Hoje eu tive um dia feliz. Ganhei na loteria? O amor da minha vida voltou? Recebi uma notícia boa? Não. Meu orçamento continua me fazendo escolher entre creme antiidade importado e tatuagem, nunca mais falei com o dito-cujo, mas a felicidade é que não senti falta. A notícia boa que recebi foi de mim mesma, estou saindo da inércia, parando de fazer tudo no piloto automático, só porque “eu tenho que seguir”.

As coisas simples são as mais lindas e as mais difíceis de se enxergar, e hoje fiz questão de fazer tudo, todas as coisas triviais de corpo inteiro. Caminhei no sol, depois de alguns dias sem sair da cama antes da luz do dia acabar. Aliás, ouvi algo do tipo “os dias dos quais você vai se arrepender são aqueles dos quais você não viu a luz”. Então, que venha a luz.

Organizei as coisas, a vida, me livrei de algumas outras que estavam ocupando espaço, espaço que devo usar com a minha própria presença e não com quem não quer estar aqui. A casa está com cheiro de recomeço, de venha o que vier, me encontrará em pé, de queixo erguido e peito aberto. Uma vida não dura muito e nem tem data certa para acabar, então que eu viva a minha como é e não como eu gostaria que tivesse sido. Se ele não me escolheu, eu me escolho a partir de hoje.

Para celebrar as coisas simples, que são lindas, fica a música que não paro de ouvir desde ontem. Melodia descomplicada, letra curta, cheia de significado. Simples como as pessoa devem ser. A verdade é simples, a gente que dá voltas até se perder de si mesmo.

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