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  Levei muito tempo para concordar com o que me disse enquanto me visitava. “Somos diferentes porque nos completamos. Tu não precisa estar o tempo todo tentando provar ser melhor que eu. Não é uma competição”.

Tenho uma dificuldade terrível para admitir meus erros. Rígida demais. Talvez por isso a dor na coluna, diria meu analista.

Eu tinha esquecido [ou tentado] o quão melhores somos juntas. Contudo,  repassei nossas fotos e percebi: independentemente do que aconteça, sempre seremos uma da outra. Mesmo com a minha estupidez ou a tua cretinice. E até nossos defeitos também são particulares. Cada uma com os seus. 

      Há coisas que só uma extrai[ou enxerga] da outra. Eu vejo o teu brilho. Tu encontra minha inocência. Ainda penso na noite em que tu parou no meio do Pingo pra dizer: -só eu sei o quanto tu amadureceu rápido, mas ainda enxergo a inocência que a pressa te roubou.

Me desculpa, eu errei. Errei quando fui embora e te deixei sozinha. [até nas escolhas certas, existem dois lados]. Tu passou tanto tempo perdida. Confesso, eu também. Nem sei direito se me encontrei já. Ambas perdidas, cada uma reagindo a seu modo. Eu, seguindo em frente e me machucando. Tu, desistindo de tudo. Pedindo para parar o mundo pra tu descer. Fico querendo que tu seja como eu e me esqueço que te amo porque tu é, na verdade, um pedaço de mim. Não um todo.

Isso não é um pedido de desculpas, é um “sinto a tua falta, guria!”. Eu, forte. Tu, doce. Eu, comida. Tu, cigarro. Eu, chapinha. Tu, cabelo molhado. Eu, Cidadão Quem. Tu, Cachorro Grande. Eu, a vó. Tu, a mãe. Eu, intuitiva. Tu, sensível. Eu, palavras escritas. Tu, expressão plástica. Como escreveu Carpinejar “crescemos. Cheias de razão. Cada uma com as suas.” E tudo isso se mistura numa caneca de chá quente no frio do Minuano cortante. Se mistura na hora da confissão. No “cuide bem da sua irmã”.

 

P.S.: até nossos tempos são diferentes. Quando sentir vontade, entra. A casa sempre será tua. Ela jamais deixou de sê-la. Porque eu aprendi, finalmente: o amor não é desespero, é paz. É recompensa.

 Trlha sonora: “duas noites no deserto”- EdHawaii

* antes de qualquer coisa: o uso do pronome “tu” não combina com a flexão do verbo porque, pra quem não sabe, eu sou gaúcha e não fresca.

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