Sophia LorenNão é segredo para ninguém que sou uma mulher vaidosa, do tipo que passa cremes no rosto e corpo sagradamente, marca o dia da esfoliação na agenda, adora uma roupa nova, acha que salto é pra ser usado -e ousado. Não sai à noite sem maquiagem e usa chapéus de abas enormes para proteger o rosto sob o sol. Ainda mantém a dieta de segunda a sexta à tarde e da noite de sexta à tarde de domingo, se entrega sem medo aos prazeres da mesa. C’est la vie!

O que realmente me incomoda ultimamente é a padronização da beleza baseada nos extremos, os estereótipos se dividem entre as modelos de uma magreza desumana e inatingível e as vigoréxicas bombadas em que vestido de seda nenhum fica elegante. Além disso, tenho a impressão de que de uns anos pra cá, todas as mulheres tem os mesmos narizes, o mesmo cabelo, as unhas longas, os peitos redondos e siliconados, coxas trabalhadas na academia e cavidades abdominais revestidas por pele -não carne- chamada de barriga. Fora as moçoilas que passaram dos 35 e sorriem sem franzir a testa por causa do botox.

Nada contra, acho que mulher deve ser vaidosa, deve gostar de si mesma, entretanto, creio que o que cada um tem de único é o que tem de mais bonito. A mulher mais linda de todos os tempos, na minha singela opinião, chama-se Sophia Loren, ela mesma, que se recusou a fazer plástica no nariz ou reduzir os seios quando a moda era serem mais discretos. Adoro olhar a imagem daquela mulher de traços marcantes, como diriam os cameramen da época: “muita boca, muito nariz, muito olho numa mulher só, impossível enquadrá-la na câmera”.

Marilyn MonroeTudo para dar errado, mas o fato dela se sentir à vontade na própria pele fez toda a diferença. Pois é, a moça fora dos padrões não se enquadrou, não retocou nada em si mesma e eles tiveram de render-se à sua beleza desigual. Hoje em dia, além de todos esses “defeitos”, ela ainda seria chamada de gorda, provavelmente. Aliás, nesse caso, nem Marilyn Monroe sairia ilesa, já que no célebre ensaio fotográfico em preto e branco sobre lençóis alvos, ela exibe uma “dobrinha” nos flancos, imperdoável atualmente.

O mais interessante é que essa mulheres reais, sim, essas da época que não existia photoshop, eram de uma elegância extrema, pois eram únicas dentro das suas belezas, como todas deveríamos ser. O que não acontece com nossos ícones de beleza atuais, pense em 5 mulheres consideradas lindas pelas revistas e me diga se não foram modificadas pela indústria da beleza até atingirem um mesmo padrão de cabelo e corpo.

É como se naturalidade e beleza não pudessem caminhar juntas, como se uma dobrinha aqui ou ali pudesse acabar com uma mulher de 1,70m inteira. Como se um nariz protuberante acabasse com o rosto todo ou um peito fora dos padrões pudesse apagar o charme de uma mulher vestida para uma noite especial e um sorriso lascivo no rosto.

E sim, minhas caras, elegância não tem a ver com peso ou traços mas com estilo e forma de “carregar” a si mesma, a beleza é um conjunto todo e não um detalhe. Uma mulher que anda imponente, cheia de si, feliz consigo e à vontade na própria pele -a que Deus lhe deu- essa mulher é linda e ponto final.

Anúncios