juliana sorryHoje eu vim pedir desculpas. Desculpa primeiro por demorar tanto para admitir que estava errada, que tenho péssimas maneiras de demonstrar afeto. Desculpa pela coluna que não enverga e o braço que se nega a ser torcido. Desculpa pela minha mediocridade, desculpa pela minha acidez, minha aspereza com os que mais amo. E tenho amado duma forma tão irracional, que amo com os pés, ao invés das mãos. Desculpa por demorar tanto para dizer que te amo e sinto todos os dias a sua falta.

Eu vim pedir desculpas porque eu não soube expressar a minha tristeza quando você se foi para [ainda] mais longe e eu talvez não pudesse te ver. Não ia ter um feriadão que vocês viessem ao apartamento da família na praia, não teria uma ida a Santa Maria que tivesse uma escala na capital para te dar um abraço e olhar os teus olhos claros e profundos que sempre me olharam de uma forma tão doce que nem eu mesma poderia imaginar.

Eu sei que não nos víamos há tempos entretanto, eu sabia que você estava perto. E, de repente, não estava mais.

Sempre achei que um dia seríamos vizinhas, e eu levaria a sobremesa do almoço de domingo, não me pergunte como, era isso que passava aqui, na minha cabeça torta. Acreditava que, no fundo, um dia encontraria um amor que gostasse de cachorros então nós todos seríamos cinco. E quando tivesse crises de adaptação com esse amor [tão comuns a mulheres independentes, você bem sabe] nós tomaríamos vinho em taças imensas e daríamos risada até passar, na sala, com a Lara brincando no tapete.

Eu queria um conto de fadas moderno classe-média, com você por perto, para me fazer ver a mim mesma por um outro viés, pelo teu ângulo, que nunca esteve errado. Eu queria ouvir tuas histórias, trocar dicas de livros, manicure, receitas, cosméticos  e produtos de limpeza. Eu queria te ouvir, dar risada e chorar contigo, ver teu brilho, teu rosto sempre impecável, teu coração puro que é capaz de enxergar bondade nos que estão em volta.

É a segunda irmã que eu desmereço por não saber como dizer que a saudade me dói nas entranhas. Não sei quantas vezes hei de fazer isso até crescer. De fato, espero que seja a última. Entretanto, é a primeira vez que sinto uma vontade imensa de pedir perdão por ser assim tão intratável, um impulso a me rasgar por dentro. Porque sinto a sua falta.

E se eu nunca te disse, e talvez não venha a ter a oportunidade de dizer pessoalmente, você é minha personagem da Marthinha favorita. Você é forte, decidida, destemida, doce, temperamental, linda [de uma beleza nada óbvia] e única. A mulher incrível a bater o pé até ser feliz por completo e não aceitar negociação. Você brilha. E talvez, em alguns momentos,  inveje isso. Porque teve uma coragem gigantesca de virar a mesa, atravessar o país e buscar o que queria. E agora merece cada sorriso na sua vida, porque conquistou isso.

Você fez falta quando fiz a matrícula do curso, quando fiquei insegura, quando notei que estava vivendo uma vida morna, quando resolvi pôr a nuca à mostra [sugestão sua há anos]. Você faz falta todos os dias quando eu penso que irmão a gente escolhe sim, e que eu tive a maior sorte do mundo [e o maior par de patas também!].

Eu não sei se um dia você vai me perdoar por eu ter ficado tão triste e não ter sabido expressar da forma correta. Não sei se um dia vai conseguir entender que eu te feria por um medo pífio e jamais admitido de não conseguir construir o que você construiu,  pois já me disseram que  não sou capaz, e acreditei. Então deixei de lado, desmereci, quis ser superior, mas no final, eu morro de medo de não conseguir. Deve ser a idade chegando…

No fim, a única coisa que eu quero dizer é que você é uma daquelas pessoas raras a que nos ligamos na vida. Sim, no início, a gente acha que a vida é uma festa e vamos conhecer um bilhão de pessoas legais. Nos meus quase 30, posso dizer de cadeira: -tolice! Gente bacana de verdade, enche uma mão, se tiver sorte.

E precisamos cuidar delas com todo o amor e respeito que  houver, porque, se cruzar os fios, uma estrela se apaga e a gente é que vai brilhando menos. Eu me sinto menos eu sem você, Juliana. E se houver qualquer coisa que eu possa fazer para que você me perdoe, eu vou fazer hoje ou pelas próximas décadas em que ainda estarei te pedindo desculpas.

Sua sempre

Bruna Barievillo

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