tatuagemVocê disse que eu era apenas uma paixão. Apenas. Como se a paixão fosse uma coisa pequena, como se não fosse uma das forças mais intensas do universo. Como se o mundo não virasse de cabeça pra baixo quando a gente se apaixona, como se não nos tornássemos invencíveis, maiores e inquietos quando tomados por essa força que nos sacode pelos tornozelos.

“A paixão é o seu maior amor”, já ouvi do senhor Larry Smith. É o que dá sentido a toda essa loucura, a todo esse “som e fúria significando absolutamente nada” que é a vida. Sim, sou -ou fui, vai saber- uma paixão, mas não “apenas” uma paixão. Você dirigia mais de 10 horas num dia só pra ficar 4 comigo, era a paixão que te fazia rir rasgado e me olhar com todo aquele brilho no olho, era por paixão que você conseguia sonhar com outros mundos, outra vida. Mesmo que na hora H você não tivesse coragem de desbravá-los, a paixão aqui te deu a oportunidade de sonhar, e você dormiu sorrindo muitas vezes nesse tempo todo sonhando com as possibilidades que estar apaixonado te trouxeram.

O mundo é dos apaixonados, Jobs não teria criado o Macintosh se não fosse tomado por paixão, Guttemberg também não teria inventado a prensa senão por paixão obsessiva. O mundo muda por causa das paixões, daquele desconcerto que estar apaixonado nos traz, não se desbravaram mares tempestuosos e desconhecidos por amor, não se descobriram novos continentes por nada menos que paixão.

A paixão é o sentimento mais urgente que existe, essa vontade veemente, genuína e inquietante. Você consegue fingir amor, mas paixão? Complicado. A paixão é visceral, tempestuosa, é um mar de ressaca, que remexe a areia do fundo e quebra em ondas gigantescas. A paixão é louca e faz da gente a melhor versão de nós mesmos, nos faz ver tudo aquilo que poderíamos ser porque refletimos nos olhos apaixonados do outro e queremos, do fundo do coração, ser o que aqueles olhos enxergam.

Se você não teve coragem, sem problemas, contudo, não reduza o sentimento. Não foi “só” uma paixão. Foi a paixão. Aquela que todo mundo sonha em ter, que passa a vida buscando, a que eu sempre pedi aos céus para viver. E eu vivi até o fim, escolhi você até o último instante. Você não o fez, paciência. Você não deixou de me escolher, deixou de escolher-se, não havia mesmo como escolher a paixão quando você não é apaixonado por si mesmo antes de tudo.

Não somos feitos da mesma matéria, a destemida sempre fui eu, você não faz a mínima ideia do que isso seja, cortar as amarras, dar as costas, pensar só em si mesmo até ter algo maior a compartilhar. Isso é coragem. Isso, meu caro, é viver até a última gota e apaixonadamente.

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