[Re] Lendo um “quem sou eu” da Marthinha, resolvi fazer o meu. Afinal, estamos sempre preocupados com quem somos e, no fim, nossa identidade é construída em cima de nossos gostos particulares. Sou nada mais que minhas preferências no que tange ler, ouvir, comer, vestir, fazer…

                      Sou praia enquanto amanhece. Sou cafés e livrarias. Sou apartamento. Sou austeridade com vizinhos. Sou poesia sempre. Sou crônicas e grandes reportagens. Sou vaidade exacerbada, meu pecado favorito. Sou homens de 30 com camisa de listras verticais e gola bem passada.

              Sou unhas longas e de tons fortes. Sou calcinha pequena. Sutiãs sem renda. Sou decotes generosos e vestidos monocromáticos. Sou dormir até o meio-dia. Sou madrugada, dias de sol e noites de lua imensa. Sou primavera e céu Monet. Sou estrada a qualquer momento e caminhadas no fim da tarde. Sou saudade da minha irmã.

             Sou caipirinha de saquê. Vinho branco gelado. Coca zero. Green tea spree. Sou sorvete de abacaxi à francesa. Sou gostos herdados do meu pai: salame, azeitona, carnes mal passadas. Sou pimentas e temperos marcados. Sou mussarela derretendo e expresso com leite. Sou as saladas da minha mãe. Sou danoninho. Sou sushi só depois da balada. E o “arroz de china” da gringa. Sabores doces ou picantes. Sou cachorro-quente mais que pizza. Sou xis mignon com ovo e sem maionese no RS. Sou chocolate meio amargo e uva rubi.

                  Sou longas conversas e crises de riso. Sou bem mais sorrisos que lágrimas. Sou profundidade e intensidade o tempo todo. Sou duas vidas. Duas mulheres. Sou rir de si mesma. Parceira de “indiadas” e viagens desconfortáveis. Sou viagens. Sou partidas mais do que chegadas. Sou cinema e literatura. Sou livros, muitos livros. Sou estilo fluido e vocabulário vasto. Sou citações literárias em horas específicas. Sou ar e terra. Gosto por altura.

              Sou Medeiros e Carpinejar. Rimbaud, Baudelaire, Barcellos, Brum, editoriais, García Márquez, Rubem Fonseca, Verísssimo. Sou sempre mais Homero e tragédias gregas que qualquer outra coisa. Sou “Caros amigos”, Ettore Scolla. Sophia Loren e Al Pacino. Sou Cidadão Quem, Fito Paez, Paulinho Moska, The Doors, Jack Johnson e Maria Rita. Sou MPB e rock. Nunca música eletrônica. Sou comédia stand-up. Sou Camille Claudel e Van Gogh.

                 Sou bolsas chamativas e roupas sem estampas. Saltos altíssimos, plataformas. Sou corretivo para olheiras e lápis de boca. Sou maquilagem sempre. Sou prata e brincos grandes. Sou meu anel favorito. Sou perfume doce. Baunilha e essências frutais. Sou mais frutas que flores. Sou quatro tatuagens e dois piercings. Sou descolorante e cabelo chapado. Sou cor-de-rosa e preto. Sou pele bronzeada e óculos de sol. Sou várias necessàires abarrotadas de cosméticos.

                   Sou mesa de bar. Música ao vivo. Sou palavrão e tom de voz mais alto que o normal. Sotaque gaúcho. Sou humor ácido e excesso de gestos. Sou toda excessos. Sou moto mais que carro. Sou dia de vento-norte e ressaca. Sou restaurante mais que cozinha. Sou extremos: ódio e paixão. Sou “sexo cirque Du soleil”. Sou, infinitamente, mais espanhol e francês que inglês. Sou mais charme que beleza.

                      Sou Buenos Aires mais que São Paulo. Sou todos os momentos com minha melhor amiga. Sou cantar de olho fechado e mão pra cima com ela em qualquer lugar. Sou micos memoráveis. Sou amigos antigos. Sou Porto Alegre. Vento Minuano. Clima seco. Sou cerveja e chimarrão com a gringa. Sem ela, não sou. Sou mais internet e menos celular. Não sou delicadezas. Sou gestos bruscos e força em demasia. Não sou crianças nem plantas. Não sou gatos. Sou cachorros e serpentes. Sou fome voraz quando nervosa. Sou explosão quando acometida de raiva.  Sou mais espaço e menos detalhes.   

                    Sou caneta e papel, sou listas do que fazer, do que comprar. Sou fascínio pelo particular. Sou tentativas de não-envolvimento. Sou cartas pelo correio. Fotos impressas. Banho demorado. Sou beijo na testa e chupão no pescoço. Abraço de corpo inteiro.

                      Sou hidratantes e quatro tipos de sabonete por banho. Sou cremes “anti-age”. Sou dropes mais que chicletes e taça mais que copo. Sou roupa com cheirinho de amaciante. Sou urbanidades e mar. Cama grande, lençol liso, edredom e travesseiro fofo. Sou ventilador mais que ar condicionado. Iluminação indireta. Sou ficar até o fim e cometer sincericídios. Sou palavras cruzadas e mp3.

                        Sobretudo, sou discrepâncias. Sou arestas e facetas que ainda me surpreendem. Sou menos planos e mais aventuras de última hora. Sou perguntas sem resposta e uma latente vontade de ir embora o tempo inteiro. Sou olhos tristes e gargalhadas sonoras, o eterno enigma da minha alma poética. Sou sorriso de canto e suspiros fundos. Sou letras mais que falas. Sou palavras mais que gestos. Pontos finais mais que vírgulas. Sou palavras. Sou pontos. Ponto final.

P.S.: e aos meus leitores, me digam quem são vocês.

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