Não gostar era mais pacífico ao meu turbilhão particular, pelo menos mais seguro. Não gostar, me economizar um pouco. Me economizar de sofrer, de sentir saudade, de projetar. Era tão mais cômodo. Eu queria estar agora bendizendo a hora que nos esbarramos. Pois não consigo fazer outra coisa que não odiar um tempo, odiar os lugares a que fomos juntos. Te odiar e me odiar por gostar de ti. Odiar te imaginar em outras pessoas ou a hipótese de te encontrar. Se eu não era feliz antes, pelo menos, conseguia me enganar. Agora, nem uma coisa nem outra.

                              Eu odeio te beijar só porque no outro dia eu sei que não vou fazê-lo de novo. Eu te odeio porque eu sinto falta do teu sorriso, e essa falta faz doer lugares que nem mesmo imaginava ainda ter. Porque todas as minhas regras tolas se rendem ao seu olhar de canto que eu tanto adoro… mas eu nunca escrevi isso!

Anúncios