Depois de um tempo de recolhimento voluntário, voltei à minha atividade boêmia. No bar de sempre com a parceira de sempre. Adoro novidades, tenho tendência a enjoar do repetido, mas meus amigos, depois de um tempo sem vê-los [pois confesso, até deles me enfado], têm gosto de releitura. De variações de um mesmo tema. Sou chata, enjôo de pessoas como enjôo de gostos, de sons e cheiros.

Passamos meses sem sentar e conversar como  ontem e creiam, isso trouxe o curry [tão clamado por  Woody Allen] de volta. Até me controlei para não aceitar o convite de revermo-nos novamente hoje. Gostei da sensação da releitura, do abraço apertadamente longo. Cubro de razão quem se afastou, só agora percebo: ambas precisávamos de “ar”, contudo não era segura o suficiente para desapertar o nó. Coisa que ela o foi. Talvez não tão honesta quanto à maneira de pedir esse tempo, porém autêntica no sentido dele.

Compreendi que me manter a uma distância segura é a única maneira de me manter por perto. Gostei do cheiro do conhecido, das lembranças vindo à tona, das conversas e das risadas de sempre. Só não me acostumo mesmo é com aquela cerveja quente cretina, eu não mereço aquilo! Aliás, ninguém merece!

Pelo menos a retomada me traz a liberdade de recomeçar e estabelecer novos tratados. Começando pelo bar, amiga, precisamos com urgência máxima encontrar um boteco novo! Não agüento mais aquela marca de cerveja, sua temperatura, a novela daqueles copos malditos e a intimidade que os funcionários acreditam ter conquistado pelo tempo de freqüentadora do local.  A verdade é: não agüento mais aquela gente! Cansei! Passei de fase e na nova, não tem lugar para nada que não me agrade por completo.

Todavia, o apontamento  foi escrito somente para dizer que amei as mãozinhas para cima relembrando o bom e velho bar do Pingo. E para agradecer teu jeito de me amar sabiamente, sem me sufocar, me monopolizar  nem me cobrar, no melhor estilo “não trabalhamos sob pressão”. Lispector escreveu “o que é realmente nosso, nunca se vai para sempre”, e voltei, meio felina, arisca, discreta. Boêmia, aqui me tens de regresso…

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