tatuagens femininas para braçoTodas as manhãs, antes de abrir os olhos, eu pensava em você, era a parte de mim fora do meu corpo, meu pedaço, minha casa. Chorei muito nesses momentos quando não havia mais “casa”. As manhãs me eram torturantes e as tardes vazias, aos poucos as atividades e os amigos começaram a preencher os espaços. Não recebi nenhuma boa notícia desde que acabou, acho que a boa notícia – ou péssima- foi eu ter sobrevivido. Se houvesse escolha, eu não estaria aqui.

O problema de estar se refazendo é notar que cada vez aquela história fica mais distante, um outro mundo, uma outra vida, um lugar para o qual não há mais passagem de ida. O problema de estar se reerguendo é que existem muitas possibilidades, entretanto, nenhuma inclui o que você conhecia. E a essa altura, eu queria uma vida conhecida, manhãs, tardes e noites sempre no mesmo ritmo. Cansei das surpresas, eu quero mesmo é uma rotina, sonhava com a rotina. Metódica, ritualística, sem pétalas de rosas jogadas de um helicóptero (confesso, são lisonjeiras), só café junto todas as manhãs e beijo de boa-noite.

E essa rotina tão desejada, agora fica, gradativamente, mais pra trás, começa a sumir no retrovisor. Eu que tinha descido da roda-gigante, desejando uma eterna viagem de carrossel, me vejo de volta ao velho movimento de altos e baixos. E não há nada de errado na minha vida, uma porcentagem grande da população feminina adoraria meu cotidiano dinâmico, eu é que cansei de tanta emoção.

Tentei chorar hoje pela manhã. Não consegui. Será que sequei? Será que existe uma cota de lágrimas que se pode derramar na vida e a minha esgotou? Ou será que estou entrando, lentamente, naquele lugar do não sentir? Não sentir dor, não sentir ausência, alegria, bem, esta me abandonou há tempos, às vezes parece que nunca mais nos reencontraremos.

Todos os dias eu acordava querendo saber de você, se comeu, se foi ao barbeiro, se lembrou dos cremes, se voltou à academia. Todos os dias, apesar de tudo, eu zelava pelo seu bem-estar de longe. E me alegrava, de uma alegria imbecil, saber que você estava online. Por quê? Se você não viria falar comigo…

Bem, ontem quando nos falamos, eu só senti que aquilo não fazia sentido, que falar com você não mudaria nada. Logo eu, a senhora verborrágica, sentia que não há mais nada a ser dito. Nunca mais seria como antes, já que eu não era mais a mesma. Nunca mais você seria meu primeiro pensamento de manhã e o último, antes de cair no sono. Nunca mais seríamos nós.

Algumas coisas, quando se quebram por forças externas, não voltam a ser as mesmas. Foi o que aconteceu com o nosso amor. Eu sei que você pensa em mim, contudo, será cada vez menos. Os cheiros vão se perder, o som da voz, as texturas, o frio na barriga antes de me encontrar, vai tudo cair no esquecimento. A vida vai fazer o que faz de melhor: seguir. Pelo menos pra mim, se não virou “felizes pra sempre”, virou poesia.

 

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