100_2008

Sempre que confiro as estatísticas do meu blog fico intrigada. Disparado o meu post mais acessado é “Aos que são amigos e como amigo, anjos”.  Esse post , nem de longe, é decente. É nada mais que um agradecimento. Mas está lá, as pessoas acessam ao procurar pelo verbete “anjos”.

            Ouvi conselho de blogueiro antigo: quando se tem um blog, ou você bomba de leitores  ou escreve o que gosta. Escolhi o segundo. Tenho, em média, 70 visitas diárias. Entretanto me intriga a postagem de textos infinitamente melhores não serem tão acessados. Aliás, há textos com boa estrutura – apontamentos, desapontamentos e crônicas- como diria um amigo querido de quem tenho sentido falta. E estes são pouco acessados.

                               Isso só prova uma coisa: estamos tão imersos na fúria barulhenta de nosso quotidiano que estamos buscando um alento em divindades: anjos, gnomos, salamandras, ou qualquer coisa que o valha. Confesso, acredito em anjos, aliás, o meu faz turno dobrado e hora extra sempre que pode. Há cinco anos não descansa, o coitado.

                         Já tive até aquele livro de consulta de anjos, tive gnomos e bruxinhas no quarto. Contudo, a adolescência passou e me tornei minimalista. Extirpei os bibelôs da minha vida. Ainda assim acho necessária a fé. Seja no que for. Respeito. Anjos, bruxas, feiticeiros, búzios, destino…contanto que algo nos console sobre o futuro [ou sobre o passado].Contanto que algo acalme, ainda que por minutos, a poesia –louca e descompassada- do dia-a-dia que nos faz ouvir-nos cada vez menos. Já quis falar a língua dos anjos. Hoje, anseio por descobrir as ações do meu anjo da guarda através dos que me rodeiam. Paulo Coelho escrveu em “As Valkírias” que quando não queremos ouvi-los, os anjos se manifestam através do mais próximo no momento.

 

               “Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos sem amor eu nada seria”…

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