do_you_want_me_to_look_up_bHoje, lendo o Blog da Atlântida Santa Maria, me peguei chorando. Sabe aquele choro em que se faz beicinho e solta um “eu quero!”?  Raiva, inveja, frustração. Li um post da semana retrasada. Noite de 4 de setembro. Os Titãs fariam show por lá. Puuutz, lembrei de cada vez a que os assisti quando era adolescente. Aliás, tantas bandas bacanas eu vi por terras santamarienses.

 

                                Acho que o choro foi tristeza. Pensei direitinho. Faz anos que não vou a um show de rock nacional. Anos. Simplesmente porque moro em Balneário Camboriú. O paraíso da música eletrônica, do sertanejo Universitário mas MPB e rock brazuca que é bom, nem sombra.

 

                                    Olha, nada contra a cidade, afinal, eu moro, trabalho e estudo por aqui. Coisa inviável em Santa Maria. [Tudo que a gente faz -ou se obriga- por um grande plano]. Mas confesso, é muito estranho às vezes. Mesmo há quatro anos vivendo como catarinense, não me acostumo. Não me acostumo à falta de cultura.

 

                                      Não me acostumo à escassez de livrarias. Gente, eu amo Livrarias! Passar tardes lendo trechos e flertando com grandes autores por estantes… Totalmente navegação de pilhagem… Por aqui, além de poucas Livrarias, a pouca variedade de títulos é deprimente. Se descrever a minha odisséia esta semana para comprar um livro finalista do Prêmio Jabuti 2009, ninguém acredita.

 

                                 Não me acostumo a não ir a shows bacanas. Pra cá só vem Vitor e Leo e cia. Não me acostumo com o preço extorsivo do Cinema. Não me acostumo sem as Feiras do Livro. Os cafés. As conversas em mesa de bar tocando música ao vivo [isso é muito raro por aqui]. Sempre aportam em BC djs famosos, aquela coisa toda que me soa reunião de drogados apenas. Só tomando bala pra agüentar aquele som repetitivo e intermitente martelando uma noite inteira na cabeça. Fora que parece o mesmo cd tocando por horas incontáveis.

 

                                Não me acostumo a caminhar por corredores de locadoras abarrotadas de DVDs e não achar sequer um Ettore Scolla, um Fellini…[um, só unzinho, por favor!] Não me acostumo  a não ouvir um Fito Paez no rádio, aleatoriamente.

 

                           Não me acostumo a não ter um jornal diário decente produzido no Vale para ler de manhã. Pelo menos, sem erros crassos de Português e sangue escorrendo pelo canto da página. Não me acostumo a não ter uma rádio de notícias locais sem comentários carregados de politicagem barata. Não me acostumo com ignorância.

 

               Me chame de bairrista, mas me desculpe, me criei na “Cidade Cultura”. Acho tudo isso violentamente patético.

 

                           Tudo tem dois lados. E este é o lado B da Disney catarinense. O RS também tem seu lado B contudo, a visão é turva quando se está longe. A saudade embaça. Que fique bem claro: este não é apenas mais um dos meus textos carregados de bairrismo. Tem muitas cidades menores que têm uma vida cultural mais interessante que BC.

 

                               Como cantaria Humberto Gessinger “um fim de semana em outro mundo pode ser a salvação…só se for contigo, só contigo duas noites no deserto”. Pri, te encontro numa Porto muito Alegre no próximo feriado. Rola? Me responda com “Pinhal”

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