bruna e priscillaHoje, ouvindo a sua música (your song), pensei em você e em toda a sua sensibilidade gritante. Lembrei de você, um bebê envolto em cobertas, cabendo no colo da nossa mãe Scarlet O’Hara bradando intensamente, cheia de vontades – vontade de ser você mesma. Gritava desde muito pequena achando aquele mundo em volta todo louco demais para uma criança absorver. Bradava para tentar ser resgatada. Não conseguiu. Bem, não conseguimos. Restou-nos superar.

Precisamos de tempo para nos aceitarmos, afinal, nos entender talvez seja impossível nesta vida, pelo menos, reconhecemos nossas fraquezas, nossas humanidades. Eu, para me adequar a apenas  irmã, embora as agruras tivessem me feito mãe, e uma mãe judia, das piores. Confesso, ainda é doloroso o processo de não achar que você é a melhor pessoa do mundo e, portanto, merece nada menos que o melhor. O que eu julgo como melhor, mas juro, eu me importo com os seus julgamentos e aos poucos estou me convencendo (do óbvio): são só eles que importam.

Você, para aceitar que embora nossas escolhas sejam diferentes, você precisa garantir que eu, e todos os outros que venham depois de mim, tenham o direito da escolha. Porque isso não é ser livre, é apenas desfrutar da condição humana.

Foi necessário tempo para acharmos nossas arestas e aceitarmos quem somos, respeitando a escolha da outra. Fomos tão puxadas pelo furacão em volta que precisamos desse tempo, tempo para nos olharmos de longe e admirarmos a outra dentro de todas as suas limitações.

Eu me lembrei de você, quase roxa de tanto gritar, ínfima, como pressentindo o que viria pela frente e pedindo para voltar logo para o útero. Infelizmente, foi um salto sem rede, te jogaram no mundo, louco como era, que conheci alguns anos antes. Eu seria a sua parceira, lamento, mas foi só isso que te deram.

E você berrava, cheia de vontades, louca para fugir dali. Não rolou, você caiu no mundo do jeito que deu e, acredite, desde então, fez sempre o melhor que pôde.

Admiro teu jeito assertivo de, até hoje, sempre bradar pelo que quer. Doa aos ouvidos de quem doer, você será tudo aquilo que quer ser e apenas o que quiser.

Grite, esperneie, entretanto seja sempre quem é, incomode a quem incomodar; eu serei, incondicionalmente, sua fiel escudeira.

Acho que essa é a sua música porque sim, perto de você sempre dá vontade de fazer coisas grandes, construir uma casa, esculpir algo ou te dar um diamante vermelho, nada que você não mereça. Perto de você eu sou mais eu e isso não tem preço.

PS: a minha é “tiny dancer”

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