Msg 1: está acordada?

Msg 2: Sim. Quem é?

Msg 3: Teu gaúcho preferido. Kkkkkk

Msg 4: mas é hoje q a gente monta o CTG!!!huahuahuahua

                             E assim começa o dia dela. O melhor amigo, depois de muitos meses passados, está de volta para uma visita. Ainda tem um dia inteiro de trabalho pela frente. Nunca antes as horas se arrastaram com tamanha lerdeza naquela sala. Não se agüenta de tanta curiosidade: -ele estaria mais magro? Mais calvo? E a primeira-dama? Teria aqueles olhos verdes vistos nas fotos? Seriam um casal feliz? Estariam cuidando bem um do outro?

                        Passadas as oito horas de seu turno, combinam o reencontro num boteco já conhecido –aquele onde costumavam nos roubar na conta, comenta ela por telefone. Ansiosa, vai para casa e põe o vestido preto larguinho –está meio rechonchuda, com ele não decepcionaria o casal. Escolhe as pérolas [conferem solidão a quem porta e, pelo jeito que anda sua vida amorosa, antes só a mal acompanhada].

                            O cabelo, o que fazer com ele? Sujo e crespo. Noite chuvosa não favoreceria uma chapinha. Apela para o coque, o broxante coque [segundo David Coimbra, pior que mulher de pijama é mulher de coque]. Na hora de fechar o broche do pretinho quase básico, tenta prendê-lo por dentro do vestido, tem uma cãibra lancinante no braço. Certifica-se de que o tempo passa até para ela, fã de cremes anti-age.

                      Chega com meia hora de atraso ao boteco de outrora e os encontra sentados numa mesa na calçada. Cumprimenta-a. Finalmente a conhece, depois de meses de conversas e confidências trocadas por MSN. Ela era realmente linda. E aqueles olhos, olhos de um verde que não existe. Ele, ele era o amigo de sempre. O mesmo sorriso, o mesmo jeito de nunca deixar um copo esvaziar na mesa. Naquele momento ela recorda exatamente porque escolheu ser jornalista. E sente-se em casa, há cheiro de coisas conhecidas no ar e a cerveja desce doce. Descem todas as entre dez e doze [não se pode confiar na conta daquele bar].

                      Conversam por cinco horas a fio, melhores amigos de infância [apesar da interrupção do estranho gay carioca que aterrissou  e, bem-humorados, acolheram-no]. Em volta daquela mesa trocam confidências, riem risos leves, frouxos, contam peripécias, comentam os poderes da linhaça, quebram dois copos, traçam fritas e planos de dominar o mundo da comunicação no RS.

                           Naquela mesa de boteco [e talvez eles não tenham notado] renasce seu espírito jornalístico soterrado em tanto trabalho desvinculado do dom primordial. Vai embora numa plenitude há muito não sentida, conheceu sua amiga e leitora, inclusive ganhou dela cremes ma-ra-vi-lho-sos para as mãos. Reviu o melhor amigo, o jornalista Luciano Siqueira, futuro integrante do Pretinho Básico, tem certeza de que, como casal, estão se fazendo felizes [e como ela se preocupa, zelo fraterno, com a felicidade dele!]. Nota neles uma peculiaridade: se não são parecidos, sabem “dançar” juntos o quotidiano. Vida longa ao casal!

                            Definitivamente, quero que isso se repita por muitas noites…viver é voltar ao lar e o lar, são as pessoas que nos conhecem, capazes de relembrar a nós mesmos quem somos. Tenho pouquíssimas certezas quanto à maneira que trilho meu caminho entretanto tenho os melhores amigos do mundo para o caso de eu me perder.

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