto. Foi meu parceiro de garrafas de vinho na areia da praia vendo o sol nascer. E destas “auroras de róseos dedos”sinto saudade.

                                   Cada um deles me trouxe alguma coisa que quando foi embora levou consigo. Uma humanidade só dele. Por isso pessoas são insubstituíveis. São únicas. Porque o sol batendo no rosto dele e iluminando seus olhos azul-piscina é um momento só nosso. Carrego saudade de todos. Ainda os amo. Todos duma maneira particular. Tenho problemas para me desapegar. Sinto falta das humanidades de cada um. Sou uma mulher melhor porque eles cruzaram o meu caminho. Sobretudo porque sou aberta aos encontros e desencontros da vida. Porque entrego meu coração e me lanço, destemida, a todos os meus romances. Porque me dou àqueles olhares em que reconheço certa familiaridade estranha e quase elétrica.

                                        Ok, eu não seria hipócrita a dizer que cada um muda o rumo da minha vida. Mas cada um me acrescenta algo. Talvez por isso eu seja tão incoerente. Sou uma colcha de retalhos dos meus relacionamentos. E quem não o é? O que não me trava em elos futuros. Bem pelo contrário. A possibilidade de descobrir estas particularidades em novas pessoas só me instiga.

                                        Estou sempre pronta a me apaixonar de novo e novamente. E mais uma vez se for o caso. Contanto que eu ganhe o brilho no olho e aquele sorriso incontrolável, meio de canto, mordendo os lábios. Quando acometida de paixão, eu fico estonteantemente mais bonita. Na pior das hipóteses, ele vira um bom texto. Eu costumo perder o amor. A capacidade de amar, esta, ninguém há de me arrancar. Ou eu não escreveria.

Publicado em: on Julho 5, 2009 at 5:22 pm Comentários (1)

Três anos

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Ainda posso ouvir o som da tua risada naquelas tardes de inverno, nas nossas conversas. Sinto o cheiro ardido e particular do teu palheiro. O jeito de passar a palha, de cortar o fumo. Ouço o ronco da cuia e te revejo sentada num canto da casa da gente, de perna cruzada. Num canto, dentro da sua infinita humildade, tudo pra não incomodar. Sempre vejo você assim: humilde, sábia e espontânea. No seu canto. Na “sua casinha” como costumava falar. Rememoro as tardes brincando de comadre, o gosto do mate-doce e das roscas fritas.  Lembro daquele quadro negro em que você me ensinou a escrever meu nome. “A Bruna nasceu pra escrita”, dizia do alto da sua sabedoria, a minha primeira professora.

É, nasci para a escrita. Mas não deu tempo de você ler. Desde que você se foi, trabalhei, entrei na faculdade, fiz um monte de besteiras. Conheci o amor, me mudei mais algumas outras vezes. Emagreci e engordei uns 50 quilos. Mudei a cor do cabelo, o corte. Tive bons verões. Aprendi a amar a mãe como ela é. Deixei de falar com o pai. Escrevi e amei violentamente. Nada disso você presenciou. Não deu tempo de ver sua última benzedura dar certo. Ou suas previsões se concretizarem.

Não deu tempo de ver a beleza que só você enxergava em mim aflorar  e a mulher linda que me tornei.Você sempre soube. Nem viu os meus textos. Queria lê-los pra ti. Faltou tempo pra gente sentar e tomar um mate doce junto de novo. Faltou me ensinar um pouco sobre as ervas. Tu levou tanto contigo. E deixou outro tanto em todas nós. A mãe ficou com tua força e a tua pouca cerimônia. Eu, tua intuição. A Pri tem tua vaidade. A dinda herdou a tua fé. A tia Oraide, teu abraço. Somos todas um pouco de ti. Por isso tamanha saudade. Te enxergamos em nós.

Só escrevi porque daonde você está eu não tenho o CEP. Também não vou pôr meus pés onde seu corpo descansou. Se alguém me ensinou que a vida transcende a carne, foi você. Então escolho ficar com teu riso rasgado e sonoro, tua mão lisinha. Teu cheiro de banho. Teu pó de arroz e o creme para o rosto. O fogão a lenha. Prefiro a vida. Assim você ainda estará aqui.

Escrevi porque mesmo depois de três anos, sinto tua falta. Todas sentimos. E certamente hei de senti-la por toda a minha vida. Por tudo o que não deu tempo de fazer.Teu lugar estará vago no meu casamento. Nos aniversários, nos partos. Nas reuniões de família. Mas sobretudo, o vazio da tua ausência será palpável na minha formatura. Depois de tantos anos estudando, queria ganhar parabéns da minha primeira professora. Da figura feminina mais forte na minha história. Da minha avó.

Um abraço bem apertado – que me perdoem os outros!- da tua neta favorita

Bruna

Publicado em: on Junho 9, 2009 at 7:22 pm Comentários (1)

O amor acaba.

                      bjo eu e rafa  O amor sempre acaba. Numa esquina. Numa praça. No lugar que começou. Acaba com um beijo. Com um grito. Com a melhor ou a pior transa da sua vida. Termina no caos. Em sangue, suor, desesperança. No silêncio. No escuro. Nostálgica ou idilicamente. Mas ele sempre acaba.

Acaba e leva consigo a paz e o desespero. O amor traz a inquietude. E quando acaba pode levá-la ou não. Escolha aleatória dele mesmo. Acaba numa manhã raiando ou num abraço de despedida. Acaba num tapa. Num telefonema.

 

                                   O amor acaba. Ponto.

 

                        E agora me pergunto: -devo te confessar o inconfessável?

 

“se a gente não diz, não grita, o momento passa”…e amor não é amor quando é escondido…

 

                     Preciso que saibas. Ainda que não mude nada:

 

Aqueles foram os momentos mais felizes da minha vida. E todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida…

 

Eu te amo!

 

                          O amor acaba e estamos sempre prontos pra que ele renasça. Renasça numa manhã de chuva. Numa praça movimentada. No corredor do prédio. Num tropeço. “A procura medrosa, paciente de mais e mais amor”…

Publicado em: on Maio 20, 2009 at 1:25 am Comentários (1)