hand_in_hand_bUma amiga que também não teve pai presente fez uma analogia muito interessante este final de semana. Falávamos sobre os tipos de ex por que já passamos e sua justificativa me intrigou. Perguntávamos-nos o que ela via num determinado cara que namorou por mais de ano. Ele não tinha absolutamente nada a ver com ela. Era anti-social, mais velho, nem de longe era simpático. Ela contra-argumentou: -“é carência paterna, amiga. Freud explica.”

                              Ele era anti-social, ok. Mas a buscava na aula. Não gostava de nada do que ela gostava contudo  fazia sanduíches e sucos e os colocava escondido na bolsa dela para que tivesse uma surpresa no intervalo do trabalho. Não era simpático com suas amigas porém passava horas com ela, dispensava-lhe atenção. Não havia um “hoje não vai dar”. Sempre podia. Sempre dava. Mesmo depois dum dia inteiro de trabalho. A qualquer hora valia dirigir até a cidade da moça para vê-la. Foi um escroque quando ela mais precisou, mesmo assim, ele lhe dava atenção.

                               Logo eu, que finalmente me resolvi com a tal carência paterna, admito, também já caí nessas armadilhas. A do buscar na faculdade é a mais clássica. Meu pai jamais me levou ou me buscou na aula. Putz, ver um cara me esperando na frente da minha sala não poderia me deixar mais feliz. Era como ver Deus! O que me importava se o relacionamento não tinha futuro? Ele me buscava na facul. Ou as vezes que chegava na casa dum determinado ficante e via por lá uma coca zero. Eu sabia que era pra mim. Eu sabia que pensava em mim mesmo quando ausente.

                            Ou os presentinhos…ah, os presentinhos! Ele lembra que tu comentou, de modo trivial, o término da tua destaca-texto verde e leva uma no outro dia. Ou te dá um livro que encontrou num sebo por cinco reais só porque um dia mencionou, por cima, que gostaria de lê-lo. Surpresas acabam sempre por comover. Seja as carentes de pai, como eu e essa amiga, ou qualquer mulher.

                           As armadilhas mais engraçadas: ele era um crápula mas me pegou no colo. Outro, apesar de estar prestes a se formar, nunca tinha lido um livro na vida todavia aprendeu todos os números de roupa, sapato, lingerie, minha cor favorita e nunca, jamais errou um presente. Um deles desligava o celular todos os fins de semana entretanto passou meu blazer e ajeitava detalhes nos meus figurinos antes de sairmos.  Outro fulano era um nada na cama contudo cozinhava pra mim. Outro era noivo mas me buscava na facul. E eu só aprendi a dizer não para as migalhas há pouco. Recém é o segundo relacionamento que termino sem intenção do dito-cujo querer uma volta.

                                     Pelo menos agora, depois de tempo passado, eu sei o que quero [e minha amiga também, se bem que ela já conseguiu]: não quero arrebatamentos ou eu te amo no primeiro mês. Quero evolução gradual [não lenta]. Quero que o interesse não diminua nem hostilidade depois de pouco mais de vinte orgasmos. Mas também mereço todas aquelas pequenas lembranças…juntas…numa pessoa só. E sem compensações.

 

                      Trilha sonora? Djavan- Linha do Equador “se eu tivesse mais alma pra dar eu daria…”

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