Eu vou morrer de saudade. Sei bem que é só um mês nesses Alpes gélidos e eu aqui vivendo a batalha do início do verão…mas quem me fará rir às 2h da manhã? Quem vai me chamar de nomes que não se escreve em frente aos espelhinhos? Quem há de me ligar de noite para falar mal da vida alheia e chamar todas as mulheres, acidamente, de vacas?

Quem vai me ouvir e me enviar torpedos malcriados no meio da aula de espanhol? Quem vai dizer que a celulite já comeu a minha bunda e que preciso me apressar porque o mercado matrimonial vai me desvalorizar em breve ,e ainda assim me fazer ter dores na barriga de tanto rir? Com quem farei incursões atrás do bolinho de bacalhau perfeito para comer com muita pimenta e cerveja gelada numa noite de segunda-feira?

Quem vai chegar aqui em casa forçando a maçaneta, fazendo xixi em pé no meu banheiro e exigindo o monopólio da esponja de pompom? Quem vai dormir com os pés para fora da minha mini cama e reclamar do calor do cobertor?  Quem vai me deixar parecendo ter sido atropelada por uma jamanta depois duma noite puramente instintiva, com cabelo destruído, unha quebrada e quadril roxo?

Com quem desenvolverei teorias cretinas a respeito do amor, da fidelidade e do casamento como “ a melhor forma de abster-se sexualmente é se casar” ou “pra quê coração se podemos ter dois fígados”? Quem eu vou chamar de louco, alcoolatra e inconsequente?

Quem vai me acordar me chamando de urso polar só porque eu ronco? E quem vai dizer que meu pijama de sapo e minhas pantufas de girafa são broxantes já descendo a mão pela minha cintura e me puxando para mais perto com o olhar 43?

Sob a ótica dos resultados, melhor que um amor platônico é uma trepada homérica…

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