tatuagem feminina para péMe diz porque você não está aqui!

Por que eu não estou rindo ininterruptamente, ou tirando a tua roupa ou mordendo a tua orelha, tão minha?

Por que você não cruza essa porta agora e me chama de coisas que não se escreve? Por que não chega logo e me desconcerta com o seu cheiro, que me deixa absolutamente sem rumo?

Precisa mesmo estar tão longe?

Tanto avião pousando aqui do lado e o seu, nada.

Vem logo pra cá, para brincarmos de casinha e você chamar meu apartamento de Barbie de “casa”.

Foge pra cá, corre logo pra mim, pra eu me entregar inteira pra você, sem ressalvas, sem reservas, sem guardar nada, só sua.

Traz teu gosto, teu barulho, tuas texturas, traz tudo pra mim. Traz o frio na barriga, os arrepios e os tremores [ah, os tremores!]. Me preenche de ti, me deixa bêbada com o teu cheiro, me transborda!

Chega colocando a mão na fechadura e em cada pedacinho do meu corpo, ganhando o controle da garagem e de todo o resto. Chega me tomando só pra você. Porque eu não lembro de me sentir tão eu antes de estar nos seus braços. Vem depressa para as minhas panturrilhas matarem a saudade das suas costas.

Chega de uma vez porque estou com saudade de você, de mim, da gente. Chega porque eu quero ficar esperando a sua chegada na sala, linda, com as meias de que você tanto gosta e a cabeça cheia de bobagens. Chega porque eu quero incomodar os vizinhos, fazer barulho, para que todos saibam que você está aqui e que eu sou sua.

Chega porque quero te acordar daquele jeito, porque quero me encostar no teu ombro, roubar o teu calor pra mim. Chega porque olhar essa porta esperando a tua chegada é cruel por demais. Vem depressa me fazer rir, me explodir em êxtases consecutivos, vem logo me fazer ficar perdida no meu território, que eu pensava dominar com tamanha maestria.

Vem porque eu não imaginava que você faria tanta falta. Vem porque a cama está imensa, porque a porta tem outro significado, porque sinto falta de você na rua, na areia. Logo eu, tão completa, tão independente.

Vem porque está tudo em preto e branco desde que você foi embora, como se o tempo tivesse parado. Vem para o relógio voltar a andar e eu me sentir inteira. Vem porque te amar é uma urgência física, das que se passar um minuto, hiperventila, sufoca, mata. Vem porque prefiro respirar com o teu corpo ao meu alcance.

Todavia, vem, larga o que estiver fazendo e corre pra cá. Você sabe que sempre será bem recebido. Vem pra eu ficar absoluta e completamente boba com a sua chegada, pra eu não me reconhecer, ou simplesmente me reencontrar.

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texto escrito em 27/05/2014, 1 ano atrás.

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