Crônicas do Quotidiano

O amor é o meu tema. Aqui você encontra Poesia, textos sobre a vida, textos de amor, frases bonitas, declarações de amor

De peito aberto — agosto 16, 2017

De peito aberto

tatuagem abaixo do peitoEra bom ficar só

Libertador e tinha muito de mim

Às vezes, era demais de mim, até

Um oceano inteiro de tudo o que eu sou

Eu em todos os cantos, no infinito espaço que posso ocupar, e sempre fui espaçosa, creia

Mas apesar de não ter barulho, tinha medo

E silêncio…  porque silêncio era tudo de que precisava naquele momento

Agora tem barulho. Tem gente. Tem tudo de que fugi uma vida toda.

Tem mãe, com todas as dores e delícias que isso pode representar

Tem adolescência de volta porém sem todas aquelas inseguranças

Tem amigos, risadas, fotos impublicáveis

Tem eu, toda segura, fazendo tudo o que temia

Sabe o carro manual? Tô dirigindo. E muito.

Perdendo a frescura, comendo cachorro-quente de rua e tomando até rum quente

Tem eu me reencontrando e aprendendo a lidar com gente

Teu eu aqui, em pé, de peito aberto, abraçando o que vier porque agora nada me derruba

Tem os boys (ah, os boys!), de um jeito que não desconcerta nem distrai, que passa, uma travessura sem importância

Não tem a sacada com o mar nem inúmeras garrafas de vinho derrubadas em taças de cristal

Tem cerveja barata servida em copo de plástico em bar bem mais ou menos

e, baby, “tá bom pacas”

Estou muito bem acompanhada

E feliz por nada

Tem eu aqui descobrindo que dá pra ser eu, tudo de mim, mesmo entre os outros

Felicidade não é uma sorte, é escolha

E quando eu a escolhi, ficou fácil me levantar.

 

Bordeaux — outubro 30, 2016

Bordeaux

tattoo de corpo inteiro femininoUma amiga, mais cedo, interpelou-me se eu não andava saindo para a balada, já que tenho recusado, recorrentemente, aos seus convites. E confesso, não são apenas os seus mas os convites de um modo geral. Alguém, sabiamente, uma vez me disse, que eu deveria me salvar de morar sozinha com urgência, pois não há nada melhor e, por consequência, nos tornaria anti-sociais. Não me salvei a tempo e sete anos se passaram de ótima convivência.

Quando penso em balada, penso em fila, aperto, abordagens deselegantes, copos de plástico e banheiros menos limpos do que eu gostaria. O que me faria aguentar tudo isso? -Bon Jovi, Metallica, Chico Buarque e Djavan e, creiam, eles não se apresentam com tanta frequência por aqui. Portanto, reservo-me ao meu vinho tinto na sacada, olhando o mar na sua plenitude de ressaca (assim como a minha alma)  e cálices de cristal trazidos de viagem.

A idade traz o que Martha Medeiros chama de “seletividade”, você não vai a qualquer restaurante, não compra qualquer roupa e não é qualquer barato que diverte. Regata de ribana é cafona, restaurante fast food, você passa e cerveja em copo plástico, Deus castiga.

Criolo diz que “os bares estão cheios de almas vazias” e concordo com ele, portanto, me deixe com meu Bordeaux, safra 2009, na sacada, meu semblante contemplativo, meu livro a tira-colo e minha vida acadêmica proselitista. Sou feliz e completa, encontre-se. Seus problemas comigo são de sua inteira responsabilidade, faça bom uso dos mesmos.

Amedrontamento — junho 2, 2015

Amedrontamento

tatuagem feminina de coroaEu tenho medo de que isso nunca passe

Que você seja sempre minha ferida aberta

Meu nervo exposto

A bola na garganta e o frio na barriga

Eu tenho medo de ser velhinha e pensar que você foi o homem que eu amei, o único

Tenho medo de morrer sozinha

Medo de ter Alzheimer e me refugiar nos nossos momentos para sempre

Tenho medo de viver pensando em você

Olhando no mercado coisas que você gostaria de comer

Indo a lugares e pensando que falta você ali

Fazendo planos de como seria se tivesse sido

Eu tenho medo de passar o resto da minha vida nessa agonia quando o telefone toca pensando que pode ser você

Tenho medo de pensar no tamanho da sua covardia

Me amedronta a raiva que tudo isso dá

Medo de ter sido esse o tempo mais feliz da minha vida

E de nunca mais acreditar em ninguém

Eu sinto medo de me perder de mim

e me transformar apenas no que você fez comigo.

Odeio Você — maio 31, 2015

Odeio Você

tatuagem de flor de lótusOdeio você

Odeio o seu cheiro que não sai das minhas coisas

Odeio suas lembranças pela casa

Odeio a textura da sua barba, que ainda sinto entre meus dedos

Odeio sua voz

Odeio seu sorriso e cada dente particularmente torto que me matava de tanta alegria

Odeio te enxergar na rua, na cama, no banheiro, nos bares

Odeio as horas vazias sem nossas conversas intermináveis

Odeio vestir aquela camisa e ficar vagando pela casa como um fantasma que já viveu aqui

Odeio acordar de manhã e rezar pra quando abrir os olhos, por um milagre, você estar no travesseiro ao lado

Odeio passar pelos nossos lugares

Odeio te amar tanto

Odeio todos os homens que me olham na rua, que me cantam na balada, odeio porque me sinto violada, sem dono, sem você

Odeio sentir tanto a sua falta

Odeio muito você

Mas odeio sobretudo não conseguir odiá-lo.

Devaneio — maio 26, 2015

Devaneio

tatuagens para pulsoA chuva não pára

Parece que nunca mais verei a luz do sol

O clima cinzento lá fora reflete o que se passa aqui dentro

Nuvens pesadas, nada de raios solares, nenhum céu Monet que me alegre

ou me faça acreditar que vai ficar mais leve

—–

Passeei de mãos dadas essa noite com você

Andamos pelas ruas da minha cidade materna

Rimos, andamos, brincamos, comemos

Tudo na sua mais perfeita ordem

A velha ordem

Nossa, das nossas coisas

——-

Acordei e não tinha você em volta

Como há muito não tem

Acordei e quis dormir de novo

No fundo, eu nunca acordei.

Missiva ao Vento — maio 25, 2015

Missiva ao Vento

duquesaLascivo,

 
 

Cada dia tuas lembranças ficam mais distantes

Os dias, antes tão preenchidos pela tua presença, agora acostumaram-se ao silêncio

As coisas voltam aos seus lugares, lugares que nem me lembrava como eram antes de ti

Minha vida, que começou nos teus olhos, sem eles, certamente terminaria

Contudo, existe um lugar depois do fim, onde pouco ressoa nessa alma cansada e inerte

Nesse lugar, não maior que uma lacuna, tudo é saudade

O barulho da risada é nada mais que uma memória longínqua de um tempo que não é mais meu

e cada passo é um convite de dança, para deslizar sozinha no meio da pista

Depois do fim, não existem começos nem recomeços, só um dia após o outro

Um suspiro de cada vez

Nem esperança nem fé no futuro

Existe tristeza e por isso, tanta poesia

Existe amor, um amor dolorido e puro

Existe somente o pouco que me sobrou de mim

No lugar depois do fim.

 
 

Com afeto

Duquesa

Ímpeto — maio 22, 2015

Ímpeto

tatuagem feminina para pulsoEu, sempre tão loira

Hoje sinto vontade de ficar ruiva

De ser menos eu

Te amar menos

Me amar mais

Vontade de deixar o cabelo crescer

Pintar as unhas de preto

Fazer uma tatuagem nova

Criar novas lembranças

Me reconstruir

Fugir de você

———

Hoje tô com vontade de beber cerveja

Gritar no terraço

Ouvir músicas que nunca foram nossas

Andar por lugares a que não fomos

Aonde jamais iremos

Vontade de seguir um novo rumo

Onde eu não encontre você

———-

Vontade de comprar um anel lindo para usar no dedo da minha velha aliança de noivado

Trocar 20 diamantes por uma pedra falsa

com uma história verdadeira

Ímpeto de sair por aí

Fazer barulho

Rir alto

Jogar a cabeça pra trás

Mudar de lugar

de vida

de amor

Vontade incontrolável de me apaixonar por mim

E me amar do jeito que você nunca me amou.

Hoje — maio 19, 2015

Hoje

Hoje, se você batesse na minha portahoje

Eu abriria

Ontem, não

Amanhã, quem sabe

Mas hoje, só por hoje

Teria amnésia das últimas semanas

Te abraçaria

Daquele jeito trôpego das suas chegadas

Te beijaria, sem saber se fecho os olhos

Sempre ansiei por te olhar

Hoje eu ia querer o ombro

O cheiro

A companhia

Hoje eu ia querer não ter que ser eu

Só hoje.

Dos calos sob sandálias de salto agulha — abril 13, 2011

Dos calos sob sandálias de salto agulha

Ninguém aqui joga com cartas marcadas

eu aprendi a fazer o melhor com as minhas cartas baixas

e tenho certeza que se você tivesse a mesma sorte

já nem estaria mais no jogo

você não chega aos meus pés

No meu lugar

ia perder de  lavada da vida

Me humilhar nao vai te fazer melhor

porque eu tenho lugar na mesa dos adultos

desde que você brincava no quintal de casa.

De tatuagens, marcas e reentrâncias — março 28, 2011

De tatuagens, marcas e reentrâncias

As minhas marcas, a partir de agora, escolho eu. Minha primeira tatuagem fará aniversário no mês que vem, junto comigo. Lembro que foram anos de argumentação para convencer a minha mãe a assinar a autorização [na época eu era menor de idade]. Meu melhor argumento, indubitavelmente, foi uma comparação entre as marcas de dentro e as de fora.

A gente carrega cicatrizes pela vida afora, alguém que descontou as frustrações em cima de você, outro que foi embora quando você mais precisava que ele ficasse, um namorado que te traiu, uma amizade que se desfez por bobagem, um laço que se rompeu, alguém que a vida [ou a morte] levou muito depressa e te faz falta todos os dias…

Então, quando se olha pra dentro, está tudo sulcado fundo, aparente, visível com clareza, muitas vezes, até os outros enxergam. Está lá a tua dor estampada, bordada em neon e não te foi dado nem o direito de escolher a cor, a forma ou a textura da marca. Não houve um álbum de opções das figuras a serem levadas por dentro pra sempre, nem opção de profissional a encravá-las nas minhas entranhas. Mas querendo ou não, elas estão ali, não tem roupa nem maquiagem que as esconda. São as minhas marcas, as minhas reentrâncias, minha falta de simetria.

E lá vinha a mãe dizer: – Tu vai te arrepender depois! Ok, mãe, se eu me arrepender, terei de aprender a conviver com elas como aprendi a conviver com as outras, aquelas que você não enxerga. Porque, pelo menos, essa eu pude escolher, foi marcada com o meu consentimento e meu desejo em algum momento, não uma aceitação.

Sempre desprezei a idéia de aceitar as imposições da vida. Fui criança teimosa, adolescente rebelde e, finalmente, adulta independente. Eu escolho minha rota, batendo o pé se for preciso. Torta, torta sim, porque os atalhos e as curvas são para quem consegue se perder para se encontrar. E para decorar minha viagem, levo minhas marcas tatuadas, as de dentro e as de fora. Convivendo com as escondidas, escolhendo as visíveis, porque independentemente do que se carrega, a vida sempre segue.

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Fernando Gaebler

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O Que Eu Quero Que Você Pense

Tem um Blog. Tem um Garoto. Tem o Blog do Garoto. E tem sempre uma inspiração.

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Moloko com Vellocete: Poesias e Outros Devaneios

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