Eu nunca fui o tipo de pessoa que se deixasse paralisar pelo medo. Tenho medos bobos mas os tenho. Tenho medo de baratas voadoras, de pombos [eu odeio o jeito como eles costumam pousar perto da minha cadeira na praia com aqueles pés horrendos, eu receio tudo o que voa desengonçadamente].

Tenho medo de dormir no escuro completo sozinha. Tenho medo dos barulhos que só eu ouço de noite. Tenho medo de rugas, de ser boazinha. Tenho medo de ser rejeitada. Eu dou uma mão pra não ter que passar por entrevista de emprego porque odeio ser analisada. Eu tenho medo de gente, ataco antes, como defesa.

Tenho medo de tequila, da amnésia alcoólica. Tenho medo de engravidar como de nada no mundo. Tenho medo de não ser lida, de não ser lembrada, de passar em branco, de alguém perguntar da Bruna e responderem: quem é Bruna? Nem notei. Tenho medo de chorar, tenho medo de engordar, de quebrar as unhas, tenho medo dos cabeleireiros de SC.

Tenho medo de perder a gringa. Tenho medo de não dar certo, de ser só uma guria que tem talento como milhares de outras por aí e não chegou a despontar. Tenho medo de ser só uma guria. Tenho medo de admitir que, em essência, inventei amores para poder escrever sobre eles. Eu tenho medo de ser intensa e fascinante mas de não passar de uma fraude egocêntrica e corrosiva.

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