A gente finge que está tudo bem mas não tira as pantufas

Faz de conta que está feliz e não descarta a possibilidade de sumir

E se ilude que não dói mais

Segue em frente porque a vida não pára

entretanto só não deixa de respirar porque o próprio corpo não obedece nessas horas

E anda sem olhar para trás esperando o “até que”

até que vocês se reencontrem

até que os céus desabem e ela morra

até que se volte a ser quem era

contudo não volta.

Um coração partido pode nunca sarar totalmente

a gente costura e cuida da cicatriz

e procura quem nos ajude a cuidar da gente

fecha os olhos e reza para passar logo

E passa, passa tão devagar

vai colando os pedaços

mas fica sempre parecendo aquele vaso quebrado e colado no canto da sala

que a dona cisma em manter em casa

como um mosaico de mau gosto, cheio de relevos irregulares

que ao ser tocado ressoa um barulho oco e pesado

Um péssimo negócio. Não se leva um vaso quebrado para casa.

Um dia ele cansa, explode em mil pedaços e ninguém há de conseguir juntar.

P.S.: Ah, as suas risadas e os mundos a que me remetem…

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