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Tem algumas palavras na Língua Portuguesa que me dão calafrios ao serem pronunciadas. Calombo, defenestrar, pungente e, nos últimos anos, COMPLETO. Sim, completo desde que me mudei pra SC, é uma palavra muito perigosa, principalmente se você estiver se referindo a cachorro-quente.

Comentando sobre esta iguaria do fast-food com alguém, começamos a descrever nossos insumos favoritos a envolver a estelar salsicha. Concluí que o aditivo mais “particular”, digamos assim, num cachorro-quente gaúcho é ovo cozido picado. Já vi cheiro verde, queijo ralado, milho, ervilha, molho, mostarda, catchup e maionese além do pão e do guardanapo- confesso, dependendo do meu nível etílico, engulo junto. Mas “completo” em SC pode ser uma viagem sem volta.

 

                                  Se você, gaúcho,  por acaso estiver voltando duma balada em terras catarinenses e avistar de longe uma carrocinha de cachorro-quente, muito cuidado! (Corre, é uma cilada!) Não peça alegremente: -“Um completo!” sem antes se certificar do significado real do verbete.

                                     Esta atitude impensada e crédula no gosto de nossos vizinhos pode trazer uma surpresa desagradável na sua primeira mordida. Você pode encontrar em meio a pão, guardanapo e saquinho plástico coisas impensáveis, combinações absolutamente esdrúxulas como farofa (e não é o nordeste!), purê de batata (como se já não tivesse batata palha!), cenoura picada (faz bem para os olhos!), vinagrete (o que torna cachorro frio!) e o incrível corante das salsichas que as torna alaranjadas (e um pouco indigestas a estômagos não tão resistentes a conservantes). Ah, claro, e por aqui, o “completo” não inclui mostarda nem queijo ralado.

 

                                 Então realize morder pão recheado de farofa e purê de batata. Imaginou? Hummmmmm…se fosse Ana Maria Braga, passaria embaixo da mesa para demonstrar a admiração por esta inovação gastronômica.

 

                            Agora, opinião pessoal, tudo isso é jogada de marketing: a combinação favorece a sede. E convenhamos, não sou expert em cozinha mas farofa com pão combina tanto quanto peixe e mel. Logo, o dono do estabelecimento do cachorro-quente catarinense tem um bom lucro vendendo refrigerante. Uma bomba dessas só desce com uma pet de 2 litros de coca ou de Laranjinha, muito popular por aqui. Ou seja, é tudo jogo de palavras, se usar “completo”, a concordância correta é : -”e uma laranjinha Água da Serra”, é mais garantido.

 

P.S.: Da próxima vez que citar gastronomia, só para os catarinenses não me acharem bairrista, falo mal do chimarrão, tá?

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