tattoo de corpo inteiro femininoUma amiga, mais cedo, interpelou-me se eu não andava saindo para a balada, já que tenho recusado, recorrentemente, aos seus convites. E confesso, não são apenas os seus mas os convites de um modo geral. Alguém, sabiamente, uma vez me disse, que eu deveria me salvar de morar sozinha com urgência, pois não há nada melhor e, por consequência, nos tornaria anti-sociais. Não me salvei a tempo e sete anos se passaram de ótima convivência.

Quando penso em balada, penso em fila, aperto, abordagens deselegantes, copos de plástico e banheiros menos limpos do que eu gostaria. O que me faria aguentar tudo isso? -Bon Jovi, Metallica, Chico Buarque e Djavan e, creiam, eles não se apresentam com tanta frequência por aqui. Portanto, reservo-me ao meu vinho tinto na sacada, olhando o mar na sua plenitude de ressaca (assim como a minha alma)  e cálices de cristal trazidos de viagem.

A idade traz o que Martha Medeiros chama de “seletividade”, você não vai a qualquer restaurante, não compra qualquer roupa e não é qualquer barato que diverte. Regata de ribana é cafona, restaurante fast food, você passa e cerveja em copo plástico, Deus castiga.

Criolo diz que “os bares estão cheios de almas vazias” e concordo com ele, portanto, me deixe com meu Bordeaux, safra 2009, na sacada, meu semblante contemplativo, meu livro a tira-colo e minha vida acadêmica proselitista. Sou feliz e completa, encontre-se. Seus problemas comigo são de sua inteira responsabilidade, faça bom uso dos mesmos.

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