lifes_a_breeze_b                           Existem pessoas que nos relembram nosso eixo. Elas não costumam te dizer sempre o que tu quer ouvir. Nem teria graça se assim o fosse. Elas caminham contigo, lado a lado, num duelo interminável com a solidão. E a vencem. Costumam partilhar tuas dores e te desejarem sempre o melhor. Mais do que partilhar a tua dor, elas a tomam pra si. Fez pra ti, fez pra elas. Ainda que tu esteja errada, ela fica do teu lado. Te defende. É quase a máfia italiana. É família.

                                Essas pessoas normalmente te emprestam um pouco de alma, te dão o melhor e o pior delas. Do contrário não seria amor. Vocês se conhecem, se sabem, não se espantam uma com as tempestades da outra. Vocês são uma da outra. A distância numa relação assim é absolutamente irrelevante. Ela pode estar em outro hemisfério, sempre se fará sentir. É amor.

                            A sensação é de que vocês não se escolheram , simplesmente se reencontraram. Ela sabe do teu silêncio e lê tua inquietação. Sabe mais fundo da tua alma que qualquer outro.  Ela sente tua alegria como se dela fosse. E o é. Vocês se carregam pela vida a fora. Buscam o que têm em outros quando acreditam na impossibilidade do reencontro. Não o acham. É só de vocês. Só funciona entre as duas. É sintonia.

                               Vocês até podem ter desistido de se reencontrar, Deus ou o acaso se encarrega de juntá-las novamente. Isso só acontece porque a vertente é pura, tão intacta pela maldade humana, que vocês jamais se traíram. Nem mesmo em pensamento. Vocês se pertencem. Mais do que isso. Vocês de certa maneira são uma a outra. São iguais em muitos aspectos. A semelhança que aproxima e por momentos afasta numa discussão. São almas gêmeas.

                         Sim, vocês discutem, em particular, sem rancores. E porque vocês discutem a relação cresce. Sobretudo, vocês se amam. Se reconhecem. Sentem-se. Se orgulham uma da outra. Amor é qualquer coisa ou nada se não houver virtude. Há orgulho impávido de ser você a escolhida e não outra. Afinal, quem não gostaria de ser a mais próxima dela? É amizade.

                         Esse tipo de relação, há quem chame de amizade. Há quem chame de amor. De sintonia. Até de encontro de almas gêmeas. Desisto de definir. Seria limitar a coisa mais linda e sagrada que tenho na vida. Soa como o sopro de Deus dentro de mim. Costumo, há quase uma década, chamar de um nome que transcende definições: Paula, páza… embora normalmente não precise chamar, ela aparece por si, quando mais preciso dela.

                        “Amizade não precisa ser de infância mas a gente tem plena certeza que cresceu  a partir do momento que a encontrou.”

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                        Num determinado verão em Laranjeiras uma senhora pergunta pela milésima vez a questão que adoramos responder: -“vocês são irmãs?”

                          Resposta: -Somos. De coração.

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