Aos que são amigos. E como amigos, anjos

Ok, ok. Vocês venceram.

anjo da guarda            Reza a lenda que às vezes- quando estamos surdos a ele- o nosso anjo da guarda fala pela boca de nossos amigos. Neste caso, acredito que falou pelos dedos dos meus. Obrigada aos que se deixaram ser instrumento dele.

         Prometo que, em breve, volto a ser aquela força da natureza pronta para os desencontros da vida com gargalhadas sonoras…

Publicado em: on Maio 14, 2009 at 10:51 pm Comentários (1)

Dormir de conchinha

 

rho_and_mia_bFazer sexo não é um privilégio nosso, qualquer animal transa. É instintivo. Dormir de conchinha é uma característica específica humana. Ok, você terminou a noite com o cara mais lindo da balada, ele era muito bom de cama. Até aí você está achando que ganhou na mega-sena sozinha e acumulada. Quando acabou a performance do seu Apolo, o moço simplesmente virou para o lado oposto ao seu e cochilou. Ou pior, perguntou se foi bom pra você.

Você namora há algum tempo, o sexo é bom embora não seja mais repleto de novidades. Vocês combinam, se entendem, têm carinho um pelo outro. O antes é ótimo, o durante é realmente muito bom mas o depois deixa a desejar. Vocês não conseguem dormir de conchinha. Você acorda com torcicolo, o braço dele formiga. Não é falta  de amor, é incompatibilidade anatômica mesmo.

Eis que um belo dia ou uma bela noite você fisga um cara interessante encostado na bancada dum certo bar que toca as músicas da sua adolescência. Acha ele charmoso, a atração é mútua e você, que não é mais uma menininha resolve ir para a casa dele. Pronto, momento perfeito, esqueça os tabus! Você se surpreende com o antes, absolutamente incrível para a pouca intimidade que vocês têm. O durante, bem , o durante não é necessário comentar. Ele tem não apenas aqueles olhos de gato mas um fôlego felino. Depois de alguns orgasmos você já está exausta e não espera mais nada da “descoberta do ano”.

É neste ponto que ele a surpreende mais uma vez. Existe um depois. Sim, ele tem o sorriso mais lindo do universo, um cheiro irresistível no cabelo encaracolado e na pele absolutamente alva, a carne branca te lembrando pêssegos. Ele vai se chegando por trás e manuseia seu corpo como poucas vezes o fora. Quebra a maior de suas resistências, a sua mais alta barreira: sim, ele dorme de conchinha com você.

Logo você que acordava com a coluna parecendo um 8 quando seu namorado tentava envolvê-la neste ato romântico. Alguma coisa está errada, você pensa. É simplesmente uma transa casual, você não tem a mínima intenção de se apaixonar entretanto começa a se perguntar onde ele estava até agora. Ops, hora de retroceder. Entoa mantras como: “mulher inteligente pega e não se apega” . Mas logo está repassando a noite anterior -maldita conchinha, pensa.

E poderia ser o jeito que passa o braço em cima de você quando estão no cinema. Dormir de conchinha é uma daquelas pequenas humanidades que não me canso de citar. As coisas que tornam alguém único e insubstituível, como o jeito que ele mexe no cabelo ou ajeita os óculos. Aquela carinha que faz quando vai olhar algo distante. Ou o jeito carinhoso que só ele te chama. É o que faz com que nos apaixonemos ou não por alguém. O ponto crucial que faz você querer ele e não outro, o critério de desempate.

 Sobre o cara que dormia de conchinha? –ela não se apaixonou por ele. Também não o esqueceu. Nisso, ele se tornou único…e no cheiro de Xampu.

Publicado em: on Abril 20, 2009 at 10:19 pm Comentários (3)

Vale a pena apagar uma parte da sua memória?

a_time_to_play_b1Cientistas da Universidade Estadual de Nova Iorque descobriram uma substância capaz de destruir entre os neurônios as conexões responsáveis por uma parte da memória. Ouvi alguém na mesma sala em que eu assistia à reportagem dizer que sim, que valeria a pena apagar partes  que a faziam sofrer.

 

Ok, mesmo achando absurdo alguém, com mais de cinqüenta anos,  ainda não ter aprendido a perdoar e esquecer certas coisas, me pergunto se nossa memória não é parte importante do que somos. Parto do pressuposto que se nós somos o que somos é porque vivemos coisas que nos marcaram assim.

 

É impossível alguém trazer tantas lembranças ruins que interfiram nas boas. Lógico, lembranças dolorosas como presenciar um assassinato ou ser vítima de estupro merecem mesmo ser exterminadas de nossa cabeça, nem que seja cirurgicamente. Mas uma briga, um amor que te abandonou, um amigo que te traiu ou os erro dos seus pais são coisas que fazem parte de quem você é.

 

Somos uma soma de cada lágrima que rolou, de cada despedida, cada traição que nos deixou mais esperta ou briga que nos fez mais fortes. Somos adultos para entender que nossos pais não sabiam tudo, afinal, passamos por esta experiência -ou vamos passar- e notamos que um pai nasce junto com um filho.  Não foram as vezes que puxaram nosso tapete a mudarem nosso rumo, entretanto precisamos da lembrança da queda para buscarmos forças e nos levantarmos 20 mil vezes se for necessário.

 

O passado, quando sabemos lidar com ele, serve para nos impulsionar numa situação futura. E lidar com o passado, com as más lembranças, nada mais é do que crescer, descobrir o quanto se tem valor diante do mundo. Desvelar nossas forças. Lidar com o passado não é recordá-lo todos os dias, toda hora, pensar no quanto fomos infelizes em determinada situação ou se colocar pra sempre numa posição de vítima. Lidar com o passado é tê-lo num cantinho, numa gaveta, que fica grande parte do tempo fechada e só é aberta quando buscamos um exemplo. Ou quando a gente pergunta baixinho a si mesmo: “será que eu vou conseguir?”

 

Apagar a memória! Você apagaria da memória o cara que te deixou por outra? Sim? E as noites incríveis que vocês passaram juntos? Elas iriam também. Você apagaria a sua mãe da sua memória só porque em determinado período ela foi sua algoz? Mas e as vezes em que ela te pôs no colo e te consolou quando o mundo parecia contra você? Não, né?

 

Tudo tem dois lados, não adianta. É uma constante universal. Você pode chorar, espernear, tentar construir um conto de fadas em cor-de-rosa porém, em algum momento seu castelo-inteiro ou só em parte- vai desmoronar.  E cabe a você reconstruí-lo, agora com vista para o mar. Quanto ao castelo que caiu, você não precisa apagá-lo. Use seus alicerces. Afinal, você gastou tempo da sua vida para construí-lo.

 

Tem coisas das quais não adianta fugir, e uma delas é de que somos feitos das experiências que vivenciamos. E se somos bons hoje, se somos felizes, é porque tudo aconteceu na medida certa. O abandono do cara que você amava era necessário, as brigas com seus parentes, os empregos que perdeu, os vestibulares em que não passou, a bomba de escola, cada lágrima derramada, cada momento de desespero, cada fundo de poço…tudo isso é você. Além do mais, não foi nada disso que realmente mudou a sua vida.

 

O que mudou seu rumo foi o vestibular em que você passou. O apoio que seus pais te deram, quando você precisou. O abraço da sua irmã quando você voltou de viagem. O emprego que você conseguiu. O cara que te quis e te amou como ninguém. Os amigos que ficaram do seu lado e os elogios que recebeu. O resto? O resto é história e também faz parte mas, creia, não muda.

Publicado em: on Abril 17, 2009 at 1:19 am Comentários (2)

Uma revolução silenciosa

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Sabe aquela história de que as melhores essências estão nos menores frascos? Pois é, caiu por terra ou só vale mesmo para perfume. Se bem que tenho lá minhas dúvidas. Tem muito perfume em frasco de 60 ml desbancando os consagrados bálsamos vendidos a preço de ouro em pó. Mas aonde realmente quero chegar é numa frase da minha mãe: “Mulher grande é que é mulher bonita.”

Jamais imaginei a dona Neca algum dia concordando com essa minha teoria polêmica. Neste verão tive uma grata surpresa. Ao ver eu e minha irmã arrumadas para sair exclamou: -“Graças a Deus, tive filhas grandes! Coisa feia mulher pequena!” E nós lá, do alto de bem mais de 1,70m mais os saltos, com aquela estrutura óssea de madonas italianas nos sentimos quase como um sacerdote a converter um ateu. Logo a mãe, que sempre lutou para ser esquálida – e por muitos anos o foi, violentando o próprio biotipo- elogiar nosso porte…os tempos mudam.

O padrão de beleza finalmente deixa de observar a passarela e volta o olhar para as páginas de revistas masculinas. Recheadas de modelos voluptuosas, seios fartos, coxas, bumbum, panturrilhas avantajadas, fazem as mulheres normais, não-anoréxicas, se sintam lindas dentro de seus jeans 40, 42 e 44.

          De uns anos pra cá, a ditadura do manequim 36/38 vem caindo. Anorexia e bulimia, em breve, só farão parte de editoria de polícia.

A partir do fim dos anos 90, a saúde entrou na moda. Em Santa Catarina mesmo, modelos com IMC abaixo de 20 não podem desfilar. São as mortais sendo vingadas! Temos de agradecer às precursoras do movimento em prol das gostosas. E agora só se leve em conta os corpos das beldades- Carla Peres, Sheila Mello, Joana Prado, Kelly Key e, mais recentemente,  Mulher Melancia e a Priscila do BBB.

Foram todas importantes para mudar um pouco o padrão de beleza midiático. Passamos por uma revolução silenciosa. No mais, sempre achei que este padrão imposto pela indústria da moda não é exatamente o predileto dos homens (heteros). Afinal, quem são os homens que escolhem as modelos para desfilarem nas passarelas das semanas de moda pelo mundo? –Os estilistas. E estilistas, em sua esmagadora maioria, são o quê? –Exato, gays. E gay lá gosta de mulher? –Só as ingênuas acreditariam nisso. Eles, na verdade, morrem de inveja delas.

Portanto, viva à Playboy, abaixo aos editoriais de moda!

Publicado em: on Março 12, 2009 at 12:07 am Comentários (1)

Novos tempos e novas doenças

motion_study_b2Há coisas que realmente acho desnecessárias na sociedade moderna. Uma delas é esta moda de todo mundo ter uma patologia psiquiátrica. Ninguém  mais fica cansado ou exausto, está estressado. Está triste ? –Não, está em depressão. Entediado? -Imagina, definitivamente, o sujeito é bipolar. A pessoa não está desligada, tem déficit de atenção e se der, ainda toma umas boletinhas pra dar um jeito no problema.

Parece que virou moda essa coisa de ter uma doença. A vida moderna exige um stress, uma crise bipolar, uma “neurasteniasinha” quem sabe, e se você ainda não tem a sua, lamento, você está ultrapassado. Não que tudo isso seja uma ilusão e estas doenças não existam, existem sim, mas será que com tamanha incidência como se comenta? Será que é uma obrigação do século 21 que todos tomemos uns comprimidinhos para enfrentar o dia-a-dia?

 Concordo que a rotina em 2009 é bem diferente de uns 20 ou 30 anos atrás, porém talvez as soluções sejam similares. E agora pode me chamar de  retrógrada e  atrasada contudo, ainda acho que um passeio ao ar livre pode “aliviar o stress”. Cuidar da alimentação, dormir direito, fazer exercícios ou trabalho voluntário, pintar, escrever, bordar, criar  pode dar um jeito nos tais problemas antes que se corra direto à farmácia.

Ocupar o tempo é importante, tomar sol, parar um pouco de olhar só para si -ainda que quase ninguém realmente se enxergue- pode” dar um up”sim, é a tal adaptação do que as avós diziam: “Nada como um bom tanque de roupa suja pra lavar”….

Publicado em: on Fevereiro 27, 2009 at 6:40 pm Comentários (1)

Aviso aos navegantes

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Pensei em várias maneiras de começar este post

Chegou a me passar pela cabeça palavras bem formais do tipo:

“Comunico que esta página entrará em recesso…”

Todavia, meus leitores entendem a economia de vocábulos para explicar minha ausência nestas férias antecipadas.

Gente, vou ali  ser feliz e já volto! Bjo, me liga! (inferência clara à dona Suellen)

 

P.S.: “A saudade é o sentimento mais urgente que existe.”

Publicado em: on Dezembro 4, 2008 at 2:27 pm Comentários (1)

Respondendo Raquel…

 

O texto que posto algumas linhas abaixo não é meu, o único do blog que não é da minha autoria. São palavras escritas pelo meu conterrâneo Marcelo Canellas, que costuma retratar em séries de reportagens a injustiça social, não preciso dizer que sou fã dele!

 

 

 

 No fundo, acho que todos os bons jornalistas são primados por este sentimento de responsabilidade social, como reza a lenda, a maioria deles é inveteradamente de esquerda. Entretanto, isto só entrou em pauta porque esta semana fui questionada a respeito das minhas expectativas profissionais e o que me levou ao jornalismo por uma vestibulanda que se disse minha leitora desde os tempos da Tribuna (confesso a lisonja).

 

 

 

Olha, Raquel, acho que no fundo é isto: sempre tive afinidade com as palavras, escrever pra mim é um ato tão natural quanto respirar, sou uma leitora voraz (ok, mas por isso eu teria simplesmente terminado a faculdade de Letras) e o mais importante: sempre gostei de pessoas, de pessoas de verdade, não de gente fútil, não de gente capaz de dar muita grana para o cachorro no pet shop e incapaz de mandar um jogo de toalhas aos desabrigados da enchente em SC.

 

Gosto de gente, gosto de vida, gosto de fazer a minha parte. Creio que seja importante fazer um trabalho social voluntário, doar umas roupas pelo menos uma vez por ano contudo, acho que não é o suficiente. Quando resolvi fazer Jornalismo, foi porque eu tinha um sonho, o mesmo sonho que conservo até hoje, o de denunciar injustiça social, de conscientizar as pessoas.

 

 Sou, essencialmente, uma repórter de polícia (e pode chamar de porta dos fundos do jornalismo, não me importo, é o que me move e faz me sentir viva) eu gosto de realidade, Raquel, gosto de presídio, de delegacia, de cobrir assalto, tráfico, furto, mas antes de tudo, eu gosto de falar sobre as causas.

 

 De esquerda? –Talvez. Acredito que um traficante seja tão vítima duma sociedade desigual quanto a mãe que teve o filho morto por uma bala perdida. Acredito que as pessoas não nascem más, todavia, sendo tratadas sempre duma maneira indigna da condição humana por uma sociedade que as subjuga elas podem não ter o nosso mesmo juízo de valor (nosso, de quem teve oportunidade). Desde que comecei a sair da minha redoma de educação burguesa, descobri que todos merecemos respeito, dignidade e oportunidade, é isso que guia a minha vocação.

 

 

 

Não faço Jornalismo porque , como a maioria dos meus colegas, sou uma “modelo-atriz-cantora” frustrada e vejo nele uma porta para uma emissora, entrei por paixão e por idealismo.

 

 

 

Acredito piamente -e talvez seja esta a minha maior ingenuidade- que dá pra salvar o mundo se cada um fizer a sua parte. Não acredito em discursos, acredito em consciência e informação. As vezes acredito em sensacionalismo porque o caos da vida diária nos tornou inertes e em alguns momentos conseguimos assistir a cenas dantescas em telejornais e continuar jantando como se nada tivesse acontecido. O inferno é a nossa normalidade.

 

 

 

Num momento delicado como este, a sensação que tenho é de incapacidade, plagiando uma professora de uma sensibilidade incrível “nada do que façamos será o ideal”, mas cada um deve colaborar com a sua parte; a minha, quero que seja esta.

 

 

 

Entrei no Jornalismo não porque queira fazer coluna social, nem cobrir esporte, nem festa de inauguração, embora tenha de fazê-lo em alguns momentos. Entrei porque acredito que veicular a informação duma forma correta (mostrando os dois lados, o das nossas autoridades omissas e o dos que sofrem todo o tipo de discriminação) possa conscientizar as pessoas e levá-las a uma mudança de postura no que tange a situação dos menos favorecidos (odeio esta expressão!). Sonho com o dia em que alguém vai ler uma das minhas matérias e vai levantar a bunda do sofá, parar de reclamar dos políticos corruptos e fazer a sua parte, doando não o que não usa mais mas o que ainda poderia usar ou passando não o tempo ocioso ministrando uma oficina profissionalizante numa zona carente mas adaptando um cronograma pra isso que lhe tome tempo hábil. Ou quem sabe, que em vez de reclamar do político, pelo menos se lembre em quem votou e vá cobrar prestação de contas do mesmo.

 

Mas acima de tudo, continuo no jornalismo porque acredito que

 

 todos somos iguais, é tudo uma questão de oportunidade. (De presente pra você, Marcelo Canellas, se esta também for a sua paixão)

 

 

 

Sujem os sapatos

 

Sou um repórter de sapatos sujos. Não é que eu seja desleixado. É que ando muito, e há muitos anos. Por isso, trago, na poeira da sola, muitos brasis. Aprendi que este país é um e tantos. Cada lugarejo é uma nação. Nosso milagre é nossa delícia: fizemos dessa miscelânea uma unidade, a ponto de nos identificarmos como brasileiros. Já vi de tudo, mas nunca o bastante, sempre há com que se espantar. Ouvi inúmeros lados, como manda a prudência. Mas escolhi alguns, como exige a consciência.

 

Sujar os sapatos com o pó da estrada, ou com a lama do caminho, ajuda a fazer as melhores escolhas. Algumas vezes, tropecei no engano. A armadilha da aparência está sempre atrás da curva, numa sombra, num regato; onde a gente descansa, cai. Quando levanto, aprendo, fico ainda mais encafifado. De tanto andar, desconfio das cores muito definidas, da água muito limpa, do ar muito puro, do bem muito bem, ou do mal muito mal.

 

Pessoas têm nuances, idéias têm gradações, causas têm contradições. O mundo vem com a casca espessa do logro. Repórter que suja os sapatos encontra ferramentas para descascá-lo. Carpete e ar-condicionado nos dão faca de fio cego. Telefone ajuda, mas não revela o olho, o trejeito, a gatimonha. E assim vou catando os fragmentos da vida para contá-la em sua integridade. Meu negócio é contar aos outros o que vejo. Posso chamar de notícia, de fato, de reportagem; mas, no fundo, é só a vida, nosso bem comum, pois é sempre algo que se compartilha. Não se isola a vida feito um vírus, não se faz da vida uma propriedade particular. Tenho grande antipatia por quem tenta fazer isso usando a força e o poder. Por conseqüência, tenho simpatia pelos fracos, pelos humilhados, pelos pobres. Talvez porque tenha sujado os sapatos o suficiente para conhecer a dor alheia.

 

Tento sempre estar ao lado da dor, mas para que ela seja vista e, assim, superada. Se aprendi bem com as solas que gastei caminhando, é para isso que serve o jornalismo. Prestes a completar 20 anos de profissão, decidi fazer esta prestação de contas com o meu ofício. Dou também um único conselho aos estudantes e jovens repórteres que me lêem agora: sujem os sapatos.”

 

 

 

P.S.: Entendeu agora, Raquel, o que eu quis dizer quando falei que quero ter meus sapatos sujos por toda a minha vida?sapato1

Publicado em: on Dezembro 2, 2008 at 11:09 pm Deixe um comentário

“Pour toi”

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Odeio virtualidades 

Eu quero te tocar!

Não quero tua voz no telefone

Quero aqui, no meu ouvido

Não quero saber o comprimento da tua barba

Quero senti-la roçando na minha pele

Nem me interessa que perfume usa

Quero teu cheiro à minha volta, mesmo depois dum dia inteiro de trabalho

Também não me importa se dorme cedo

Quero te olhar dormir e saber como é acordar do teu lado,

Ver tua cara amassada, o cabelo desgrenhado

Presenciar todas as tuas humanidades

Reconhecer teus trejeitos

Te puxar pra perto

Descobrir teus olhares e temperaturas

Sentir  teu  gosto

E teu abraço apertado que tanto adoro

 

Quero trocar olhares próximos queimando de desejo,

Carícias que não se escreve

Com teus dedos enroscados nos meus cabelos

E ter aconchego no teu braço, quando exausta

Quero brincar contigo, rir contigo

Rir de ti, de mim, de nós

Quero tardes enfadonhas de domingo perdidas entre lençóis

Quero inúmeras partidas de canastra

E muitas bebedeiras com você

Quero longas caminhadas

E se for pra ficar do teu lado,

Até estádio de futebol eu topo!

 

Quero conversas intermináveis

E madrugadas extensas

Ouvir tuas histórias

Te contar algumas minhas

Compartilhar segredos

Sussurrar sentimentos novos

Correr pra ti e saber se as mariposas no meu estômago se acalmam quando estamos perto

 

Quero que me veja nua

Despida de tudo

De qualquer maquilagem

De todo medo

Das expectativas

Dos tabus

E descubra todas as minhas arestas e facetas

Me enxergando como ninguém ainda me viu

 

Anseio pelos nossos momentos físicos

Conhecê-lo em cada respiração, toda textura

Cada gesto, cada riso, todo cheiro

Cada semblante e toda cor

 

Quero, desesperadamente, tua pele na minha

Tua boca na minha

Teu sexo no meu

Quero cada pedacinho de você

E todos os gemidos que puder me dar

Neste sentimento misto

De ternura e lascívia

De te abraçar e te devorar

Entre ambos: minha alma.

 

 

P.S.: Contente agora? Ok, sua vez.

 

 

 

Publicado em: on Novembro 26, 2008 at 4:01 pm Comentários (4)

Terapia à distância (parte II)

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Saaaaau, tô com problemas! Simples, não vejo problemas…estou muito feliz porque já estou de malas prontas para ir dar um “time” deste lugar mas me questiono: será que sempre vou enjoar dos lugares onde moro? Esta minha vontade de levantar acampamento -ou melhor, de nem montar- é normal?

 Se não for, paciência, sou assim mesmo, e me assusta pensar que ainda tenho dois anos em Balneário antes de me formar e ir embora. Se eu não der uma fugida agora talvez não agüente mais nem mesmo um mísero semestre.

 

Ai, Sal, ainda não sei pra onde eu vou, sei que quero ares de cidade grande, quero ruas iluminadas à noite (sem que pareçam motel como aqui!). Quero um bar por perto, um boteco bacana que tenha saquê, vinho branco e Brahma Extra para uma eventual sessão de verdades de mesa.  Hum, quero que haja sebos para eu me divertir em tardes chuvosas quase pirando para escolher entre um exemplar raro de Flaubert e uma edição limitada de tragédias gregas bem traduzidas. Ah, também quero um bom cinema nos arredores, onde eu possa assistir a filmes não tão hollywoodianos nem superproduções, onde eu possa sentar e assistir filmes franceses que  tanto adoro.

 

Bom, também quero -se não for pedir demais- que seja próximo duma academia para eu manter minha meta de ficar mais gostosa ainda. Deixa eu ver, um mercado com frutinhas frescas e pés de alface gigantes também não seria má idéia. Acrescenta aí também que quero um parque nos arredores para eu tomar um chá gelado no final da tarde enquanto leio meus livros recém-adquiridos no sebo. Ah, claro, uma locadora bem bacana cheia de títulos de dvds bem phodas que quero ver e rever, começando pelo meu favorito: “Cidadão Kane”

 

Ah, não quero barulho dentro de casa, ta? Não quero morar mais com gente de caráter duvidoso ou com companhias desagradáveis que fazem minha casa parecer um bordel ou uma penitenciária em dia de visita -tal o nível dos freqüentadores. Quero silêncio para pensar, para escrever, para sonhar até se for preciso, quero que minha casa pareça uma casa e fazer uma nova tatuagem –bem grande!

 

Nestas férias quero ser desafiada a aprender mais do que aprendi até agora na facul, quero sentir que está me edificando o tempo longe de BC. Ah, se sobrar tempo quero pular de pára-quedas, fazer rapel, viajar de moto, descobrir algumas raridades musicais, ir para o boteco,meu lugar favorito de filosofias mundanas… ir a lugares onde nunca pisei.

 Não quero me apaixonar, Sal, mas quero um amorzinho calmo, que me faça rir e goste de muitas coisas que adoro, quero companhia que me deixe ser eu mesma e não me critique, quero sexo de boa qualidade sem sumiços na manhã seguinte e beijos longos, além de mordidinhas no pescoço.

Não quero falar de aquisições nestas férias, Sal, só de vida. Não quero listas de supermercado nem de contas a pagar por três meses. Como vou pagar o cartão de crédito? Banco, me procure em março, tô fechada pra balanço!

 

Quero rever amigos queridos que me fazem tão feliz neste período. Quero voltar a ir a shows de rock, quero uma ou outra muvuca tipo Planeta Atlântida, quero atualizar mais meu blog e ganhar mais abraços, quero muito vento. Sobretudo, quero a sorte de só conviver com gente recheada de conteúdo nestas férias!

 

Sal, me descobre um roteiro urgente, please!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

Publicado em: on Novembro 17, 2008 at 8:59 pm Comentários (2)

Você podia tudo, menos desistir.

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Talvez seja um defeito mas não consigo amar quem não admire

Me desculpe se estiver sendo intolerante, pedante ou mesmo egoísta

Mas você podia tudo, menos desistir!

Você podia gritar, chorar, sapatear, berrar

Podia tomar um porre ou procurar um analista

Podia tomar remédios ou sol

Podia comer tipo condenada ou não comer

Podia comprar, podia andar sem rumo numa tarde chuvosa

Podia pirar dentro do seu quarto deitada no chão ouvindo Djavan

Podia se arrastar como uma sombra dentro de casa com passos silenciosos

Podia morrer de tristeza por 20 horas diárias

Mas não podia fugir das suas obrigações com as outras quatro

As únicas que realmente farão a diferença

 

Você podia virar mártir sim

Mas você podia ter lutado

Juro que poucas vezes algo me decepcionou tanto

Não sei daonde você veio

Não sei de que matéria é feita

Nem mesmo sei se vai chegar a algum lugar

Dor de amor? Passa, tenha certeza, não mata!

Agora, a dor de tempo perdido sem direção, em vão, esta é implacável.

 

Eu não quero te dar conselhos

Não acho que seja uma vitoriosa pra isso

Normalmente gosto de recebê-los de quem chegou onde quero estar

Portanto, não te deixo fórmulas

Deixo apenas minha decepção, minha dor…

Você podia tudo, menos desistir

Não, nenhuma grande vitória por enquanto, eu sei

Mas pelo menos coragem, força e fé não me faltam.

E quando faltam estes atributos a um ser humano, falta-lhe tudo

Pior que perder é desistir.

 

 

Somos feitos da mesma matéria da qual são feitos os sonhos.”(Shakespeare)

 

 

 

 

Publicado em: on at 5:57 am Comentários (1)