Crônicas do Quotidiano

O amor é o meu tema. Aqui você encontra Poesia, textos sobre a vida, textos de amor, frases bonitas, declarações de amor

Através — julho 15, 2015

Através

tatuagem feminina pretaNão escrevo porque não mais sinto

Não há mais alma, há um buraco no peito

Por onde as coisas passam através

Sem parar

Não me procure mais

Você não vai me encontrar

Quando nosso amor morreu

Morri.

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Das Coisas Simples — junho 16, 2015

Das Coisas Simples

Hoje eu tive um dia feliz. Ganhei na loteria? O amor da minha vida voltou? Recebi uma notícia boa? Não. Meu orçamento continua me fazendo escolher entre creme antiidade importado e tatuagem, nunca mais falei com o dito-cujo, mas a felicidade é que não senti falta. A notícia boa que recebi foi de mim mesma, estou saindo da inércia, parando de fazer tudo no piloto automático, só porque “eu tenho que seguir”.

As coisas simples são as mais lindas e as mais difíceis de se enxergar, e hoje fiz questão de fazer tudo, todas as coisas triviais de corpo inteiro. Caminhei no sol, depois de alguns dias sem sair da cama antes da luz do dia acabar. Aliás, ouvi algo do tipo “os dias dos quais você vai se arrepender são aqueles dos quais você não viu a luz”. Então, que venha a luz.

Organizei as coisas, a vida, me livrei de algumas outras que estavam ocupando espaço, espaço que devo usar com a minha própria presença e não com quem não quer estar aqui. A casa está com cheiro de recomeço, de venha o que vier, me encontrará em pé, de queixo erguido e peito aberto. Uma vida não dura muito e nem tem data certa para acabar, então que eu viva a minha como é e não como eu gostaria que tivesse sido. Se ele não me escolheu, eu me escolho a partir de hoje.

Para celebrar as coisas simples, que são lindas, fica a música que não paro de ouvir desde ontem. Melodia descomplicada, letra curta, cheia de significado. Simples como as pessoa devem ser. A verdade é simples, a gente que dá voltas até se perder de si mesmo.

Amedrontamento — junho 2, 2015

Amedrontamento

tatuagem feminina de coroaEu tenho medo de que isso nunca passe

Que você seja sempre minha ferida aberta

Meu nervo exposto

A bola na garganta e o frio na barriga

Eu tenho medo de ser velhinha e pensar que você foi o homem que eu amei, o único

Tenho medo de morrer sozinha

Medo de ter Alzheimer e me refugiar nos nossos momentos para sempre

Tenho medo de viver pensando em você

Olhando no mercado coisas que você gostaria de comer

Indo a lugares e pensando que falta você ali

Fazendo planos de como seria se tivesse sido

Eu tenho medo de passar o resto da minha vida nessa agonia quando o telefone toca pensando que pode ser você

Tenho medo de pensar no tamanho da sua covardia

Me amedronta a raiva que tudo isso dá

Medo de ter sido esse o tempo mais feliz da minha vida

E de nunca mais acreditar em ninguém

Eu sinto medo de me perder de mim

e me transformar apenas no que você fez comigo.

Odeio Você — maio 31, 2015

Odeio Você

tatuagem de flor de lótusOdeio você

Odeio o seu cheiro que não sai das minhas coisas

Odeio suas lembranças pela casa

Odeio a textura da sua barba, que ainda sinto entre meus dedos

Odeio sua voz

Odeio seu sorriso e cada dente particularmente torto que me matava de tanta alegria

Odeio te enxergar na rua, na cama, no banheiro, nos bares

Odeio as horas vazias sem nossas conversas intermináveis

Odeio vestir aquela camisa e ficar vagando pela casa como um fantasma que já viveu aqui

Odeio acordar de manhã e rezar pra quando abrir os olhos, por um milagre, você estar no travesseiro ao lado

Odeio passar pelos nossos lugares

Odeio te amar tanto

Odeio todos os homens que me olham na rua, que me cantam na balada, odeio porque me sinto violada, sem dono, sem você

Odeio sentir tanto a sua falta

Odeio muito você

Mas odeio sobretudo não conseguir odiá-lo.

As Suas Chegadas — maio 28, 2015

As Suas Chegadas

tatuagem feminina para péMe diz porque você não está aqui!

Por que eu não estou rindo ininterruptamente, ou tirando a tua roupa ou mordendo a tua orelha, tão minha?

Por que você não cruza essa porta agora e me chama de coisas que não se escreve? Por que não chega logo e me desconcerta com o seu cheiro, que me deixa absolutamente sem rumo?

Precisa mesmo estar tão longe?

Tanto avião pousando aqui do lado e o seu, nada.

Vem logo pra cá, para brincarmos de casinha e você chamar meu apartamento de Barbie de “casa”.

Foge pra cá, corre logo pra mim, pra eu me entregar inteira pra você, sem ressalvas, sem reservas, sem guardar nada, só sua.

Traz teu gosto, teu barulho, tuas texturas, traz tudo pra mim. Traz o frio na barriga, os arrepios e os tremores [ah, os tremores!]. Me preenche de ti, me deixa bêbada com o teu cheiro, me transborda!

Chega colocando a mão na fechadura e em cada pedacinho do meu corpo, ganhando o controle da garagem e de todo o resto. Chega me tomando só pra você. Porque eu não lembro de me sentir tão eu antes de estar nos seus braços. Vem depressa para as minhas panturrilhas matarem a saudade das suas costas.

Chega de uma vez porque estou com saudade de você, de mim, da gente. Chega porque eu quero ficar esperando a sua chegada na sala, linda, com as meias de que você tanto gosta e a cabeça cheia de bobagens. Chega porque eu quero incomodar os vizinhos, fazer barulho, para que todos saibam que você está aqui e que eu sou sua.

Chega porque quero te acordar daquele jeito, porque quero me encostar no teu ombro, roubar o teu calor pra mim. Chega porque olhar essa porta esperando a tua chegada é cruel por demais. Vem depressa me fazer rir, me explodir em êxtases consecutivos, vem logo me fazer ficar perdida no meu território, que eu pensava dominar com tamanha maestria.

Vem porque eu não imaginava que você faria tanta falta. Vem porque a cama está imensa, porque a porta tem outro significado, porque sinto falta de você na rua, na areia. Logo eu, tão completa, tão independente.

Vem porque está tudo em preto e branco desde que você foi embora, como se o tempo tivesse parado. Vem para o relógio voltar a andar e eu me sentir inteira. Vem porque te amar é uma urgência física, das que se passar um minuto, hiperventila, sufoca, mata. Vem porque prefiro respirar com o teu corpo ao meu alcance.

Todavia, vem, larga o que estiver fazendo e corre pra cá. Você sabe que sempre será bem recebido. Vem pra eu ficar absoluta e completamente boba com a sua chegada, pra eu não me reconhecer, ou simplesmente me reencontrar.

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texto escrito em 27/05/2014, 1 ano atrás.

Devaneio — maio 26, 2015

Devaneio

tatuagens para pulsoA chuva não pára

Parece que nunca mais verei a luz do sol

O clima cinzento lá fora reflete o que se passa aqui dentro

Nuvens pesadas, nada de raios solares, nenhum céu Monet que me alegre

ou me faça acreditar que vai ficar mais leve

—–

Passeei de mãos dadas essa noite com você

Andamos pelas ruas da minha cidade materna

Rimos, andamos, brincamos, comemos

Tudo na sua mais perfeita ordem

A velha ordem

Nossa, das nossas coisas

——-

Acordei e não tinha você em volta

Como há muito não tem

Acordei e quis dormir de novo

No fundo, eu nunca acordei.

Missiva ao Vento — maio 25, 2015

Missiva ao Vento

duquesaLascivo,

 
 

Cada dia tuas lembranças ficam mais distantes

Os dias, antes tão preenchidos pela tua presença, agora acostumaram-se ao silêncio

As coisas voltam aos seus lugares, lugares que nem me lembrava como eram antes de ti

Minha vida, que começou nos teus olhos, sem eles, certamente terminaria

Contudo, existe um lugar depois do fim, onde pouco ressoa nessa alma cansada e inerte

Nesse lugar, não maior que uma lacuna, tudo é saudade

O barulho da risada é nada mais que uma memória longínqua de um tempo que não é mais meu

e cada passo é um convite de dança, para deslizar sozinha no meio da pista

Depois do fim, não existem começos nem recomeços, só um dia após o outro

Um suspiro de cada vez

Nem esperança nem fé no futuro

Existe tristeza e por isso, tanta poesia

Existe amor, um amor dolorido e puro

Existe somente o pouco que me sobrou de mim

No lugar depois do fim.

 
 

Com afeto

Duquesa

Prof Pri — maio 22, 2015

Prof Pri

priscilla bembomVocê me arrancou as primeiras lágrimas de alegria depois de muito tempo desesperançada. Me fez sorrir, feliz, por ver a sua felicidade. Foi tão bom fazer parte do “primeiro dia do resto da sua vida”. Vê-la cercada de crianças com aquele semblante leve e pueril como de todas elas e sentir a sua realização naquilo me tocou, me fez ver que ainda existe poesia e sentimentos sinceros e desinteressados no mundo. Sua felicidade também é minha. Eu não poderia imaginá-la num lugar mais seu.

As crianças sempre adoraram você por essa leveza, pela forma que a gente fica à vontade à sua volta. Você é comer com a mão, rir de gargalhar e colocar o pé na mesa de centro. Dá pra ser a gente mesmo com você sem se sentir culpado ou julgado por isso. Não deu para conter as lágrimas e nem deveria, felicidade há de ser compartilhada e, se for bem grande, vale até chorar!

Sei que qualquer coisa a que você se dispusesse, faria com excelência. Somos assim. Entretanto, ver aquela guriazinha que sempre se sentiu meio deslocada encontrar o seu lugar no mundo é uma das coisas mais lindas que poderia presenciar. Talvez essa seja a explicação para tudo o que você viveu até aqui. Tudo a preparou para este momento.

Deu vontade de ter braços enormes e elásticos para abraçar todas aquelas crianças mas pensei logo que não seria necessário, você saberá abraçá-los todos, um a um, quando os tocar da sua forma sincera e amistosa.  Que seu entusiasmo nunca acabe, sempre se renove. Que saiba ouvir histórias e ver sempre o lado positivo de tudo. Que o brilho no olho se conserve e todo o desejo de fazer diferença seja efetivo e perene na sua vida.

Você me deu o primeiro motivo real para sorrir depois de tudo aquilo e não poderia ser mais nobre. O mundo dá voltas mas no fim das contas, a gente sempre acaba revisitando a casa da infância.

Ímpeto —

Ímpeto

tatuagem feminina para pulsoEu, sempre tão loira

Hoje sinto vontade de ficar ruiva

De ser menos eu

Te amar menos

Me amar mais

Vontade de deixar o cabelo crescer

Pintar as unhas de preto

Fazer uma tatuagem nova

Criar novas lembranças

Me reconstruir

Fugir de você

———

Hoje tô com vontade de beber cerveja

Gritar no terraço

Ouvir músicas que nunca foram nossas

Andar por lugares a que não fomos

Aonde jamais iremos

Vontade de seguir um novo rumo

Onde eu não encontre você

———-

Vontade de comprar um anel lindo para usar no dedo da minha velha aliança de noivado

Trocar 20 diamantes por uma pedra falsa

com uma história verdadeira

Ímpeto de sair por aí

Fazer barulho

Rir alto

Jogar a cabeça pra trás

Mudar de lugar

de vida

de amor

Vontade incontrolável de me apaixonar por mim

E me amar do jeito que você nunca me amou.

Nunca Mais — maio 20, 2015

Nunca Mais

tatuagens femininas para braçoTodas as manhãs, antes de abrir os olhos, eu pensava em você, era a parte de mim fora do meu corpo, meu pedaço, minha casa. Chorei muito nesses momentos quando não havia mais “casa”. As manhãs me eram torturantes e as tardes vazias, aos poucos as atividades e os amigos começaram a preencher os espaços. Não recebi nenhuma boa notícia desde que acabou, acho que a boa notícia – ou péssima- foi eu ter sobrevivido. Se houvesse escolha, eu não estaria aqui.

O problema de estar se refazendo é notar que cada vez aquela história fica mais distante, um outro mundo, uma outra vida, um lugar para o qual não há mais passagem de ida. O problema de estar se reerguendo é que existem muitas possibilidades, entretanto, nenhuma inclui o que você conhecia. E a essa altura, eu queria uma vida conhecida, manhãs, tardes e noites sempre no mesmo ritmo. Cansei das surpresas, eu quero mesmo é uma rotina, sonhava com a rotina. Metódica, ritualística, sem pétalas de rosas jogadas de um helicóptero (confesso, são lisonjeiras), só café junto todas as manhãs e beijo de boa-noite.

E essa rotina tão desejada, agora fica, gradativamente, mais pra trás, começa a sumir no retrovisor. Eu que tinha descido da roda-gigante, desejando uma eterna viagem de carrossel, me vejo de volta ao velho movimento de altos e baixos. E não há nada de errado na minha vida, uma porcentagem grande da população feminina adoraria meu cotidiano dinâmico, eu é que cansei de tanta emoção.

Tentei chorar hoje pela manhã. Não consegui. Será que sequei? Será que existe uma cota de lágrimas que se pode derramar na vida e a minha esgotou? Ou será que estou entrando, lentamente, naquele lugar do não sentir? Não sentir dor, não sentir ausência, alegria, bem, esta me abandonou há tempos, às vezes parece que nunca mais nos reencontraremos.

Todos os dias eu acordava querendo saber de você, se comeu, se foi ao barbeiro, se lembrou dos cremes, se voltou à academia. Todos os dias, apesar de tudo, eu zelava pelo seu bem-estar de longe. E me alegrava, de uma alegria imbecil, saber que você estava online. Por quê? Se você não viria falar comigo…

Bem, ontem quando nos falamos, eu só senti que aquilo não fazia sentido, que falar com você não mudaria nada. Logo eu, a senhora verborrágica, sentia que não há mais nada a ser dito. Nunca mais seria como antes, já que eu não era mais a mesma. Nunca mais você seria meu primeiro pensamento de manhã e o último, antes de cair no sono. Nunca mais seríamos nós.

Algumas coisas, quando se quebram por forças externas, não voltam a ser as mesmas. Foi o que aconteceu com o nosso amor. Eu sei que você pensa em mim, contudo, será cada vez menos. Os cheiros vão se perder, o som da voz, as texturas, o frio na barriga antes de me encontrar, vai tudo cair no esquecimento. A vida vai fazer o que faz de melhor: seguir. Pelo menos pra mim, se não virou “felizes pra sempre”, virou poesia.

 

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