E rumarei, muito em breve para a minha quarta mudança de casa em 2010. Sim, leitores, lá vou eu novamente arrumar as malas [iupi!]. O primeiro apartamento era muito abafado além de caríssimo [melhor dizendo, um roubo!]. O segundo era frio e úmido [ai da minha rinite]. Este, bem, este me provou de uma maneira irrefutável que não tenho mais paciência para dividir apartamento com outros seres humanos. Sou meio bicho do mato, não gosto de gente na minha casa por muito tempo e atualmente, a namorada do meu parceiro de apê aparece por aqui todos os dias. Minha privacidade manda lembranças.

Quando me mudei, achei que seria a oportunidade de domar um pouco meu gênio, economizar e, de quebra, extirpar as tardes enfadonhas de domingo sozinha em casa. Economiazinha porca, tenho saudade daquelas tardes! No fundo, sempre tive pé atrás com a idéia. Acabo de notar que não cheguei a desfazer as malas por completo em nenhuma das vezes, as roupas menos usadas ficavam nelas [ato falho, Freud explica]. Continuamente estive pronta a seguir em frente caso as coisas não fossem como eu esperava.

O queridíssimo me perguntou essa semana se já tinha pensado em ser cigana. De certa forma, sou nômade mesmo, não me importo em me mudar, me mata é ficar quando as coisas me incomodam. Depois de sair do ninho familiar fiquei assim. Antes tinha de suportar o que não me agradava completamente, praticando a extenuante arte de conviver. Hoje em dia eu falo uma vez, se as coisas não mudam, mudo eu. A independência me trouxe o desapego.

Não me obrigo a agüentar aquilo que não está como quero. Não me obrigo, não violento mais minha natureza quando se trata de vida pessoal. Tenho milhares de coisas a suportar da porta de casa pra fora. Da porta pra dentro, dança-se conforme a minha música.

Já me chamaram de mimada por gostar de tudo à minha maneira. Mamãe ama dizer que se minha vida tivesse trilha sonora seria “my way” do Sinatra porque desde sempre fiz as coisas do meu jeito. Ela podia me retaliar por isso [quantas palmadas eu levei!] entretanto jamais conseguiu me convencer de que eu estivesse errada.

Não deixo as situações chegarem ao ponto da insustentabilidade. Corro antes do teto desabar, da goteira inundar a sala. Ir embora também é uma arte, bem menos extenuante.

P.S.: meu problema é a convivência com seres humanos, porém se alguém tiver uma poodle branca aí para me presentear, estou aceitando.

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