Quando tu te manifesta, me confunde, demorei tanto para me acostumar e interpretar teus silêncios. Por que falar agora? Não fala, tuas palavras fazem motim na minha alma. Eu não sei interpretá-las. Me deixa com teu silêncio, tão mais inerente a ti. Eu sou palavras, tu, silêncio. Sempre foi assim.

Para minha tristeza, entendi o engano de ontem. Mandei uma mensagem sim pra ti, sem querer [me surpreende que justamente essa tenha chegado, quando tantas outras “se perderam no caminho”]. Era para um amigo, parceiro de balada, teu homônimo. Te passou despercebida a confusão porque mais uma vez tu me provou que eu embarquei nessa sozinha, sequer me escutava enquanto eu falava.

 Não te ocorreu que não havia como eu saber duma banda de que tu gostasse? Nem mesmo sei o que tu ouve, quanto mais uma banda de bar, nunca saímos juntos, lembra? [tu não sabe o que perdeu] Nunca fomos vistos juntos, sorte tua!  A única vez que tu passou por mim na noite, nem de me cumprimentar foi capaz. Baixou a cabeça [que adulto!]. Ambos sabemos que nos vimos. Por isso teus silêncios eu posso entender, palavras, não. Não estou acostumada com elas. Não peça desculpas por simplesmente seguir a corrente e repetir teu comportamento. Não peça desculpas por ser você.

Não existiu o nós, isso é tudo poesia neurótica, quase provençal. Eu relutei em aceitar, me fiz de louca, de idiota, típico de quem espera pelas exceções dum menino mimado. Mas…ninguém vive de exceções. Infelizmente, a vida é feita de comportamento recorrente. E eu conheço o teu. Assim como tu soube ler o meu. Soube me manter por perto me mantendo longe.

 Trilha sonora: “eu queria ter uma bomba”- Barão Vermelho

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