amoEstava assistindo a uma reportagem com o Carpinejar sobre o seu consultório poético e ele conseguiu resumir  minha busca no ato de escrever. Ao entrevistar uma moça com um bebê ele retruca: “tu pode não ter nascido para ser escritora mas nasceu para se fazer próxima de quem tu ama. E isso já te torna uma escritora.”

Às vezes me perguntam porque escrevo tanto sobre [e para] pessoas no blog. Minha resposta é sempre a mesma. Porque sou jornalista e, a matéria-prima do ramo é o conteúdo humano. Ok, me saio bem mas certamente não é a verdade, ou pelo menos, não a essência. Afinal, este espaço não tem ambições jornalísticas. Os textos são, em sua maioria, apontamentos [e desapontamentos].

A verdade é que escrevo para pessoas e sobre elas porque não há nada que me importe mais. “O que importa não é o que você tem na vida mas QUEM você tem na vida.” Não foi o mundo, com sua dureza, a me mudar. Não foram as circunstâncias que me transformaram. O que me lapida são pessoas a quem me dedico.

Porque escrever é o que de melhor posso oferecer a alguém. Sei que não sou tão boa falando, me explicando, agindo [normalmente estabanada]. Escrever é a minha maneira de reafirmar: “ei, você é importante pra mim. Eu sou melhor porque você está aqui.”  Escrever é mostrar o quero que enxerguem  e talvez não consiga expressar pessoalmente. Escrever é parar de me esconder. No silêncio ou no exagero.

Pessoas são mais importantes que lugares. Pessoas são mais importantes que grana. Pessoas são mais importantes que status. Ou não haveria explicação plausível para eu achar Santa Maria um grande lugar. Não é o lugar. É a minha memória afetiva. São as pessoas. As ruas em que eu e minha irmã construímos nossa cumplicidade. Caminhando rápido para exorcizar a tendência de engordar ou nos sábados à tarde [preteridas] quando passeávamos sem rumo e objetivo, só pra passar o tempo. Ríamos fazendo qualquer coisa ou nada…e tendo grandes momentos juntas. Porque me faz o mesmo efeito estar em qualquer lugar que quisesse conhecer quando quem você quer não está lá.

Eu escrevo para pessoas porque são o que me tornam melhor. Quem não ganhou nem mesmo uma nota de roda-pé, me desculpe, não me foi importante. Quem ganhou mais que um texto, normalmente permeneceu. Escrevo para me aproximar. Para dar o meu supra-sumo: minhas linhas digitadas nesta tela branca. Porque nelas está o que há de mais verdadeiro me habitando. [“the moment of  truth in my lies…”]Para que saiba: se você me é imprescindível, me dá o que de melhor eu poderia receber: inspiração. E retribuo em linhas. Com pedaços de alma.

 

Podem dizer: coisa de poeta, não de jornalista. E jornalismo não é literatura feita com hora de fechamento?

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