Eu continuo detestando aniversários. Agora ainda mais. Cheguei aos 26. Mais perto dos 30 que dos 20. Eu não tinha essa linha de expressão na testa anos atrás. Quem foi que colocou ela aqui? Creme anti-age não é mais exagero desse meu medo terrível de rugas. Agora é necessário, já existem cosméticos específicos para a minha idade.

E no meio da minha nova linha [se é que uma ruga pode ser nova], um monte de incertezas. Uma saudade que eu nem posso imaginar ao certo do quê. Uma vontade de fugir não sei pra onde. Um impulso de abraçar sei lá quem. Uma lista de perguntas sem resposta e de vontades sem procedência.

Hoje acordei com vontade de comer pão integral com geléia de morango e requeijão. Herança dum antigo namorado que ainda me deve uma grana. Ontem tive vontade de tomar chimarrão e jogar conversa fora,  nunca tomei chimarrão enquanto morava no RS. Adquiri o hábito aqui em SC, com os gaúchos desterrados. Hoje eu sei que à noite vou para uma cervejada, gosto desenvolvido nos botecos em volta da Univali, com o Luciano. E tomando a ceva de hoje, vou dançar música sertaneja, logo eu, a senhora MPB, se rendeu aos encantos da breguice com uma antiga parceira de AP. Ah, e vou dançar sozinha, coisa que aprendi com a melhor amiga, aliás, a melhor das heranças: a ser sempre a mais animada e inatingível na balada.

Os cremes? Aprendi a vaidade exacerbada com mamãe. E então quem a conhece dirá: qual mãe? A neca é a própria dona xepa, nem salto não usa. Então, aprendi com ela a como não ser. A usar salto sempre, ainda que os pezinhos 39 estejam sendo torturados dentro duma plataforma 12. A não sair de casa sem maquiagem e a levar sempre uma calcinha safada na bolsa para qualquer eventualidade…mas um mérito não há de lhe ser negado: mamãe me deu uma pele ma-ra-vi-lho-sa!

Os vestidos? A coleção de vestidos é conselho das minhas velhinhas: Bruna, tu tem um corpo ótimo, é voluptuosa, meio Sophia Loren, pernão, peitão e cintura, usa vestidos verão e inverno, porque na nossa idade tu vai ter vontade de abusar deles e talvez não possa. Então, voilà, vestidos, sejam sempre bem-vindos!

E apesar de mais perto dos 30 que dos 20 agora, apesar das linhas e do peito nem tão porta-queixo como ano passado, estou ótima. Meio encanada, me acostumando com os 26 mas não me troco por ninguém. Não viveria um dia a menos.  Adoro todas as minhas manias, até o meu mau gênio, minha birra, meus insights no meio do sofrimento, meu ódio criativo. Ah, e como eu adoro os vestidos!

Trilha sonora do aniversário: “E daí- Guilherme e Santiago”

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