Aprendi  coisas muito importantes morando sozinha esse ano. Sim, embora tenha saído da casa materna há mais de meia década, esta foi a primeira vez que morei só, redentora e libertamente só. Quando dividia apartamento era mais caxias, queria reproduzir de certa forma a casa da família, costumava cozinhar e guardar em potinhos, arrumar sempre impecavelmente o quarto e lavar minhas roupas eu mesma.

Este ano, experimentei deixar tudo isso de lado e viver mais sem compromisso e planos com nada a não ser comigo mesma.  Deixei de cozinhar por um tempo, um pouco almoço em restaurante, outras vezes tentei comprar pão de forma e frios e assim passar um bom período de repeteco de refeições. Tudo soava café da manhã. Foi então que aprendi minha primeira lição: “não só de pão viverá o homem.” O enjoo foi tamanho que há meses não compro o tal pão de forma, aliás, passo dias sem comprar qualquer tipo de pão muitas vezes. Ah, e so chamados ícones gastronômicos dos solteiros já não suporto nem o cheiro: nuggets, empanados e miojos de todos os sabores.

Uma lição imprescindível também foi  jamais comprar roupa branca novamente. Ela só será branca uma vez: na primeira usada. Com o tempo ficará creme e terminará amarelada. Nem a moça da lavanderia tirará manchas de roupa branca e não, definitivamente, eu não colocarei nada de molho. Quarar nem pensar [coisa antiquada!]. Aderi aos tons fortes: preto, vermelho, roxo, azul turquesa, branco saiu da minha paleta de cores definitivamente. Super estilosa a moça: estilo “quanto-menos-trabalho-melhor”! Ainda restaram quatro toalhas brancas porque  me foram presenteadas pois até elas atualmente tenho comprado pretas

Outra regra de sobrevivência no mundo dos “singles” é analisar a inutilidade de se arrumar a cama. Para que arrumar a cama se mais tarde vou desarrumá-la novamente? Alías, mais tarde não, logo mais  mesmo pois é normal acordar com tempo apenas para fazer higiene bucal, uma  maquilagenzinha básica, vestir-se e tomar café. Portanto, a cama é [seria, na verdade] estendida lá pelo meio da tarde e será usada novamente em algumas horas. Se analisarmos, é trabalho em vão, melhor usar esse tempo para esfoliar o rosto.

Mas a coisa mais importante que aprendi morando sozinha é que a Martha estava certa: a fase mais bonita da vida duma mulher certamente não é a infância, é a independência. Dormir a hora que dá vontade, limpar a casa quando dá na telha, independer-se. Independer do mau humor alheio, dos cheiros alheios, dos gostos e barulhos alheios, não ter de conviver com os amigos alheios. As pessoas me são deveras cansativas, gosto delas, não gosto é de conviver com elas. Só me importa o meu humor, os meus amigos, as minhas vontades, e aliás, disso eu entendo, sou uma mulher cheia de vontades…vontade de viver até a última gota!

Ontem, citando os desejos de Natal, desejei que minha melhor amiga more sozinha por um tempo, não me lembro de uma época tão feliz na minha vida e se tem algo que aconselho é: morem sós por um período. Eu conseguiria viver sem muitas coisas mas jamais sem a minha solidão, sem essa overdose de mim mesma.

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