Podem me chamar de doida mas eu amo mudança de casa. Adoro o improviso do primeiro dia, coisas empilhadas em caixas e a gente usando colher porque não acha garfo, bermuda do irmão porque não acha uma calça. Adoro. É um daqueles momentos em que sinto a vida correr. Sei que é uma maneira de reorganizar. Nem me incomodo de não pôr tudo em seus lugares devidos nos primeiros dias. Vou, aos poucos, achando novos lugares para as coisas.

                       O próprio encaixotar da mobília já me anima. Ponho muita coisa fora. Aprendi que temos coisa demais e isso, inevitavelmente, torna-se inútil. É uma hora ótima para se desfazer de papéis, roupas, toalhas, final de desodorante, perfume, calcinha manchada, aquele sapato que você promete levar no sapateiro há quatro meses e deixa esquecido no fundo do armário. Passe para frente. Seja honesta, você não vai levá-lo, desfaça-se. Desapegue!

                         Carta de ex, foto do falecido, meia desparceirada, uma infinidade de quinquilharias que se carrega com a certeza do “um dia eu ainda vou precisar”, quanta inutilidade! Meninas, não guardem chave de fenda, chuveiro queimado, por favor, isso a gente paga para alguém fazer e não nos incomodamos [e essas pessoas, normalmente, têm os seus utensílios]. Roupa que não serve mais [porque está grande ou pequena demais] em alguém há de servir. Doe. Renove as energias. Abra espaço para novas peças, novos sapatos, novos amores.

                 É a circulação das coisas, o que sempre me fascinou na mudança. Jogar fora, desfazer-se, mudar de lugar, começar tudo de novo. Minha mãe nos fez passar por umas oito mudanças enquanto morávamos juntas. Sempre achei o máximo. Ela me ensinou a ser prática com as coisas. Ensinou algumas superstições também, como não levar roupa suja para a casa nova. Confesso, dessa vez vou burlar essa regrinha da família. Tenho uma montanha de peças que precisam urgentemente ver água. Faço na nova morada. Quando desfizer as malas.

Mudança de casa é uma bênção, uma chance nova, um lugar novo, novos ares. Reorganizar, livrar-se do desnecessário. Abrir espaço. Renovar. Vida que segue…

 

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