Ontem, assistindo à comédia romântica “o amor pede passagem” [mega água com açúcar, nem Jennifer Aniston, a eterna Rachel de Friends, salvou] discutia, veementemente, com o parceiro. Ele morria de pena da ingenuidade do par romântico da moça e eu dizia: -ele é um otário!

Se fosse Almodóvar, certamente, a mulher seria menos desesperada e mais fechada na própria saga, no máximo, daria um “up” na auto-estima da coitada. Não terminaria no [clichê como presentear amante com lingerie] final feliz com o boçalzinho em questão. Mas como era Hollywood, tome breguice! O que o meu parceiro chamava de amor e de “que bonitinho”, eu classificava mentalmente como desespero.

Desconfio de qualquer sentimento profundo demais para pouco tempo. Desconfio de grandes mudanças por amor, desconfio de mega declarações. Quem abandona tudo por esse tipo de sentimento instantâneo é porque simplesmente não tem nada a abandonar. Essa semana fui pedida em casamento por MSN. O cara passou uns dois dias e uma noite comigo há dois meses e algumas vezes eu o desbloqueio para trocarmos meia dúzia de monossílabos via web. Como assim está apaixonado por mim? Andou bebendo em pleno meio de semana, colega?

Quando colei a conversa para uma amiga, ela comentou: -“Ai, que amor, Bru, é desses que eu preciso, olha que lindo, ele te ama.” Só eu enxergo que não passa de projeção e desespero? E sou sagaz para detectar onde está o problema. Perguntei da família, dos amigos próximos, confirmou o bem-estar de todos. Então tive a cara de pau de consultar o gerente de conta do moço, no RS, amissíssimo e ex-affair, e perguntar sobre a movimentação do indivíduo. Em queda desde janeiro. Está frustrado, bingo! Depois de ter um negócio lucrativo por oito anos, está perdendo grana e a mocinha aqui seria a terapia. Volta pro mar, oferenda! Te indico um bom analista mas virar tua válvula de escape, tô fora!

Quando alguém se apaixona, ou acha, por você com tamanha rapidez e intensidade, acredite, é porque algum outro campo da vida da criatura está em derrocada. Ou os amigos estão se casando e ele se sente sozinho, ou um parente próximo morreu, ou mesmo os negócios não vão tão bem como gostaria. Então, numa atitude super lógica, resolve aliar a essa insatisfação um amor tipo miojo: dois minutos e tá pronto. Não preciso prever o final dessa história, né?

Não se sinta especial, podia ser tanto você como a moça da padaria, quem sorrisse primeiro levaria o brinde [estragado]. Não quero desfazer as ilusões das minhas leitoras como se eu não acreditasse em amor à primeira vista. Acredito, super acredito, eu já tive treze anos. Entretanto, pós-adolescência, prefiro levar ao pé da letra um ditado árabe ouvido e guardado há uma década: “desconfie da sorte, do amor e do governante, sobretudo quando estiverem sorrindo para você.”

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