Dizer que eu sou chata é fácil. Aliás, é um clichê. Não passa de lugar-comum.

Eu realmente sou chata. Com todos. Com tudo. Me conte alguma coisa que eu não saiba. Me fale sobre o que eu só mostro pra você. Narre meus trejeitos. Ou você simplesmente é incapaz de notar minhas particularidades?

Eu conheço seus quatro sorrisos, o olhar vago quando fala das suas saudades. A leve mudança de volume e tom de voz quando quer me convencer de alguma coisa. Aquele jeito de inclinar a cabeça pra se fazer de desentendido. E sei  também do quanto você é irritante com aquela mania de nunca ficar quieto.

Entretanto, não te digo isso o tempo todo porque vejo  além disso. Porque eu não te amo apesar do que você é. Amo por quem você é quando sou tua única espectadora. Consigo ouvir os teus silêncios e enxergar tudo aquilo que ninguém mais vê. Sou capaz de vê-lo por inteiro e essa é a nossa diferença, caríssimo.

Portanto, a partir de hoje, não te permito mais que me chame de chata, louca, possessiva  e afins. Para reconquistar o direito de cair no lugar-comum, vai ter de me dizer antes o que você enxerga em mim além disso. Como diria uma ex-professora minha de teoria Literária: “-Depois de ler Shakespeare e Tolstói, eu lhes permito ler Paulo Coelho.”

 Eu mereço mais que clichês. [e você também].

Anúncios