orla-barra-sul-bcComo você fez?

O que se faz primeiro?

Tem uma receita?

Como você me arrancou de dentro de você?

Doeu ou você nem sentiu?

Como você parou os berros ensurdecedores do silêncio do telefone que não toca?

E o vazio infinito da ausência, você preencheu como? Com quem você conversa as trivialidades que conversávamos?

Essa dor de nervo exposto que insiste em latejar o dia todo, você amenizou como?

E o sorriso? Você já consegue sorrir de verdade ou está como eu, que movimento os cantos da boca parecendo soluço ou uma engolida a seco?

Como é que você sobreviveu?

Tinha menos de mim em você do que tem de você em mim?

Porque juro, não sei o que fazer com tanta dor, silêncio e solidão. Eu consegui te odiar por uns cinco minutos, no máximo. Depois o amor voltou, porque o amor é sempre aquilo que fica depois da briga, da decepção…

Não perdi o meu amor, perdi a vida, a vontade, a força que me movia a fazer planos. Perdi a mim mesma. Perdi minha vontade de seguir a diante, de acordar. Agora todos os dias são iguais e, imensos, enfadonhos, cinzentos.

Tem uma fórmula pra seguir em frente depois de se doar inteira para alguém que em 30 minutos passa de “você é o amor da minha vida” para “você foi um passatempo”?

O que fazer com o silêncio quando as conversas eram intermináveis e os risos sucessivos?

Eu perdi o ímpeto de pedir qualquer coisa aos céus que não seja um tiro de misericórdia.

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