Em 2010, estabeleci uma meta pessoal: assistiria 60% menos TV que nos anos anteriores. Cumpri. No início, confesso, foi estranho, deixar minhas séries favoritas de lado, guardar meu tempo televisivo apenas para “CQC”, “a liga” e “profissão repórter”. Mas fazendo um balanço naquela última semana do ano, percebi que eu ganhei bem mais do que perdi. Ok, eu não tinha muitos assuntos para conversar com a minha manicure, com minha cabeleireira nem com minha massagista mas certamente foi produtivo intelectualmente.

Fiquei por fora das gírias de TV, não tive de escutar o “rebolation”, o hino do verão 2010 e não esperei ansiosa pelo final de Passione. Me dediquei ao Carpinejar e ao Caio com mais paixão esse ano, terminei a saga Martha Medeiros, sempre deliciosa e instigante como o universo feminino. Dei chance à descontração do Veríssimo e do David Coimbra [um machista divertidíssimo, capaz de descrever o “sexo pecaminoso” de maneira ímpar]. E reli clássicos como “madame Bovary”, Ilíada, Odisséia, rei Lear e “ o Grande Gatsby”. Chorei mais umas tantas vezes lendo Eliane Brum, sempre de um material humano riquíssimo, escrevendo como um dia eu quero escrever.

Dos filmes a que me dediquei esse ano, alguns merecem ser reassistidos: “Família Savage”,” o leitor”, ” Vicky Christina Barcelona” e “Nine”…só pela incrível e voluptuosa Sophia Loren. Lembrei de fazer essa listagem aqui mais porque me aborrece de maneira profunda minha amigas me dizerem adeus no MSN a hora que começa o BBB. E não, as minhas amigas não são semi-analfabetas, a maioria tem um nível de escolaridade mais alto que o meu. Pelo amor de Deus, não basta assistirem a novelas que são sempre a mesma trama, ainda são espectadoras do BBB?

São sempre os mesmos estereótipos confinados numa casa de espelhos. Eu nem sei quem participa esse ano porém posso apostar quanto quiserem como existe um gay, um bombado, um caipira e um pobre-coitado. Acertei? Tá, e qual a emoção nisso? Variações de um mesmo tema? Por favor, meninas, e isso não vale apenas para as minhas amigas contudo para todos os fãs dessa coisa vazia: desliguem a TV e usem essa uma hora e pouco diária com mais inteligência. Ultrapassem a barreira da massificação ou ser a elite cultural desse país de analfabetos não terá servido de nada.

Continuaremos a ser as criaturas medíocres que se indignam com o oitavo lugar do Brasil na Copa do Mundo de Futebol e encaram com naturalidade  a posição 88° do país no Índice de desenvolvimento Educacional calculado pela UNESCO. Pois é para este mar de gente que não chega ao 5º ano da escola primária que o BBB é projetado, e essa ignorância não pode ser culpada, já a de vocês, caras e letradas amigas, para esta não há desculpas. Vergonhoso!

P.S.: para quem ainda lê esse blog com seus quatro sorrisos tentando se encontrar, a saudade às vezes se sobrepõe à dor e me lembra detalhes que eu deveria esquecer.

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