Sabe o que mais gosto em nós? -Do teu lado, não preciso me preocupar se sou boa ou má. Eu sei o quanto tu me conhece. Sabe o que eu mais gosto em ti? Tu é forte. Não é novidade que os fracos nunca ganharam meu amor.

                           Eu gosto de estar contigo porque somos as mesmas adolescentes de antes, com mais bom gosto, convenhamos. O humor continua ácido, as línguas felinas, a vaidade, cada vez mais exacerbada. E o passado, que sempre “arrumamos” para apresentar aos outros é vivo, cru e explica muito para nós. Amo o jeito que tu me defende, como me entende, como simplesmente me aceita sem julgamentos nem condenações. Sou só eu, eternamente a tua Bruna, pronta a te dar a caneta rosa ou a destaca-texto amarela, ou os conselhos que tu não quer ouvir.

                        Nunca foi minha parceira de festa e apesar de ter me iniciado na Ibiza, jamais bebemos juntas. É amiga de lugares calmos onde o dito é ouvido, amiga de tarot, esmaltes, espelho, maquiagem, praia, cozinha, filmes, livros e descobertas gastronômicas. Parceira de riso e choro, embora uma das nossas qualidades seja justamente quase não chorarmos. Isso é coisa de mulherzinha, diríamos com risos debochados. As duas capazes de aguentarem pés sangrando sem jamais tirarem os saltos.

                  Tu é a única pessoa parecida comigo na vida, dura, quase intratável. Tu não perdeu o posto de melhor amiga, sempre será teu. Só foi promovida, há algum tempo, a irmã. Os nossos laços transcenderam  tempo e espaço. E para  quem acredita que sangue não é água, vi laços sanguíneos não sobreviverem tão [mais] vigorosos como os nossos.

                  Sabe o que eu mais gosto em mim? –Sou parecida contigo. Forte.

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