fly_by_b                      Esta semana, conversando com uma amiga estávamos enumerando os tipos que namoramos. Lembramos da lista particular e quase bizarra de cada uma. Engraçada pelas referências: o gordinho, o baixinho, o que se achava a última bolachinha, o bandido, o usuário, aquele que usava óculos, o DJ, o cretino…e assim seguia o rosário.

                      O mais interessante era o contraponto de cada criatura: o gordinho tinha um senso de humor incrível. O baixinho era um baita parceiro de bebedeiras. O careca tinha aquelas tatuagens lindas e um corpo de tirar o fôlego. O que se achava a última bolachinha do pacote era ótimo de cama. O bandido me tratava como uma rainha. Era seguro de si. Pegávamos a estrada sem rumo e sumíamos por vários dias. Só às margens da BR decidíamos pra que lado iríamos. Liberdade! Ok, até que ele foi preso. O usuário costumava me levar café na cama e recitar poesia baixinho no meu ouvido. Aquele que usava óculos, bem, aquele foi meu príncipe e quase me levou ao altar… além das meninas dizerem que é a cara do di Caprio! Ainda é o preferido da minha mãe. O DJ? O DJ era uma fantasia de adolescência- toda mulher já sonhou em ficar com alguém badalado, popular e liiiiiindo! E tinha um jeito de passar o braço atrás do meu pescoço em lugares públicos, eu me derretia. Até o cretino tinha seu contraponto. Foi meu parceiro de garrafas de vinho na areia da praia vendo o sol nascer. E destas “auroras de róseos dedos”sinto saudade.

                                   Cada um deles me trouxe alguma coisa que quando foi embora levou consigo. Uma humanidade só dele. Por isso pessoas são insubstituíveis. São únicas. Porque o sol batendo no rosto dele e iluminando seus olhos azul-piscina é um momento só nosso. Carrego saudade de todos. Ainda os amo. Todos duma maneira particular. Tenho problemas para me desapegar. Sinto falta das humanidades de cada um. Sou uma mulher melhor porque eles cruzaram o meu caminho. Sobretudo porque sou aberta aos encontros e desencontros da vida. Porque entrego meu coração e me lanço, destemida, a todos os meus romances. Porque me dou àqueles olhares em que reconheço certa familiaridade estranha e quase elétrica.

                                        Ok, eu não seria hipócrita a dizer que cada um muda o rumo da minha vida. Mas cada um me acrescenta algo. Talvez por isso eu seja tão incoerente. Sou uma colcha de retalhos dos meus relacionamentos. E quem não o é? O que não me trava em elos futuros. Bem pelo contrário. A possibilidade de descobrir estas particularidades em novas pessoas só me instiga.

                                        Estou sempre pronta a me apaixonar de novo e novamente. E mais uma vez se for o caso. Contanto que eu ganhe o brilho no olho e aquele sorriso incontrolável, meio de canto, mordendo os lábios. Quando acometida de paixão, eu fico estonteantemente mais bonita. Na pior das hipóteses, ele vira um bom texto. Eu costumo perder o amor. A capacidade de amar, esta, ninguém há de me arrancar. Ou eu não escreveria.

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