Os caras mais bacanas que conheço, reconhecem a supremacia feminina portanto, este, não é, nem de longe, desdém duma moça ressentida por um coração partido aos homens. Entretanto, numa mesa de bar, discorri o início desse post e preciso terminá-lo pois para Mlle. Barievillo, promessa feita empunhando um copo de qualquer tipo de bebida alcoólica é dívida.

Há um clichê que versa sobre as mulheres fazerem tudo o que um homem faz porém de salto alto. Eu diria mais, diria que de salto alto e cuidando em seu espelho de bolsa [amigo de tantas horas!] se a maquilagem está em dia. As figuras mais fortes da minha vida são mulheres por isso talvez minha devoção extrema e minha certeza de estar me tornando uma dessas figuras femininas que eu sempre admirei: as mulheres de várias faces.

Não é segredo o quão pobre acho o aclamadíssimo universo feminino de “Sex and the city”,  são mulheres superconceituadas. Aquilo não é uma mulher, definitivamente. Embora guardados os devidos exageros da caricatura da personalidade feminina. Uma mulher não perde o tesão porque vira mãe, não é uma mãe exemplar só porque é dondoca e não tem vida profissional. Conheço furacões na cama mães de dois filhos e supermães bem resolvidas profissionalmente. E também conheço solteiras incríveis que não lêem Vogue.

Uma mulher é algo mais completo. Humberto Gessinger diz que ser pai duma menina é completamente diferente porque um menino é, segundo ele, um jipe. Uma menina, é um carro de luxo. É mais complexo e tem mais possibilidades.Uma mulher é uma sinfonia, não é uma cor, é degradê de todas as cores, é grandiosa e sempre tem várias faces. Talvez você passe uma vida com uma mulher e não consiga conhecer todas elas. Uma mulher são inúmeras. E sim, têm superpoderes.

Um dos superpoderes eu conheço bem, o “olhar de scanner”: numa fração de segundo, sua mulher olha para o lado e você jura que ela não foi capaz de ver nada. Ela não viu mesmo. Scanneou. Viu cada detalhe. Se era uma mulher que você, por acaso estava cobiçando, ela te diz o tom do cabelo da rival, se a raiz está feita ou não, a circunferência exata do quadril, a cor da roupa e o número do pé. E você, mesmo olhando a mais tempo a querida [e com menos discrição], não sabe dizer. Mulheres são detalhistas, aliado a isso, têm o olhar de scanner. Por isso, sabemos se o trabalho da diarista foi feito por completo ou “tapeado” após dar três passos dentro de casa.

Mulheres têm super coordenação para o que lhes interessa. A maioria das minhas amigas consegue se maquiar dentro do carro em movimento. Eu sou uma delas! Aproveitando os semáforos para delineador e rímel. Ok, homens nem sabem o que isso significa, mas acreditem: é necessária impecável coordenação para passá-los.

Esses dias fui questionada por um amigo se não ficávamos excitadas durante o exame ginecológico. Eis o terceiro superpoder: fingir naturalidade. Enquanto a população masculina faz aquele alarde frente ao exame de próstata, passamos pelo famoso “citopatológico em base líquida” ,algumas vezes por ano, conversando com o médico sobre trivialidades como o clima. Sim, enquanto algo gelado nos é introduzido, olhamos para o teto e abstraímos, praticamente saímos do corpo. E não, amigo, excitação é a última coisa que uma mulher sente num exame ginecológico. Sentimos desconforto, às vezes, até, constrangimento. Mas não fazemos drama porque o procedimento é necessário.

Não vou falar aqui sobre as contrações do parto, [que os homens não suportariam] pois acho burrice passar por aquilo depois da invenção da cesariana. Não vivo no meio da selva, não mereço tamanho sofrimento se houver alternativa. Gosta de ser natural? Então vá viver no meio do mato, caçar e plantar para comer , tomar chás, usar curandeirismo para doenças e agüentar mosquitos! Boa sorte!

Só uma mulher consegue manter-se sobre um salto 12 por mais de seis horas durante um evento para parecer mais esguia, mais elegante e não perder o charme. Vocês sabem, caríssimas, às três da manhã, se não houver, no sangue, anestésico alcoolico, a sensação é de pisar em brita descalça e o pé lateja na batida da música.

Só uma mulher consegue se impor profissionalmente entre homens, conquistar  respeito por seu raciocínio lógico e engenharia política e marcar uma cartomante ótima, após o expediente para saber se é ele o príncipe encantado. A indicação é da amiga e, se, com ela deu certo, conosco também será um sucesso! Somos assim, meio razão, meio emoção. Várias faces. E, se Drummond tinha sete, cada uma de nós tem, pelo menos, quatorze.

Mulheres têm inúmeros outros superpoderes, eu poderia discorrer acerca deles durante laudas e mais laudas mas vou deixar os caras bacanas que andam por aí desvelá-los  sozinhos. Descubram o quanto ela é especial quando só ela te ouve e tenta, ainda que em vão, colocá-lo pra cima. Quando o mundo está contra você e ela te abraça e faz tudo sumir no ar. Quando, ainda que ela não te olhe, te enxerga.  Quando te arranca sorrisos, gemidos ou lágrimas. Quando ela faz de você alguém  melhor. Quando ela faz de você alguém.

Às mulheres da minha vida, só lhes desejo amor. Todo o resto, somos capazes de construir sozinhas.

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