Achei que te amasse por vaidade.

Não. Te amo por pura teimosia. Você é que não me ama por vaidade. Se você puser aquela placa, você também não poderá entrar.

Teimo com os amigos. Faço de conta que acredito nas mentiras.

Não crio caso porque não sei como me comportar.

E conheço cada centímetro da tua distância. Só não quero admitir sua intransponibilidade.

E te amo para me proteger de mim mesma.

Criar um refúgio, um esconderijo, no platônico me poupa de começar alguma coisa com data marcada para terminar. Sei que quando tudo isso acabar, não vou sentir tua falta. Ou melhor, falta de sentir tua falta. Vivo das tuas ausências.

Hoje, quando paguei a parcela da formatura, admiti que há dia, mês e hora para o pesadelo findar e tudo ficar para trás. Não irão nas malas, alter-ego, amor ou mentiras, todo um tempo que já não mais me pertencerá. Nem mesmo fará parte de quem eu sou.

Sinto vontade de ir embora o tempo todo. Uma vez eu fiquei. Nada mudou. Não me odeio por tê-lo feito. Precisava mesmo terminar  o começado. Embora ficar significasse sentir  dores e vazios desnecessários. Agora me confundo com meus vazios. E talvez porque não fui, você acredite que estarei sempre aqui à tua espera. Não apostaria minhas fichas nisso, se fosse você.

Sou um não-lugar. Eu não caibo em lugar algum. Por enquanto.

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