Na minha condição humana, me reservo o direito de ser insatisfeita. E além de ser insatisfeita, sou a sra. Contra do contra. Não gosto de primeiras vezes, por exemplo, mas também não gosto da repetição. Primeiras vezes nem entram nos meus cálculos  porque são improvisadas e, normalmente, estranhas. Começam a fazer parte da minha contabilidade válida as coisas quando já me proporcionam certo prazer.

                            O primeiro beijo: aos 15, viagem de ida para o Planeta Atlântida. Um célebre e memorável beijo de mais de dez minutos ininterruptos. Pra mim, esse é o oficial, não os de quatro anos antes.

                        A primeira vez:  no fim da primavera passada, valeu a espera…as de meia década antes não entram nem como estatística.

                        O primeiro namorado: o ex-noivo, aos 20. Perceba que sexo não necessariamente está atrelado a amor. Os outros são só os outros.

                          O primeiro porre: Vanessa que me perdoe, do tempo que cursávamos Letras, mas o primeiro porre foi em dezembro de 2008 no Capitão Gancho, de vestido amarelo, a tequila me ganhou [de lavada] e fui cuidada pela Gringa. A nega, tadinha, me levou pra casa. Eu não tinha condições. Só para constar, nunca tomei tequila novamente [só o cheiro já me azeda a buchada].

                          Por falar em Gringa, a primeira festa: novembro de 2008 no Bar do Pingo com ela, não seria um exagero dizer que a minha vida começa ali, no canto bendito daquele bar com taças de Polar e a risada da moça que me ensinou a perder a pose. Aquelas férias me trouxeram a adolescência tardia; jamais fui a mesma desde então.

                      O primeiro emprego? Ainda não rolou mas, editores do Brasil, estou aberta a propostas!

                      Uma única primeira vez valeu por ter sido única: a primeira vez que fiz a barba. Sim, eu tinha três anos e era fascinada por aquilo que meu pai fazia todas as manhãs antes de ir para o banco. Ele deixou o aparelho dando sopa na bancada da pia e advinhem? Sim, eu fiz a barba! Só que era verão e não parava quieta, logo comecei a suar, suor tem sal, num rosto em carne viva, a combinação não foi das mais agradáveis. Ah, sim, descobri, nesse mesmo dia, que lágrimas também contêm sal.

P.S.: se eu acreditasse em primeiras vezes e primeiras impressões, estaria ferrada, já que todos me acham antipática à primeira vista. Gente, eu sou chata mas eu sou legal!

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